PALAVRA ALEGREa palavra alegreanuncia-se semprea quem a segue§DECISIVO [O] DECIDIR tenho [há uns dias a esta parte] andadoa tentar escrever um poema dedicadoao uso da Poesia como forma de intervirtomando posição sobre nosso destinoentregue como tudo ao tempo do devironde a presença humana é desatino?da resposta a esta pergunta fica sendoo maior motivo do que me trás lendoao colectivo uma im ...
PALAVRA ALEGREa palavra alegre
anuncia-se sempre
a quem a segue
§
DECISIVO [O] DECIDIR tenho [há uns dias a esta parte] andado
a tentar escrever um poema dedicado
ao uso da Poesia como forma de intervir
tomando posição sobre nosso destino
entregue como tudo ao tempo do devir
onde a presença humana é desatino?
da resposta a esta pergunta fica sendo
o maior motivo do que me trás lendo
ao colectivo uma importância acrescida
traçando deste modo meu o objectivo
pela partilha duma intervenção devida
com a responsabilidade como motivo!
faço-o movido á inteira solidariedade
pleno dos valor maiores da amizade
reclamando-me mais um a vir dar voz
à importância da Poesia ter militância
pelo mundo que se abre como a noz
fruto sem afectividade e significância?
na imagem escolhida fruto sumarento
cada um se permita ler aqui momento
de fruto saboroso carnudo aromático
com o qual consiga bem dentro de si
necessidade de dar algo programático
ao que há num poema de mais deci-
sivo e intemporal - será bem preciso!
§
ARTIGO 31 DECLARAÇÃO UNIVERSAL
DOS DIREITOS DO HOMEM
I
Liberdade, igualdade e fraternidade
entre os homens
quanto mais simples
é o que nos chama
mais nos aquece
aces[s]o coração
II
Universalidade dos direitos
do homem
a palavra de cada um será
a palavra de todos
a partir do momento
a contar de cada verso
III
Direito à vida,
à liberdade e à segurança
tudo está ligado
nada exclui ou omite
a missão da poesia
é nada omitir
IV
Proibição da escravatura
e da servidão
um só verso pode ser
um poema
[ou - o que se queira]
desde que tenha lugar
nu no Universo!
V
Proibição da tortura
e de tratamentos cruéis,
desumanos ou degradantes
um artigo só começa
[ou acaba]
quando está completo
não se faz por decreto
[ou Lei]
o que cada um lê
VI
Personalidade jurídica
o gosto deve respeitar
todos os gostos: com gosto
o respeito pela diferença
faz toda a diferença
VII
Igualdade perante a lei
quem chegou até aqui
vai lendo os artigos
perante cada artigo
escrevo e prossigo
VIII
Defesa jurisdicional dos direitos
as palavras sempre alertam
para as suas carências
esta encontra o par per-
feito com coerência
IX
Proibição de prisão,
detenção ou exílio arbitrários
se a Poesia é mundo
ela não o muda
muda com ele
como fala a Língua
X
Garantias da função jurisdicional
aproximar as palavras
deixando-as tocar
o espaço entre elas
abertura de flauta
XI
Garantias de processo
e de direito criminal
com a necessidade
de interpretar somos
sermos intérpretes
e termos diversidade
XII
Direito a intimidade
e a honra e reputação
uma relação
de proximidade
uma noção relativa
no osso da intimidade
XIII
Liberdade de deslocação
e residência
a imobilidade
é uma prisão
sem raízes
ou folhas
XIV
Direito de asilo
quem me acolhe
e não tolhe
[é segurança]
faz-me barco
no molhe
XV
Direito a cidadania
sou do mundo
razão de ser
[ter uma razão]
dou ao mundo
razão de ser
XVI
Casamento e família
constituir família
não é ciência
manter a família
deve ser uma arte
XVII
Direito de propriedade
o que se faz
é o que nos faz
quem [o] fez
faz 'de vez'?.
XVIII
Liberdade de pensamento,
consciência e religião
se tudo que fazemos
é o que nos faz
devemos poder
ser tudo que queremos
XIX
Liberdade de expressão
e de informação
o que dizemos
quando escrito
dá a expressão
da informação
XX
Liberdade de reunião
e de associação
dar a ler
é partilhar
reunir
leitores?
XXI
Participação
na vida pública
na via pública
estamos na rua
na vida pública
estamos na rua
XXII
Direito à segurança social
e direitos económicos,
sociais e culturais
estamos na Lua
nós os poetas
estamos na Lua
dando os nós
XXIII
Direito ao trabalho
e direitos dos trabalhadores
a paz o pão
o ganha pão
temos as rimas
da necessidade
XXIV
Direito ao repouso
e aos lazeres
o melhor da vida
são os prazeres
comer e beber
a_poste procriar
XXV
Protecção social
ter na nação
uma família
ler da noção
um Estado
XXVI
Educação
sem Educação
não há regras
sem ter regras
não há Estado
XXVII
Participação
na vida cultural
sem interesse
não há cultura
sem ter regras
fraca a Nação
XXVIII
Ordem social e internacional
e efectivação dos direitos
entre as nações
toda a sociedade
e sem sociedade
não há organização
XXIX
Deveres
e limites dos direitos
só devo o que dou
do que recebo
tudo o que percebo
é o que aprendo
XXX
Sentido da Declaração
nua sensação
a dum regresso
ao acabar sinto
regressar o inicio
XXXI
Todo o heterónimo
é pessoa e a Pessoa deve
numa sensação
eu represento!
[o fogo a arder
em mim de Mim]
importa saber
quem sou?
[paixão é fogo/ feita de amor
paixão é gelo/ feita de ódio]
a mim a Mim
a ela eu & ela
[toda a Lei é comércio
a regular uma transação]
eu anulo-me
sem representação!
[eu apresentei
nu a sensação]
quando calo
não tenho calo
[tudo pode ser simples
. mas .
a simplicidade é difícil]
Assim
{Resolvi partilhar com o Assim [meu heterónimo] nossa presença nos Poetas do Mundo!}
biografia:
Francisco Coimbra, natural de Coimbra, português desde 08/06/1956, cursou e completou o Curso de Engenharia Mecânica do ISEC [Instituto Superior de Engenharia de Coimbra] já em 1987/88. Desde 1983/84 tem desenvolvido actividade como professor, leccionando diversas disciplinas, entre elas Expressão Dramática, presentemente é professor do Ensino Recorrente para adultos.
NotasEscrevo tentando manter uma 'escrita' desde 1975.
Em 1985 publiquei um livro em edição de autor [não tenho nenhum comigo]; outros em fotocópias.
Em 2005 comecei a publicar no Recanto das Letras, onde fui deixando um 'diário'; registei o seguinte perfil:
«
Sou heterónimo dum heterónimo que criei, Assim Mesmo [assina: Assim]. O 'programa poético' do meu heterónimo é quase igual ao meu: ser aquilo que se escreve, ser através da escrita.
»
franciscocoimbra@hotmail.com