Solidariedade Milamarian No dom de amor que Deus me dera abro as mãos e se há algum talento fecho os olhos e todo pensamento sobre o girar desta humilde pena. Não olvido... a tarefa se confere e se miro em desespero o catre fujo de mim e ali meu escarlate eu entrego, pois o abrigo é só pele... Ontem, hoje e amanhã eu me rendo recordando, o caminho é único contudo...ocasião não tem mom ...
Solidariedade Milamarian No dom de amor que Deus me dera
abro as mãos e se há algum talento
fecho os olhos e todo pensamento
sobre o girar desta humilde pena.
Não olvido... a tarefa se confere
e se miro em desespero o catre
fujo de mim e ali meu escarlate
eu entrego, pois o abrigo é só pele...
Ontem, hoje e amanhã eu me rendo
recordando, o caminho é único
contudo...ocasião não tem momento,
se dorme o horizonte sem lembrança
dôo o íris do primeiro ao último
para florir outros céus de esperança.
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O CANTO DAS SEARAS Milamarian Passa a bruma numa brisa constante
da natureza é em gota esparsa
onde me vejo no céu que aparta
o futuro deste amor contagiante.
Veste o céu, a fina chuva que cai
carrega o desalento e me invade
morre a tristeza e qualquer maldade
e sinto que a alma em amor esvai.
Foge de meus olhos e de mim também
a triste visagem de um cinzento mundo
tão amargo, de palavras rudes...sem amém
e sorriem a minh'alma e coração
com o canto das crianças, tão profundo
nestas searas em só uma oração.
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Maravilhas que se vãoMilamarian Tem a vida maravilhas tantas
basta sentir das flores o orvalhar
doce... macio qual suave amar
e no âmago em paz agiganta.
Olhassem os homens às raízes
que crescem e firmam em prece
e do egoísmo onde fenecem
saíssem...se mudasse a marquise...
Um alpendre regado de amor
onde novas gemas da fértil terra
quiçá germinassem sem pavor
dos fortes ventos ao chão batido
da fúria do mar junto à serra
e ao Universo já combalido.
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Planeta marMilamarian Fartas cores...é suave enredo
o seu leito nas profundezas
onde a divina mão da natureza
condenada está ao vil degredo.
Arpão à palma, e o homo sapiens
sem pestanejar, desce e invade
surdo é o estampido, sem piedade
a visão da agonia não o abstém.
Planeta mar, tu e Netuno Rei
hoje no martírio gritam a sina
subjugados à uma terra sem lei,
quando invadem e carcomem
tuas entranhas, levando as crias
...desenfreada gana... não é fome.
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VACUMMilamarian Gado inerte adentrando para a ferra
mexem brasas, em gritos a fornalha
marcando as costas e assim retalha
tal verbo que desce a mesma serra.
Invadem os campos e são santos
espelham uma imagem que se quebra
no minuto em que água vira pedra
passam dois, abandonam o tal calango.
Em disparada atravessam os montes
e na correria insana emendam a colcha
naquela sanha feita de hoje e ontem.
E se golpeiam com o corte das palavras
sem notar no precipício à corda frouxa
a pobre rês condenada àquela aldrava.
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Céus e terraMilamarian Mãe terra, filha-lua que pincela os anéis
das vertentes destas serras em aquarelas
suspiros dos relvados em sombra de arandela
demarcando estrelas com coloridos pincéis.
Serena prateada num murmúrio em cortejo
ao guerreiro que verseja no remanso do painel
o adejo de suas asas em direção àquele céu
onde ecoa a voz d' alma peregrina num solfejo.
Atrás da colina mareja em prata velando a cascata
dos sonhos modelados junto aos rios e cordilheiras
acenando em suave enlace às cadentes, sua cantata,
revelando quão sereno o caminhar do homem se faz
em verdadeiro amor, seus passos seguindo à beira
firmes e fortes, gigantes no celeiro em busca de paz.
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CONCÓRDIAMilamarian Em cadência solfejem as cadentes um só canto
entoando o hino dos amores outrora semeado
no vergel e na colina envolta em véu imaculado
onde da laranjeira as flores delinearam o manto.
Murmurem as águas ao riacho e à cordilheira
o sereno farfalhar das folhas daquela primavera
quando a mansa brisa findara em beijos a espera
e no anel moldara os frutos das duas parreiras.
Amarelo_negro_vermelho_verde em branco
mesclem a curvilínea daquele círculo de amor
e seja a melodia entoada por todo o recanto,
alastrem pelo fértil solo da planície e do planalto
e no arvoredo as vertentes no mesmo pendor
deitem as almas num só compasso sem intervalo.
Final dos Tempos As terras passarão, os mares e qualquer vento
descerão o sol e a lua, as estrelas e as brumas
o orvalho será gelo, os riachos apenas espuma
nenhum pássaro no céu de um azul cinzento!
Ouvir-se-á o pranto solitário daquelas enseadas
e das cordilheiras as cálidas lágrimas a escorrer
no manancial tristonho e prostrado a padecer
os últimos acordes da água naquela invernada.
