Lágrima sorriuSorriu em mim uma lágrimaVela no tempo fincada na pele.Harpa de sonhosNas nervuras da terra.Desabrocha um botão em florNo orvalho regado no chão.O vento acaricia o rostoNum gesto frescoPouco a poucoNa forma da boca.Abrem-se na cor dos jardinsNo fio da prata bordadaNa lágrima que sorriu.em mim!As nuvens choramPerguntei ao céuporque choram as nuvens...Ausências da primaverano ve ...
Lágrima sorriuSorriu em mim uma lágrima
Vela no tempo fincada na pele.
Harpa de sonhos
Nas nervuras da terra.
Desabrocha um botão em flor
No orvalho regado no chão.
O vento acaricia o rosto
Num gesto fresco
Pouco a pouco
Na forma da boca.
Abrem-se na cor dos jardins
No fio da prata bordada
Na lágrima que sorriu.em mim!
As nuvens choramPerguntei ao céu
porque choram as nuvens...
Ausências da primavera
no verão que se despediu,
tecem madrigais impossíveis
imagens fáceis e ingénuas
no olhar de uma criança.
Atravessam o céu efémero
em visões da lua
no fulgurar das estrelas.
Visão poética...talvezAo ler esses desenhos agora
sentimo-nos adultos sem sonhos
na utopia de ver o branco do céu
sem lágrimas
que teimam escorrer na seiva da terra.
As nuvens choram
derramam emoções em libertação
a ver crescer as estações.
Devagar
vão-se embora encostadas ao vento
...até que de novo o sol resplandeça
na aurora amanhecida.
Flores de amorTrás hoje
as flores que dão vida
ao meu coração,
lírios brancos...orquídeas amarelas
...rosas vermelhas...
Trás agora
estou aqui
sinto o seu aroma
contemplo a sua beleza
se destaca o teu sorriso,
que me dá amor e paz...
Trás agora...
hoje, estou aqui...
Amanhã não mais quero flores.
Quero sorrisos
sem flores...
No coração
estará aragem de Outono
adejar ventanias,
nuvens sem lágrimas a voar
ao encontro da eternidade.
Nesse Outono
as flores estarão no jardim
as abelhas
saboreiam seu néctar...
Ai está o meu sorriso
até que possa de novo
encontrar o teu...
Com ele flores de amor.
Nesse dia
sorri para mim
sem flores
nem lágrimas...
Só um olhar de amor
a saudade levarei comigo
para que a não possas sentir,
e vivas feliz,
até à eternidade.
Ana Coelhobiografia:
Ana CoelhoNatural de Angola, a residir na Carregado, Portugal.
Nasceu a 20 de Novembro de 1969
Tem perfil em 3 sites de literatura e o seu blogue:
Escritartes,wordartfriend e luso poemas.
Dois blogues:
http://retalhosemocoespoesia.blogspot.com/
http://anacoelhoantunes.blogspot.com/
Interesses vários ligados ao artesanato, tendo um trabalho já em fase avançada de painéis com fotos trabalhadas e bordadas a ponto cruz. Foi membro duma banda filarmónica onde tocou clarinete durante 6 anos.
Com participação numa antologia TU CÁ TU LÁ.
A poesia sempre foi para mim um exercício de leitura até ao dia em que me aventurei a escrever algo que fosse...
A timidez, um medo sem palavras, e afinal, a poesia outrora tão insegura tornou-se numa forma amiga de sentidos e emoções, de hoje e ontem, de mim somente.
anacoelhoantunes@hotmail.com