Osmar Mangueira dos Santos
Poeta brasileiro...
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SOBREVIDA, SOB A SORTE
Sobre morros, sob casas,
Sobre capas e segredos.
Sobre sustos, sob sobras,
Sobre menestréis com medo.
Sob ferro, sobre rochas,
Entre fardos e gamelas.
Sob até, copas que sombras
Provocam sombras,
Estas mesmo que rebelam
Sobre vidas e conversas:
Carapuças, carapaças.
Sob-rodas, sobre ventos:
Invento velas, naus que passam.
Sobre trens e alguns trilhos:
Perto, longe, muitos silos,
Santos filhos! Sei quantos gritos, Santos!...
Muitas somas, poucos brilhos.
Portos sobre, corpos postos sob a ira:
Nada vinga em tudo atiram
Sobre ruas de concreto.
Teto baixo... Luz... Piscina...
O que tanto te fascina?
Restos de vias ou de vaias?
Nada queira o que não sinta:
Barro, asfalto, até que jasmins não firam.
Serão sempre trilhas minhas
Com perguntas sobre mim: VOCÊ É PENA, ASA, FLOR
OU APENAS COLIBRÍ?
E quem disse que sempre foi assim?
Nem olhe pra mim!
Osmarosman Aedo
2.000 e (ainda), Nós
EUFEMISMO
O muro que dividia meus olhos dos seus,
Era feito de lágrimas;
A mão que supunha um punho firme
Que às vezes sustentava a força da emoção,
Era uma mão feita de algodão;
A palavra, que quando dispersada,
Destinava-se ao resultado final de uma síntese,
Era feita de palavras sem honra;
Os dias que insistentemente
Frequentavam momentos criados por vais e vens
De aventuras predadoras,
Eram dias feitos de sonhos;
A vida que sempre insistiu sobreviver
Diante de quedas sem procedência,
Era vida feita de arranhões suspeitos e lesões inexplicáveis;
A dor que sentia muito, nada poder fazer,
Para diminuir a pressão acelerada causada pelo corpo inepto,
Era uma dor feita de fragmentos de textos
Escritos sob a influência de relatos não comprovados
Mas que passaram por gerações, indignando origens d’outros escritos,
Que normalmente são achados em escavações arqueológicas.
Eu?
De que sou feito?
Ah! Certamente devo ser feito de ilusão.
Osmarosman Aedo
2.000 e (ainda), Nós
VIBRISSAS
Ontem, enquanto chutava folhas secas, sopradas por um outono ainda rebento,
Via vestido de suspensórios em calças curtas, o destino,
Que com olhos transparentes já dava sinais
De que meu amanhã não ia ser tão comumente igual quanto, amanhãs que conhecia...
Ontem, enquanto canções retrucavam ordem e contentamento,
Pois viviam dias de glamour ternura e paixão,
Os detritos de uma geração que já encontrei se extinguindo
Sob os domínios dos conselhos do conservadorismo,
Já não mais brincava de casinha de boneca nem de amarelinha,
Contrário a isso tentavam subornar a vida com passeios noturnos
E encontros com luares e estrelas.
As cigarras, que abençoavam entardeceres com seu clássico concerto das seis,
Encantavam multidões de olhares com ouvidos
Envolvendo-as na sensibilidade de uma esperança orgulhosa demais.
A noite que sempre amimada pelo dia
Entretinha praças de bancos e flores com luminosidade mágica de luas
Que mais pareciam candelabros de mansões escondidas na história,
Permitiam com que os segredos que casais arriscavam sussurrar madrugadinha
Não passassem de mordisco de poeta.
A juventude, em toda sua graça e comiseração diante de tantos fatos,
Reverenciava as tendências e linguagens de uma gramática própria
Afirmando que a Era, era, uma Era de confrontos sociais,
Mas, que pelo formato de que era feita sua luta em favor de uma política sem piegas,
Não deixava de ser manobra de uma evolução cancerígena...
(nada que o século XXII não remate com vacinas anti-humanos).
Ontem, a intenção é de que já passou, mas, enganado,
Todas as vezes que desperto ao amanhecer,
O espelho de meu quarto reflete a mesma pessoa em mim, que conheço...
Sinal que nada muda
Mas, ao se transformarem (justo e relevantemente), ameaça minha história.
Osmarosman Aedo
2.000 e (ainda), Nós