ÀFRICASento-me neste varandim de madeira,Olhando esta imensidão de terra… Quente, suada, queimada, Vermelha!E olho estas cores que não vejo,Neste fim de noite mais aluaradaPressinto-as no cheiro, sei-as de cor,Quase as defino no mapa dos “nada”.Porque realmente eu nada vejo!Nem tenho varandim sequer!Só recorro às memórias e ensejo,Da medida que os sonhos tiverem.SENDO PÁSSARODesliga-m ...
ÀFRICA
Sento-me neste varandim de madeira, Olhando esta imensidão de terra… Quente, suada, queimada,
Vermelha!
E olho estas cores que não vejo, Neste fim de noite mais aluarada Pressinto-as no cheiro, sei-as de cor, Quase as defino no mapa dos “nada”.
Porque realmente eu nada vejo! Nem tenho varandim sequer!
Só recorro às memórias e ensejo, Da medida que os sonhos tiverem.
SENDO PÁSSARO
Desliga-me dos sentidos, Deixa-me pairar… Flutuar como se fosse água, Mas sendo ar… Voar como os pássaros, Mas muito mais alto, Subir como em ti, Sem sobressalto;
Vestir-me de estrela, Banhar-me de luar, Andar pelo vento, E continuar a flutuar… Furar as nuvens, Subir aos céus, E deixar um rasto… De manto com véus; Para serem as guias… Para saberes onde vou, E se tão alto subirias, Desliga-me o botão, Aquele do Amor, E vem só flutuar… Sentir este sabor, Dum amor sem razão.
De: Fernanda Ferreira
NO FINAL…
Não me acolchoem de pérolas, Com preguinhas desenhadas Por mãos finas de habilidosas, Nem com rendas feias de ásperas; Que me fere esse tratamento. Muito menos em tábuas de luzir, Com ferragens de não abrir! Nem ramos de grandes rosas; Que a isso não sou sensível, Dar-lhes tal definhamento.
Deitem-me devagarinho… Sem diáfanos véus, Sem mãos cruzadas… Só ladeando meu ventre Que grande paixão pariu! E sendo a razão maior, Abracem-me os seus amores Mas sem grande gentio! Pois deixem-me descansar, Que nem sei já de quê, Nem por quê?! Mas preciso desse tempo!
E deixem-me seguir… Envolver-me no calor de afago E assim ficar diluída… Para depois me misturar, Nos grãos do pó duma estrada, Dessas por onde me fui vendo De tão alegre cansaço… E me misture… solvendo Sem memória, nem traço!.
de: Fernanda Ferreira Abril 2009
DE PENAS VOANDO EM MIM
Sou um pássaro, por que não árvore? Se fosse árvore teria raízes, tradições, limites. Eu sou livre de fronteiras, aponto ao universo e solto os sonhos. Descanso por aqui e por ali. Apoio-me nas estrelas e deito o olho aos co