Rua de Sant\'Ana
Estreita e imperfeita, és tu rua velha.
Pela tua calçada medieval, eu nasci…
Nas tuas pedras Românicas eu vivi.
Tua antiguidade sentia a restaurar,
Saltei pela tua inclinação Românica
Em pleno começo de Pena Ventosa.
Entras no burgo como uma vitória
Onde, outrora existia o teu arco.
Ainda hoje a santa chora a sua morte.
Onde prende a tua história
Onde contas glórias.
Onde poetas e trovadores,
Não deixaram morrer o teu encanto.
Em pleno coração do Porto,
Também és parte da humanidade.
Garrett, deixou-te imortalizada,
Com um romance de outrora.
No teu olhar canta a Igreja dos Grilos,
Com um canto de arte sacra.
Também tu és uma arte de rua santa,
Embelezada sobre muitas décadas.
Das fachadas da minha infância,
em plena Sé do Porto, tens uma herança.
Choram os meus olhos, à tua importância.
Farol
Não te imagino sem o mar
Nem a tua luz como imagem
Esses olhares que tu prendes
Na cegueira de uma margem.
Ao vir de longe das viagens
É sempre um sonho te avistar
Correndo das tempestades
Seguindo o teu chamar.
Muitos de santo te fazem
Em muitas costas o teu altar
Muitas vezes os salvastes
Do inferno em pleno mar.
Aos teus braços…
Aos portos chegaram
Na partida te ignoraram
Mas, tu farol
Iluminas sempre o mar.
Palavras escavadas
Sinto as palavras a escorregarem
Em ideias na sua tinta de raiz clara
Nas suas linhas fazê-las correrem
Do esforço em escava-las e junta-las.
Escreve-las no tempo e sem lugares
Entrelaçadas dirigidas ao teu olhar
Escalando com folhas em branco
Espero no descanso dos teus braços.
O teu nome é uma fonte de poemas
Onde procuro saciar nesse alimento
De palavras pintadas dos teus sorrisos
Misturadas sem ver mal nenhum nisso.
São palavras ditas com os teus lábios
Efeito em mim como um sedativo mortal
Só a leitura do teu corpo é um antídoto
Nas minhas letras como simples mortal
Cobre-me o túmulo com as letras letais.