epílogoquimeras alagaram meu peitocioso de refúgios mansosna vastidão oceânica da vontadefeita de marés ociosasque se demoram na almaatada a estultos desencantostrajada de silênciosdepus descerradaminha caixa de Pandorae meus passos soarama vórtices serenadospor auras de assombrosó tarde demaisentrevi minha ânforavagando nas asas cavasdessa doce inocênciaenlodada de um ímpetofranzino qu ...
epílogoquimeras alagaram meu peito
cioso de refúgios mansos
na vastidão oceânica da vontade
feita de marés ociosas
que se demoram na alma
atada a estultos desencantos
trajada de silêncios
depus descerrada
minha caixa de Pandora
e meus passos soaram
a vórtices serenados
por auras de assombro
só tarde demais
entrevi minha ânfora
vagando nas asas cavas
dessa doce inocência
enlodada de um ímpeto
franzino que esvaeceu
desatei a tua mão
perdi -me de ti
negaçãonão sei a vida
aniquilada pela flama
do dissídio carrasco
agonizante no falaz altruísmo
infectado pela indiferença
e voracidade imperantes
não te sei a ti
criatura estropiada
pela cegueira convicta
debuxo de homem
perpetuado no borrão pútrido
da tua vanidade vã
clausuraadiámos a ventura
clandestinos da vida
como trepadeiras ilhadas
que estrangulam em nós
tristezas e tormentos
em dias inconsoláveis
serenámos ausências
e acolhemos solidão
cravada em chãos
de paixão contida
afastámos o enleio
sufocado na lágrima
que molha o coxim
das almas amarguradas
por vontade sua
recusámos o ósculo terno
e húmido de frenesi
nos lábios acanhados
e estreámos gaiolas
de fantasias indizíveis
tardámos o sentir
que derramava de nós
o puro amor sofreámos
inscientes da vida adiada
que não algemaremos mais
Alexandrabiografia:
Alexandra Maria Nunes de SousaNascida a 1 de Abril de 1958, na cidade do Funchal, ilha da Madeira, está ligada à Educação desde 1977. Para além do seu profundo gosto pelo ensino da língua materna, adora ler e, sobretudo, 'escrevinhar' as suas 'linhas'.
Não tem livros publicados - limita-se a gerir o seu blogue e a participar noutros dedicados à divulgação de poesia portuguesa. Participou en duas antologias poéticas: Nas águas do verso, em 2008, e em 'Entre o sono e o sonho', em 2009.
O que virá... o tempo o dirá.
saturninom@aeiou.pt