Poema 1A morte que me matoufoi à traição.Sem avisar.Esventrando-me a existênciados poemas que faziacom raiva de cão.A morte que me matounão tem sentido.Fez-me perder o rasto do caminhoe as palavrasque da boca com que ria, dizer já não consigo.De seguidas luas e noites, não sei dos trilhos onde passou.Caíram-se-me os abismos.Quebraram-se-me os vidrose as portas abertas dos meus muros.Apen ...
Poema 1A morte que me matou
foi à traição.
Sem avisar.
Esventrando-me a existência
dos poemas que fazia
com raiva de cão.
A morte que me matou
não tem sentido.
Fez-me perder o rasto do caminho
e as palavras
que da boca com que ria,
dizer já não consigo.
De seguidas luas e noites,
não sei dos trilhos onde passou.
Caíram-se-me os abismos.
Quebraram-se-me os vidros
e as portas abertas dos meus muros.
Apenas sei que foi a dela a morte que me matou.
Poema 2Um dia hei-de tentar escrever
o que te faça mais feliz.
Um dia hei-de tentar dizer
o teu espelho e magia.
Um dia hei-de plantar um sonho,
o teu amor e fantasia.
Um dia,
a vinte e três,
que de tanto latejar
faz morrer o coração,
hei-de consegui-lo.
Poema 3Diz que sim,
companheira,
marinheira,
diz que sim.
Diz que no mar hei-de te ver,
que no mar hei-de querer-te
companheira,
diz que sim.
Diz que o vento há-de chegar.
E que no vento hei-de lembrar-te,
marinheira diz que sim.
Diz que sim,
companheira.
Diz que sim.
Biografía:
Eduardo Domingos
Uma pequena autobiografia:Nascido pardo em acto cansativo, sou um homem feito de lugares e muitas histórias por contar. Nunca haverá muito por dizer, mas sinto que alguém se lembrará de mim.
Nem que seja, apenas e só, num pensamento ligeiro e fugaz.
Os meus cumprimentos a toda a vossa equipa.
edynet@gmail.com