Eucalipto - [Nós]caliptoO sustento, tiras do chão,Enches o tronco de seiva.Não nos deixas uma leiva,Triste terra pondo ao léu,Onde outros tirar o pão.Uma árvore, estende os ramos,Uma outra, estica as folhas,No melhor sol mergulhas!Outra ainda, chega ao céu,Sem respeito a germanos.Bem alinhados, todos irmanados,Respeitando distâncias,Geometrias e concordâncias.Plantados em mausoléu,Na som ...
Eucalipto - [Nós]caliptoO sustento, tiras do chão,
Enches o tronco de seiva.
Não nos deixas uma leiva,
Triste terra pondo ao léu,
Onde outros tirar o pão.
Uma árvore, estende os ramos,
Uma outra, estica as folhas,
No melhor sol mergulhas!
Outra ainda, chega ao céu,
Sem respeito a germanos.
Bem alinhados, todos irmanados,
Respeitando distâncias,
Geometrias e concordâncias.
Plantados em mausoléu,
Na sombra de copas fechados.
Todos temos um lugar,
Algures em toda a terra,
Nem é preciso guerra.
É preciso ser incréu,
Ou, a ninguém respeitar.
ComPaixãoUm fluxo interminável,
refluxo da vida, insaciável.
Negar a vida,
renegar a morte.
Do céu cai a chuva,
nunca se viu o contrário,
condensada, a gota d'água lava,
o mar que recebe o rio.
A formiga vai no carreiro,
sem saber onde quer ir,
carregada, chegada ao formigueiro,
o mesmo percurso volta abrir.
Todas as manhãs, ao despertar,
apertamos no peito o dom concedido,
adiamos uma geração, relembrar,
o sabor da vida esquecido.
Todas as noites julgamos,
mais um dia a morte se foi,
no corpo jazente, nem reparamos,
na dor de alma que nos mói.
Perdão!Perdão!
Grita o morto, já na tumba.
Estás perdoado!
Faz coro, o cortejo aliviado.
Não há santo sem pecado,
Quem aprende sem errar?
Dívidas todos temos,
Todos temos de as pagar.
A mim não!
A eternidade não desculpa,
O medo não redime,
A consciência não alivia.
O livro dos assentos,
Quero livre de faltas,
Como riscar apontamentos,
Sem a morte fazer contas?
Cada dia que passa,
É uma oportunidade mais,
Findar a hipocrisia que grassa,
Perdoar família, e os demais.
Perdão só há um,
Perdoa, sem condicionador,
É o amor e mais nenhum!
Mas. quem perdoa o amor.
biografia:
Garrido CarvalhoPoeta é um exagero, gosto de fazer rimas e sobretudo pensar. Deixo estas três reflexões, porque me identifico com o que é apregoado aqui, sobretudo com o conceito 'global'. O meu lema: Tenho pouco para dizer e muito para aprender!
Garrido Carvalho
garrido@sapo.pt