Alma Collins (Deborah Douglas)
Alma Collins é meu pseudônimo, pois acho que a verdadeira essência inspiradora vem da alma. Deborah Valente Borba Douglas é meu nome verdadeiro. Nasci na cidade de São Paulo em setembro de 1961, numa terça-feira, logo que rompeu a madrugada. Formada em Odontologia em 1985, trabalhei por 13 anos como dentista, encerrando a carreira por decepção. Em 2000 fiz curso técnico em Turismo e atuei na área por pouco tempo. Optei pela carreira de mãe, esposa e dona de casa, agregando a isso a paixão pela escrita que carregava desde a adolescência. Comecei a escrever alguns artigos e poesias para um site espiritualista, como forma de desabafo dos meus sentimentos, mas percebi que a qualidade não era satisfatória. Depois de estudar muito em forma autodidata e ler muita poesia, comecei a captar a musicalidade da poesia, a sua essência, optando por esta forma de arte como expressão da minha verdade, arriscando também nos contos e crônicas. Não parei mais até os dias de hoje. Fui premiada com menção honrosa no 10º Prêmio Literário Missões com a poesia Meu Romance.
CASCA E FERIDA
Movida por uma força que não era minha
Pois meu corpo cansou
Quase deixado de um lado da sarjeta
Como um bêbado cambaleante
Que alguém teve piedade
E sustentou
Essa força, agora que a bebedeira passou
Parece se exaurir
Longe....
E se abandonas o corpo frágil?
E se abandonas os planos revistos e revisados?
Que já nem sei para quem eram
Se para o forte
Se para o fraco que quase tomba
Se para a união dessas duas criaturas
Para formar casca e ferida
Apertadas por atadura
E se partes puro sangue?
O que será do plástico estelar que te envolve?
Seguirá teus planos amiúde?
Ou simplesmente calará a sua voz?
Deixo aqui a linha do destino agir
Se é que existe esse traço
Não sei mais se caminharei a largo passo
Ou se simplesmente acabou-se o porvir.
IMPESSOAL
Qual é o seu número senhor?
O seu número não consta na lista senhora.
Número sete, você tirou nota baixa.
E os números cercam
E apertam
Como arame farpado
Isolando o prado
Onde bois mansos pastam
Marcados
Por números
Tenho nome e tenho número
O nome é usado
Somente para os mais chegados
Mas o número
Consta para inúmeros
Como membro retalhado
Meu nome conta
Na personalidade ronda
Mas o número sem pompa
Em mim monta
Na vida longa
E me põe numa concha
Jogada pela onda
Que na areia tomba
Isso é o normal
Que garante o ser impessoal.
A COLHER
Já não sei mais o que dizes de mim. Se canta meus versos. Se encanta meus versos. Se encanta cantar sobre a minha voz que ecoa num brado de pacificação. Diz o que quiseres de mim, mas diga de boa forma, pois a forma é importante. Diz de mim que sou côncava, que sou arredondada, que sou degustada deliciosamente na sobremesa das palavras. Diz que meu símbolo é a colher que recolhe na sopa de letras, o mais puro dos meus sentimentos. E que leva à sua boca o gosto doce do necessário, mas nem tanto, conhecimento. Diz que me pareço com aquela que vai à direita na mesa, disposta como guardiã do prato vazio, que se enche de suculenta substância.
Diz de mim que sou colher. Diz de mim que sou mulher. Diz de mim que me exponho como as entranhas do sapo. Diz de mim que mexo a panela das consciências fechadas e agarradas em falta de ideais.
Diz de mim simplesmente, o simples, pois o complicado deixe para a faca que é obrigada a destroçar a carne.
Diz de mim somente que sou alguém que põe num fundo amarelo, aquilo que sente para aquele que lê. O ser humano que quero bem.