Nos aromas nenhum incensar de alfazema
daquele lençol somente a doce lembrança
da verde madeira na poesia e último poema,
e nos montes sem luar, nem poente ou alvor
só a luz reflectida ante a verdadeira dança
das almas unificadas no universo de amor.
DOMINUS VOBISCUM Ajoelho-me diante de Ti, meu Senhor
e agradeço por não me deixar à deriva
e assim recolher desta Tua chama tão viva
o carinho daqueles que me dão tanto amor.
Senhor! Este verbo não pode sequer expressar
o sol dourado que de Ti desponta hoje em mim
espelhado naquelas distantes aquarelas enfim
que à minh'alma regaram em pleno amar.
E humildemente venho a Ti, me apresentar
Incenso Sagrado que me socorre naquela hora
de momentos de transe e tão profundo penar
e ante a essência deles, prostro-me em reverência
pedindo que os mantenha amanhã, hoje e agora
sob o Teu Manto Sagrado em resplandecência.
SANTUÁRIO DE GELO No princípio em pedras e gelo rompendo agreste
envolto em turfas naquele frio assim remotas
revestia lenços flutuando espesso na encosta
hoje desce rios, correndo o branco da tua veste.
Homo sapiens...que amanhece e assim aquece
desembainha teus cristais deitando teu lençol
em águas que escorrem do poente ao arrebol
levando o complexo à irreversível e última prece.
Desnudam teu inverno, subestimam o clamor
do cinturão que chorando desfalece ao verde-mar
em lágrimas circulares! pois não há nenhum valor.
Escoa em vertigens, teus primórdios se afundam
marinha sem rumo e se despede o urso polar
pintado no papel, nos resquícios de uma tundra.
Aprendendo a viverDescobre este paraíso em sentimentos afetuosos que te espera
anima-o, preservando a essência entrega-te a ele como refúgio
regala-te com a beleza que ora te entrego e nele ingressa
dilacera minhas dores e dissabores, reúne as migalhas e agrega-o a ti.
Aprecia deleitando-te nesta natureza que em minha alma expande
respeita e ama com ardor este jardim que se faz ornamento teu
e as florestas encantadas te abraçarão em verdes folhas
no mar tranquilo serenas ondas de conforto te esperam como acalento
embalando-te mansamente às praias de ternura e aconchego
e minha enseada será um eterno abraço à tua alma envolver
no cheiro da terra molhada apenas um chamado convidando-te pra o amor
por entre as pedras bordadas delicadamente pelo branco das ondas
e pequeninas conchas serão colhidas em águas de sonhos e encantos
serei o reflexo da canoa em alto-mar exaltando da vida o recomeço
semente pequenina que aprendendo a viver esparge-se no ar.
ÚLTIMA PRIMAVERAQuisera junto a ti saborear agora
O desabrochar desta última primavera
Planar em copas floridas à nossa espera
Propalando nosso amor como outrora.
Desvanecer as almas em folhas secas pelo chão
Entornando o néctar das flores em nossos caules
Sentir o desvelo de tuas mãos em minha pele
Em brancas pétalas a florescer meu coração.
Do ópio seria o aroma deitado no ar
Divina essência a exalar o puro amor
brisa fresca na alma da terra a soprar.
Em seus casulos, frágeis crisálidas a estremecer
E crisântemos palpitando alquebrados em torpor
o emanar da derradeira primavera em nosso ser.
RenascerAlma espiralada em brumas de amor
arraiga em minha ez cristais de teu carinho
Delineando marcas, confina em mim os teus caminhos
Desata os nós, esfuma o pó de toda minha dor.
Desenraiza de meu solo árido todo sofrimento
E em minha Pátria honra tuas fronteiras
Arrebatando a tristeza que em mim vagueia
Semeia teus sorrisos, floreia meus fragmentos.
Transforma-se em sol que ao entardecer em mim se alastra
Em raios de luar entre estrelas trêmulas a me iluminar
Junca-me com as conchas que o mar à tua praia arrasta.
Assim me faço relva que tua alma há de umedecer
Na aurora entre os ramos, pequeno pássaro a cantar
Renasço em flor, que amanhece sem anoitecer.
biografia:
Mila Marian Furuse [Pen name: Milamarian]Natural da cidade de Santo André- São Paulo, residente no arquipélago japonês há 5 anos, tradutora-intérprete apaixonada pela leitura.
Birthplace: Brazil
Current home: Japan
I am an interpreter-translator.
Volunteer of Red Cross Society in Japan.
Member of
International Peace Poem
http://www.peacepoem.org/
WPS - World Poets Society
http://world-poets.blogspot.com/
World Peace Society of Australia
http://worldpeace.org.au/index.asp
Green Dove Peace Poets
http://www.greendove.net/
Books published:
The Romance 'Lilly', the Poetry Book 'Drops from my Soul' and four children's book: 'Cherry Blossom', 'The Lullaby', 'The warrior and his geisha', 'The rose and the moon'.
cherry_blossom@lion.odn.ne.jp