Sê quem ésEsquece todos os padrõesRasga todos os conceitosSê quem ésSê o que sentesSê originalProclama a tua voz nas multidõesEsmaga todos os preconceitosSê quem ésSê o que sentesSê intemporalVera Novo FornelosFevereiro 2008 Linha de MontagemToca a sirene d\'entradaDa fábrica onde estou empregadaE entra humano form ...
Sê quem és
Esquece todos os padrões
Rasga todos os conceitos
Sê quem és
Sê o que sentes
Sê original
Proclama a tua voz nas multidões
Esmaga todos os preconceitos
Sê quem és
Sê o que sentes
Sê intemporal
Vera Novo Fornelos
Fevereiro 2008
Linha de Montagem
Toca a sirene d\'entrada
Da fábrica onde estou empregada
E entra humano formigueiro
Para trabalhar o dia inteiro.
Nos nossos postos ja colocados,
Terminamos trabalhos inacabados.
Fios coloridos uns vão puxando
E nos conectores colocando.
Outros, fazem rápidos enfitamentos,
Uniões e enganos desatentos.
\'Zero defeitos!\' nos nos vem exigir,
Numa cablagem pronta a sair.
Ensurdecem os ouvidos adoecidos
Pelas máquinas que libertam rugidos,
Ou assobios deveras irritantes,
Que se vêm tornando stressantes.
Ueeeeeeeeé! Ueeeeeeeeé! Ueeeeeeeeé!
Sirene d\'entrada, todos de pé!
Tchec Tchac Tchec Tchac Tchec Tchac
Máquinas de corte em zigue-zague.
Vruuum! Vruuum! Vruuum!
Movem os motores um a um.
Zig Zig Zig Zig Zig Zig
Vêem-se as pranchetas a fugir.
Agora os fios que se unem,
Depois as uniões que se fundem,
As negras fita-colas que se desenrolam
Nas cablagens em que se enrolam.
O tic-tac do relógio constante
A lembrar o tempo restante.
O nervosismo da rapidez,
Dos trabalhos que correm com fluidez.
Vem enfiiiiiiiiim a hora do almoço
E todos fogem em alvoroço.
Devoram a comida apressadamente
E engolem um café bem quente.
Voltam para o posto para trabalhar,
Quase sem tempo para respirar.
Recomeça tudo outra vez
E continua-se o que ainda se não fez.
Instala-se novamente a confusão,
Que gera problemas de audição,
Enxaquecas, cortes e tendinites,
Varizes, stresses e artrites,
Para que se faça a produção,
Por uma fraca recompensação.
Grita então a sirene de saída,
Saem todos em fugida
E chega assim a paragem
Dum dia na linha de montagem.
Vera Novo Fornelos
Março 2002
[Ini]Amigos
No meu caminho sempre vos encontro,
Desvirtuados da mais vil maldade
E tropeço na vossa falsidade,
No ódio com que me assombro.
O véu de Maya vos oculta
A face, o rosto feio e usurpante,
Marcado pela maldade e a dor
De corromper quem vos escuta.
Sois os abrutes que me levaram,
Que sempre com o Bem me iludiram
E depois com o Mal me traíram,
Sei agora que sempre me enganaram.
Vera Novo Fornelos
Novembro 2001
biografia:
Vera Novo Fornelos
Nasceu a 2 de Maio de 1981 em Portugal,na cidade de Viana do Castelo.
Desde muito jovem demonstrou ter aptições para as áreas artísticas, tendo frequentado aulas de expressão dramática e feito parte de vários grupos de teatro amador.
Completa a paixão pelo teatro com a poesia e participa frequentemente em recitais de poesia e tertúlias literárias.
É artista plástica auto-didacta e já participou em exposições colectivas.
Tem alguns poemas e ilustrações publicados em antologias.
veranovof@gmail.com