A TERRA GRITAA Terra grita de dor, doloridaCom feridas abertas nas florestase rios agonizando exangues, sem vidae os ares envenenados com agressões infestasA Terra grita de dor, sofridavendo seus filhos morrendo, em extinçãode milhões de espécies já sem lembrança de vidae os homens matando e matando-se sem paixãoA Terra grita de dor, muito sentidacom os senhores da guerra sem humanidadeque ...
A TERRA GRITAA Terra grita de dor, dolorida
Com feridas abertas nas florestas
e rios agonizando exangues, sem vida
e os ares envenenados com agressões infestas
A Terra grita de dor, sofrida
vendo seus filhos morrendo, em extinção
de milhões de espécies já sem lembrança de vida
e os homens matando e matando-se sem paixão
A Terra grita de dor, muito sentida
com os senhores da guerra sem humanidade
que regem tudo pela ganância desmedida
sufocando a Liberdade, a igualdade, a fraternidade
A Terra grita de dor, já mal ouvida
por tanta indiferença, egoismo e demência
em que a verdade, a razão e o direito à vida
são desprezados cruelmente e sem decência
A Terra grita de dor, ressentida
por não se ter construído a Cidade Ideal
por se ter escarnecido Thomas More e a utopia perdida
e glorificado a razão da força e o poder brutal
A Terra grita de dor, remexida
e chora os seus filhos assassinados
em tantas guerras sujas de crueldade consentida
em nome das mentiras e dos valores atraiçoados
A Terra grita de dor, já doente e enfraquecida
arfando esmagada pelo peso das legiões
que se apressam pelos caminhos de terra exaurida
para saquearem o ouro negro das velhas civilizações
E as poderosas bombas que mataram inocentes
em Hiroshima, Nagasaky e em Saigão
são agora “mais cirúrgicas e decentes”
são”mais livres, democráticas e solução”...
são festejadas pelos Golias e pelos dementes
contra os David transviados sem remissão
e mesmo contra um mundo de descontentes
fala mais alto o ribombar do canhão
E os corações dos homens justos combatentes
pela paz, pela concórdia e pela razão
perdem a esperança e desfalecem já frementes
na utopia humanista de uma nova civilização
em que os Templos e as Obras eminentes
glorificassem a justiça, a fraternidade a união
numa Nova Cidadania mais premente
que com amor universal fosse a Globalização
Carlos Morais dos Santos
In Sossego Intranquilo, Hugin, 2003.SER“Ser ou não ser,
eis a questão”…!
Mas apenas parecer ser
Como única razão
Do estar e do ter
Nesta vida – competição
É uma forma de morrer
Sem glória e sem paixão
Não é amar e viver
Nas alturas e no chão
Não é sentir a aquecer
O fogo do coração
Nem fazer acontecer
A vida numa fusão
Como a noite e o amanhecer
Em perfeita comunhão
Como amar uma mulher
Num fim de tarde de verão
E sentir o amor crescer
Como a lava de um vulcão
E depois adormecer
Com esta clara visão:
Que é no Ser que está o ter
A vida sempre em pulsão
Amando mais o oferecer
Do que a própria retribuição
Sentir a alegria e o sofrer
No ritmo do coração
Naquilo que nos acontecer
Ou ao semelhante nosso irmão
E quando a vida fenecer
Sentirmos a consolação
De ter valido viver
Por amor e por paixão
Com dignidade e saber
Ser generoso no perdão
Assim como no perder
Ou nas vitórias de ocasião
Ter a lucidez de entender
Que a vida é uma lição
Que se aprende mais a sofrer
Do que só na diversão.
“Ser ou não Ser, eis a questão” !
