ÉS DA NOITEÉs da noite…Dos candeeiros e lanternasQue iluminam a CidadeO mesmo lugar que percorresNum misto de mágoa e saudade;És da noite…Das esquinas, das vielasFrias, escuras, sombriasPalco para a tua dorTeus Desamores e agonias;És da noite…Da magia dos teatrosE dos retiros fadistasDe tantos fados e poemasVivendo nas vozes de artistas;És da noite…Dos passos que fazem ecosDe murmúr ...
ÉS DA NOITEÉs da noite…
Dos candeeiros e lanternas
Que iluminam a Cidade
O mesmo lugar que percorres
Num misto de mágoa e saudade;
És da noite…
Das esquinas, das vielas
Frias, escuras, sombrias
Palco para a tua dor
Teus Desamores e agonias;
És da noite…
Da magia dos teatros
E dos retiros fadistas
De tantos fados e poemas
Vivendo nas vozes de artistas;
És da noite…
Dos passos que fazem ecos
De murmúrios e segredos Dos amantes, das paixões
De histórias de mil enredos;
És da noite…
Das estrelas, do luar
Dum sonho, duma ilusão
Dos beijos apaixonados
Que aquecem teu coração.
És da noite…
Do grito e do riso
Do mal e do bem
És de todos…mas não és de ninguém!
Autor: Luís da Mota Filipe [Anços –Montelavar-Sintra-Portugal]
Poema premiado com o 3º Lugar na modalidade de Poesia, nos X Jogos Florais da Alma Alentejana – Cidade de Almada, 2010.
In” Despertar dos Sentidos”, edição de autor, 2009.
In”GEOGRAFIA do Silêncio”,Ed.Edium Editores,2010.EU PRECISODo dia e da noite
Do sol e da lua
Do calor e do frio
Dos raios brilhantes e de tantas chuvas!
Da aldeia e da cidade
Da calmaria e da animação
Da vizinhança e da agitação
Das conversas diárias e de mil silêncios!
Do campo e do mar
Do verde e do azul
Do florido e do murmúrio
Dos perfumes terrenos e de infindas imensidões!
Da casa e da rua
Da família e da irmandade
Da ternura e da partilha
Das origens memoráveis e de aventuras tamanhas!
Do riso e do canto…e de encantos admiráveis
Das coisas simples…mas grandes
Eu preciso…de vidas na minha vida!
[Luis da Mota Filipe]
[Anços-Montelavar-Sintra-Portugal]RETALHOS DE UMA ALDEIAAqui…
Onde o bom dia baila de boca em boca numa dança natural, as manhãs brindam-nos com a pureza das gotas de orvalho.
Há cheiro a campos viçosos e a perfumes que vivem nos estendais de roupa sempre que se encontram povoados.
Os beirais acolhem sinfonias, anunciando a estação dos amores.
O toque do sino na torre é o orientador fiel para os que andam mimando as suas fazendas.
Diariamente, em cada morada, fumegam iguarias saloias compondo buchas, merendas e ceias.
Postigos gastos são enfeitados com a brancura da arte rendilhada.
O rossio, o mirante, a sociedade, o chafariz, o rio e o poço, são os padrinhos briosos de algumas ruas e largos.
Enquanto os pátios namoram com as travessas e os becos cobiçam as ladeiras, bancos improvisados, aquecidos pelo sol, servem de palco aos temas da vida alheia.
Agosto é mês de branquear casas e muros, para que possam combinar com a pureza dos jardins de fé que se carregam aos ombros.
Neste canto saboreia-se a tranquilidade, respirando-se das marcas seculares.
Nesta terra que beija o céu, os dias morrem mais depressa e as noites nascem mais cedo.
Na aldeia os sorrisos e as lágrimas são comunitários, partilham-se dores e alegrias.
Não se fantasiam sentimentos. Tudo é mais autêntico e a vida brota… ao sabor dos versos apinhados de rimas de verdades.
