OUTRAS VISÕESCavalo marmelo correndoNo campo de trigoAmareloBelo, sereno, severoAo longeVerdeÉ o outeiroPois ano inteiroTodos do reinoTêm pão e centeioE ouroBrotando da terraSeca vermelhaEspelho de fogoQue espalha com a palhaReflete a poeiraO vento sopradoDo vôo da abelhaDúbio e azuladoDúbio é o quartoDos doudos sonhosTão coloridosCachos douradosForam cortadosDeixados onde?Foram esquecido ...
OUTRAS VISÕESCavalo marmelo correndo
No campo de trigo
Amarelo
Belo, sereno, severo
Ao longe
Verde
É o outeiro
Pois ano inteiro
Todos do reino
Têm pão e centeio
E ouro
Brotando da terra
Seca vermelha
Espelho de fogo
Que espalha com a palha
Reflete a poeira
O vento soprado
Do vôo da abelha
Dúbio e azulado
Dúbio é o quarto
Dos doudos sonhos
Tão coloridos
Cachos dourados
Foram cortados
Deixados onde?
Foram esquecidos
Adormecidos
O bom espantalho
Já vai embora
Logo abandona
As grandes abóboras
Tão preguiçosas
A estas horas
Lívido e efêmero
É o momento
Em que o ocaso
Doce alaranjado
Era presente
Nada eterno
Já é passado
Como as palavras
Deste poema
Nada rimado
Em preto e branco
Tudo acabado
Tudo acabado
EU TENHO UM CAVALO BRANCOA caminho dos Hiperbóreos
O mundo girou diante de meus olhos
Assim eu vi o anjo que desceu do céu
E como um grande carrossel
O mundo todo estremeceu
Retrocedo e chego ao promontório
Há rumores de um jardim belo e notório
Paraíso secreto que um deus protegeu
Destruído quando o anjo se revoltou
Pois o grito ecoado no mar Egeu
Revelou que o deus Pã morreu.
Avanço em novo território
Como se o tempo não importasse
Chego às velhas terras do Império
E vejo uma guerra, um impasse
O anjo contra as forças de Tibério
O exército avançava impávido arrogante
Feroz o quanto podia
Mas o anjo com sua espada flamejante
Fez com um volver de braços
tombarem todos em agonia
Meus olhos negros premonitórios
Viram o tempo, e o lugar lendário
Em minha jornada aos hiperbóreos
Meu coração abandonado no calvário
Os mares fervendo como fluidos corpóreos
A terra sangrando para gerar vida nova
Pessoas morrendo, rumo a paraísos etéreos
Aparecimento de monstros marinhos mortos
Lágrimas de sangue nos olhos do santo
o rubro siroco invade o convento
no pântano, vi morcegos em bando
Cegos passando por mim correndo
Estátuas de sal se decompondo ao campo
à espera do morno bafo do vento
A caminho dos hiperbóreos
O mundo girou diante de meus olhos
no céu, ameaçador surge um meteoro
da selva saem elefantes em pranto
E mais eu não vi, porque fugi
Fugi em meu cavalo branco.
Balada Ao Amigo Desconhecidocontando estrelas, esqueço das letras
conheço mil números muito soberbos
mas não quis fortuna girando as roletas
que a sorte escolhesse os números certos
eu sei: há quem não se encante
e su'alma continua calada
mas mesmo assim cante,
cante comigo a balada
cem vão à guerra, um só retorna
perde a rainha, vence a princesa
mui traiçoeira se mostra a derrota
mas a boa vitória não corta cabeça
eu sei: há quem não se encante
e su'alma continua calada
mas mesmo assim cante,
cante comigo a balada
do alto da torre da velha almenara
aos mares, aos ares, algures
estranha missão o destino ordenara
na clara alvorada, amores, augúrios
eu sei: há quem não se encante
e su'alma continua calada
mas mesmo assim cante,
cante comigo a balada
cantando a tristeza, ouvindo em segredo
a chuva caindo, um caminho deserto
deus acompanha o viajante em degredo
mantenho os besouros da sorte por perto
eu sei: há quem não se encante
e su'alma continua calada
mas mesmo assim cante,
cante comigo a balada
a quietude tem sido tua busca
na forma do lobo te escondes
mas esqueceste de como é a mús'ca
nem ao som de teu nome respondes
eu sei: há quem não se encante
e su'alma continua calada
mas meu bom amigo, cante,
cante comigo a balada.
biografia: alhosal2005@gmail.com