Pablo Rios
Era uma noite de 1983, quando em Jacobina-BA nasceu o primogênito de dois professores, o pequeno Éttore Pablo Vilaronga Rios. Reside desde sempre em São José do Jacuípe-BA(com rápidas temporadas fora). Graduado em Letras, pós-graduado em Linguística e Literatura, empregado público federal. Contista, cronista, poeta, cordelista e exageradamente leitor. Sua obra mistura estilos e temas, sempre apontando, porém para assuntos sociais. Colabora com jornais da região, mantém um blog e notícias (www.cuscuzeiro.blogspot.com), participante de dezenas de antologias e tem duas publicações solo: O Publicano e o Sepulcro Vazio (ADOS, 2003), O Banco e o Velho (Contos, Penalux, 2014).
Ecoe
(Pablo Rios)
Quero que me grite aos quatro ventos
E que eu seja levado por além e aquém
Pelas correntes de ar e ouvidos
Para deleite dos poetas e amantes
E para incômodo dos medíocres, flagelos da arte.
Não desejo ser uma voz constante
Não quero culto ou discípulos.
Quero apenas espalhadores de palavras
Que distribuam meus versos,
Fazendo-os reverberar
Nas paredes dos bons corações
E despedaçar os rochedos.
Não desejo eternidade poética,
Contento-me com o eco dos meus versos.
Intenção
(Pablo Rios)
E se eu te contar
A minha velha história pra boi dormir,
Será que eu consigo te ver
Por baixo dessa roupa?
E se eu te traduzir
Metáforas que fiz pra te enganar,
Eu posso até te convencer
A se descascar pra eu te ver.
Te faço uma charada
Pra você não perceber (ou perceber)
O apetite que eu tenho de você.
Minha cartola tem um truque
Que eu quero te mostrar,
Mas se você não entender
Eu te mostro outra vez.
Mas tem que ser no meu quarto.
E se eu te decifrar
Um enigma encantando que da esfinge roubei,
Será que no meu leito
Eu vou poder te devorar?
E se eu te declamar
Em um poema que eu fiz pra te convencer
Que a tela do teu corpo
É onde a minha arte vou pintar.
Encontro
(Pablo Rios)
Uma estrada lamacenta
Esse é o meu caminho
Em uma noite de chuva
Escura e assustadora.
Surge um cavalo preto
Com seu cavaleiro negro,
Com sua capa e seu chapéu.
Cumprimenta-me:
Para onde vai?
De onde vem?
Vou para o amanhecer.
Venho do crepúsculo.
O que procura?
Paz, solidão.
Deixe-me ir só,
E talvez encontrarei.
Relâmpago, trovão.
Não vi o seu rosto.
Passar bem, boa noite.