[Autor: Luis da Mota Filipe]
[Anços-Montelavar-Sintra-Portugal]ONDE É QUE MORA O AMORTristes meninos da rua,
Ao sol, à chuva e ao vento,
Descalços vão caminhando,
Lado a lado com a dor;
Respondam-me por favor,
Onde é que mora o amor?
Pobres sem terem um abrigo,
São guardas das escadas,
Dos prédios destas Cidades,
Quer faça frio ou calor;
Respondam-me por favor,
Onde é que mora o amor?
Idosos de avançada idade ,
Não recebem mais carinho,
São p`ra muitos gente velha,
Que dizem não ter valor;
Respondam-me por favor,
Onde é que mora o amor?
As árvores das nossas serras,
São cortadas e queimadas,
Quando aparece um criminoso,
Um assassino devastador;
Respondam-me por favor,
Onde é que mora o amor?
E são tantas essas flores,
Que acabam por morrer,
Sentindo a falta da água,
Não vivem só de calor;
Respondam-me por favor ,
Onde é que mora o amor?
Ponham um ponto final,
Nas guerras e nas traições,
Nas fomes, drogas, misérias,
Pois que venha um salvador,
Iluminar este mundo,
Com a chama do Amor!
A ESSÊNCIA DA AMIZADEA Amizade…
É a palavra mais terna,
Que todos devemos soletrar.
A Amizade…
É o gesto mais doce,
Que todos devemos partilhar.
A Amizade…
É a semente mais rica,
Que todos devemos cultivar.
A Amizade…
É o tesouro mais valioso,
Que todos devemos procurar.
A Amizade…
É a jóia mais preciosa,
Que todos devemos preservar.
A Amizade…
É o sentimento mais puro,
Que todos devemos guardar.
SOU ASSIMEu…
Sou gaivota rasgando o céu,
Livre, solta, endoidecida,
Em busca de um sonho meu,
Duma enorme paixão vivida;
Sou o Rio, espelho d`água,
Correndo sem me cansar,
Esquecendo a dor e a mágoa,
P`ra na foz do amor partilhar;
Sou papoila que se agita,
A bailar ao som do vento,
Amando este pais que grita,
Num poema: uma prece, um lamento;
Sou onda que se agiganta,
Na imensidão do mar,
Quando escuto: amigo canta,
Navego num fado a cantar;
Sou Serra guardando segredos,
Bosque de histórias e contos,
Desprezando mentiras, enredos,
Abraçando o mundo aos poucos;
Sou chama do Sol de verão,
Nuvem escura a desabar,
Um misto de emoção,
Ao partir e ao chegar;
Sou do tempo, intemporal
No espaço, esqueço a morada,
Um viajante imortal,
Uma alma apaixonada.
BIOGRAFIA
Luís António Silvestre da Mota Filipe, nasceu em Lisboa a 7 de Agosto de 1970, Cidade à qual dedica enorme carinho, visitando-a e percorrendo-a incessantemente buscando nela muita da sua inspiração poética. Filho de País naturais da Região Saloia de Mafra e Sintra.
A infância e a adolescência viveu-as entre aquela que diz ser sua Aldeia de sempre e para sempre – Anços [Montelavar] – onde actualmente vive, e a Vila de Sintra.
Tem visto seus trabalhos publicados na Imprensa Local e Regional, ao mesmo tempo que vem participando em Antologias / colectâneas e diversas tertúlias poéticas assim como concorrendo a vários concursos e Jogos Florais, obtendo alguns prémios e menções honrosas, de que se destaca a obtenção do 1º prémio do “concurso de Poesia Aurélio Fernando”, de Vila Nova de Famalicão em 2010.
Participou como Letrista de Fados, Marchas e canções, para peças de Teatro de Revista à Portuguesa, entre os anos de 1996 e 2006.
Editou em Março de 2009, a sua primeira obra poética «O Despertar dos Sentidos» numa edição de autor, prevendo lançar um novo livro de poesia no Outono de 2010.
É sócio da Associação Portuguesa de Poetas – A.P.P.
Editei um novo livro de poesia com o titulo 'geoGRAFIA do Silêncio', em Dezembro de 2010, cuja editora é a Edium Editores.
lasmfilipe@hotmail.com