o poeta de idade silvestre ríspido e brando.. tal corcel de arrebola por entre as pedras.. fazia continhas como um arcanjo.. ou um mariola amontoava contos.. como camarinhas colhia amoras nas urzes.. para ele vinhas e armazenava o caderno.. numa sacola delatava do mato crespo.. as espinhas e com os da sua igualha.. jogava à bola mancebo meliante.. aberrava a escola por entre pinhe ...
o poeta de idade silvestre
ríspido e brando.. tal corcel de arrebola por entre as pedras.. fazia continhas como um arcanjo.. ou um mariola amontoava contos.. como camarinhas
colhia amoras nas urzes.. para ele vinhas e armazenava o caderno.. numa sacola delatava do mato crespo.. as espinhas e com os da sua igualha.. jogava à bola
mancebo meliante.. aberrava a escola por entre pinheiros.. e silvas maninhas no monte do povo.. ou naquele do cartola de tortulhos e pássaros.. fazia cozinhas
era assim o puto.. que era pouco carola que fazia versos.. em papel de farinhas e os oferecia à sorte.. pedindo esmola que levava para casa.. seca de maminhas
morreu.. como morre o poeta com bitola uma tísica de fundo.. secou-lhe as letrinhas mora agora no montado.. em estéril gaiola que tem como epitáfio.. o pio das galinhas
ferool
visita a um poema \\\'síntipo\\\'
apetece-me sair.. da minha imodesta.. modéstia e entrar no caminho da tramóia.. da poéstia a chave.. é um poema provavelmente estético com o crédito da rima.. mas sem plano métrico
um exercício de semantema e de filologia
eu que sou travesso.. e antiacadémico gotejo receitas.. como se fosse um médico a colmeia de ideias.. é uma assisada réstia aqui um exemplo dum síntipo.. em rima véstia um pouco austero.. pois um holótipo
ferool
à mesa com o compasso
o tempo é uma solução de instantes.. num copo de cristal que sorvemos olhando a marca.. como um néctar vital a primeira gota.. é doce qual o mel a última.. é amarga qual o fel
a morte é uma refeição indigesta
o tempo é servido a todos.. como uma fatia de pastel alguns encontram no seu seio.. diamantes a granel outros pobres migalhas.. que não fazem pedestal o tempo come-se.. e bebe-se.. como um bodo total que para uns é farto.. e para outros.. escasso
ferool [Síntipo]
Biografía:
Fernando Oliveira: autorização, nasceu para os lados do Porto, Portugal em 1945. Escritor, Jornalista, Poeta. - Publicou \\\' Versos Achados no Caminho\\\' Versos Colhidos em Paragens\\\' - Editor, e Tradutor Literário e Jurídico, \\\'Douro Terra de Porto\\\', \\\'O Trigo\\\', obras completas, [Os Mistérios de Jesus], tradução independente. Vive em Paris onde edita o \\\'Jornal\\\'Ecos\\\' que co-fundou e co-dirige com a escritora e poeta brasileira Vânia Moreira Diniz, O Observatório da Letra Plural. Escreve em francês e traduz poemas para este idioma. É director do grupo \\\'Elos da Poesia\\\' grupo que edita uma colectânea anual, sob a coordenação da escritora e poeta: Manuela Rodrigues, advogada Lisboeta. Participou em várias Antologias, de onde sobressaem \\\'Palavras que Falam\\\' da Editora Scortecci, , que apresentou recentemente na Bienal Internacional do Livro de S. Paulo, Brasil. Ou ainda, Terra Lusíada da Editora Abrali coordenada por Celso Brasil e Elos da Poesia: Livro I, Assina: ferool, Antanho Esteve Calado e Monte Frio. Palestrante.