Ricardo dos Reis Oliveira
Parceria com Carlos Ernest Dias, na música "Mais que universo", gravada no CD intitulado “Carlos Ed”. Obs.: Esta música passou a integrar o repertório da Rádio Inconfidência (FM 100,9), após sagrar-se vencedora no programa “Melhor de Três", apresentado por Tutti Maravilha; Parceria com o senegalês Mamour Ba, na música “Yankady”, gravada no CD do grupo “Conexão Tribal African Beat”, brevemente a ser lançado no Brasil; Parceria com Philippe Lobo, na música “Bossa-me”, gravada em CD brevemente a ser lançado;
Compositor e intérprete do CD autoral intitulado “Canção na cesta”, aprovado pela LMIC (endereços para verificação: www.ufmg.gov.br (digitar “Canção na cesta:...”) facebook: procurar por “Ricardo Dos Reis”; Intervenções, como poeta, em saraus e shows musicais em Belo Horizonte/MG, nos espaços Belas Artes Liberdade, Status Café e Pedacinhos do Céu; como músico e palestrante, nos centros culturais São Bernardo, Lagoa do Nado, Zilah Spósito e Venda Nova, todos pertencentes à Prefeitura Municipal de BH.
Palavra
Que vou agora dissecar
Extrair-lhe o sumo, o cheiro
A parte, o quarto, o meio
De pisá-la (deixa comigo!), vou quebrar-lhe o queixo duro
Num nocaute surdo, sem devaneio
Vou deitá-la, à força, no prato
E, com o garfo, espremer-lhe o caldo
Prazerosamente vendo-o escoar pelo ralo
Vou pisar-lhe o estômago, as vísceras, o pescoço
Vou levá-la ao fundo do poço
Um minuto de silêncio, senhores
Pois vai falar agora a palavra
Agonizante, aflita, com as mãos sobre o esôfago, quase já sem vida
É qu’eu sofro, mas não morro
Diz a palavra, então, entre dores e gemidos
Em face disso, levanto-a então
Acaricio-lhe os cabelos, a boca
Tomo-lhe as mãos e saio moço, vivo, por esse mundo louco
Cúmplices, temos um ao outro
Palavra, minha companheira, agora, no dia, na lida
Nessa jornada longa, nesta breve vida.
Cão de rua
Vi agora um cachorro atravessar a rua
Cão somente, mas parecia gente
Resoluto, renitente
Olhou para os dois lados da rua movimentada
Para a esquerda, para a direita
Eu, hein, morrer atropelado, nem pensava
Era dia, não era tarde
Cão vadio, solto, não era lobo
(mas se fosse noite, ele até uivava)
Cão danado. Que late. Cão amável
Não era bobo, feito muitos cães de rua
Simplesmente um cão.
Sim, senhor, mas um verdadeiro cão de rua
Cão cabeça, que não é besta. Cabeça boa. Cabeça erguida
Cão sem raça. Cão de luta. Cão de lua
Cão que laça, que vai à caça todos os dias
Que vê um tigre, que vê um gato, que vê um rato,
Que não morde. Cão lorde. Cão que pode
Me ver, parado, observando-o atravessar a rua
Cão lampejo. Cão fumaça. Cão da hora
Que não responde, mas já entende
Cão da massa, que não é gente, é boa praça
Cão resoluto. Cão renitente
Cão sem dono, eloquente, que me olha e segue em frente
Ricardo dos Reis