Carlos Morais dos Santos
In Sossego Intranquilo, Ed.Hugin,2003-PortugalONDE AS FLORES TAMBEM MORREMOnde as flores tambem morrem
Onde os ventos são de morte
E as crianças deixam de ser esperança
E os jardins já não florescem
Onde os homens se dilaceram
Onde os ódios matam sorrindo
E a ganância substitui o amor
E o amor morre ao florir
Onde a crueldade tem rosto fino
Onde a violência oferece pão duro
E a fome é arma maior, definitiva
E as mães choram os seus filhos
Onde os fracos já não têm lugar
Onde os poderosos se vestem de arcanjos
E o apocalipse é circo – espectáculo
E as bombas anunciam novo Éden
Onde a terra é fertilizada com sangue
Onde o “progresso e liberdade” são mercadoria
E o inferno de destruição e morte são tributo
E os filhos da civilização mátria pagam vassalagem
Ali, onde os jardins suspensos da Babilónia
Outrora ensinaram a vida e a beleza
Ali, onde as crianças sonham com o ventre materno
Os homens caem moribundos, as flores tambem morrem
Carlos Morais dos Santos
In Sossego Intranquilo, Hugin, 2003.Biografía:
Carlos Morais dos Santos• Nascido em Lisboa em 1935;• É contista, cronista, ensaísta e poeta e escritor com mais de doze obras editadas [obras técnicas, ensaísticas, literárias e poéticas] e com publicações, desde os 18 anos;•
Economista – Gestor, com formação académica de pós graduações: M.B.A, Mestrado e várias outras especializações profissionais em Economia e Gestão - feitas em Portugal e em vários países da Europa [França, Bélgica, Suiça, Inglaterra, Alemanha], e Japão, em várias instituições académicas, com estágios empresariais em alguns desses países;• Professor Universitário [aposentado];• Foi Empresário e é Consultor de Empresas e de Instituições Governamentais, especialista em Desenvolvimento Estratégico;• Foi Director, Administrador, Presidente e Consultor de várias empresas nacionais e multinacionais;• Foi Vice-Presidente e Presidente da APM – Associação Portuguesa de Management [A.P. de Gestores] - Portugal;• Foi Vice-Presidente da SPM – Sociedade Portuguesa de Marketing [actual APPM] - Portugal;• É Membro de várias outras organizações sócio-profissionais e culturais, nacionais e estrangeiras;• É membro fundador da APEE - Associação Portuguesa de Ética Empresarial e é Conselheiro do CSERS – Conselho Superior de Ética e Responsabilidade Social, de Portugal;• É Autor de numerosas obras documentais técnico – científicas ligadas a temas económico - empresariais, económico - sectoriais e de Organização, Gestão e Liderança, e tem apresentado comunicações e publicado artigos e ensaios de intervenção profissional, cívica, cultural e social na imprensa, em revistas de especialidades e em seminários e congressos em Portugal e em vários outros países;• É Conferencista convidado sobre temas económicos, empresarias, de Organização e Gestão, sociais, históricos, políticos, filosóficos, e de intervenção cívica em vários Seminários e Congressos em Portugal e em vários países;• É Membro desde há 30 anos da Sociedade de Geografia de Portugal [Lisboa] e de várias outras Associações culturais, das quais é ou foi dirigente e fundador de algumas:• É Membro do Instituto Histórico-Geográfico do Estado de RN - Brasil, eleito em Março de 2007;• É Membro da Sociedade Portuguesa de Estudos do Séc. XVIII - Portugal;• É Membro fundador da Tertúlia Cultural Parlatório - Lisboa;• Membro fundador e dirigente da Tertúlia Cultural Fraternidade - Lisboa;• Membro da Tertúlia Cultural Os Agapianos- RN- Natal; Participante e convidado da Soc.Poetas Vivos e Afins do RN-Brasil;• É social - democrata independente, activista cívico e político, ligado a organizações e movimentos culturais, cívicos e políticos, tendo militado no combate à ditadura portuguesa [com detenções pela PIDE [Polícia política da ditadura portuguesa], nas lutas estudantis e sindicais dos anos 50-60-70 e como dirigente sindicalista contra o regime ditatorial, até à revolução do 25 de Abril de 1974, em que participou, integrando posteriormente vários movimentos políticos, cívicos e culturais como independente;• Foi fundador e dirigente do MRD [Movimento Renovador Democrático] e do PRD [Partido Renovador Democrático] de Portugal, tendo sido convidado para figurar como candidato a Deputado da Assembleia da República Portuguesa, ao Parlamento Europeu e à Assembleia Municipal de Lisboa, concorrendo sempre em lugares não provavelmente elegíveis, a seu pedido;• Foi atleta de competição de várias modalidades [tendo sido internacional e campeão nacional português nalgumas – Judo e actividades náuticas e submarinas], e foi treinador e dirigente desportivo, nomeadamente, como Director do Judo Clube de Portugal e Presidente do CPAS - Centro Português de Actividades Submarinas;• É Maçon há mais de um quarto de século, tendo desempenhado várias vezes o cargo de Venerável Mestre, como Presidente de várias Lojas, e pertence aos Altos Graus Filosóficos da Maçonaria Portuguesa;• Foi designado por duas vezes candidato a Grão Mestre do GOL - Grande Oriente Lusitano.• Foi Membro do Grande Tribunal Maçónico do GOL- Grande Oriente Lusitano;• Foi Deputado e Vice-Presidente da Dieta [Assembleia Legislaliva] do GOL-Grande Oriente Lusitano;• É Garante de Amizade [Embaixador] do GOL - Grande Oriente Lusitano, junto do GOIERN. - Grande Oriente Independente do Estado do Rio Grande do Norte;• É Garante de Amizade [Embaixador] do GOIERN. - junto do Grande Oriente Lusitano;• É Membro da Academia Portuguesa de Letras, Artes e Ciências Maçónicas;• É casado com Selma Calasans Rodrigues [Professora Universitária de Literatura e Psicanalista e escritora], brasileira do Rio de Janeiro. Reside parte do ano em Portugal-Lisboa-Algés e desde há 17 anos, passa outra parte do ano em Brasil-Natal-RN, onde tem família e possui casa em Ponta Negra-RN-Natal.
cmoraissantos@netcabo.pt