Luiz Eduardo Ribeiro Pedreira
Luiz Eduardo Ribeiro Pedreira nasceu a 21 de julho de 1978 em Santo Amaro – Bahia – Brasil. Poeta e letrista de música popular (ainda inédito), foi co-fundador do extinto grupo de recital “Inéditos & Dispersos”. Teve alguns poemas publicados nos periódicos “O Ataque” (impresso e virtual) e “O Trombone”, ambos de Santo Amaro. Como letrista, tem canções em parceria com Paulo Gabiru, Hélio Braz, Márcio Valverde e Milton Primo, entre outros.
AUTOSUPOSIÇÃO
Talvez eu seja esse sujeito raso
de compostura duvidosa,
um amontoado de clichês
pregados aos musgos
de modo que não ouçam as pedras.
Essa coisa sobre o muro
das lamentações,
atirando seixos no breu.
Indolente com o ego intumescido,
prestes a cair no colo dos espelhos.
Possivelmente um devaneio.
Ou essa luz cortando o túnel
bem no meio.
O MURO
A separar o meu de outro quintal
um muro todo em hera estende a mão;
agônico em sua mórbida extensão,
já sente sua casca dar sinal
de que foi removida toda cal
pelo caule escondido da visão
atrás da folhas, sempre em ascensão
e flores que não cheiram bem ou mal.
Tudo aos olhos é verde, mas por dentro,
sangra o reboco as cores dos tijolos,
por entre as rachaduras, qual varizes.
Clama o muro: “liberte-me ao relento!
Serás bem mais seguro no teu solo
se cortares dele todas raízes.”
LOTAÇÃO
Não parem o mundo,
quero seguir para ver o que puder
e poder dar um sentido
que me caiba dentro aqui;
calar o que me incomoda
com a força da palavra inversa
com a confusão do meio verso.
Girar no anti-horário
o volume da baixeza
alteado pela falta de assunto.
Não parem o mundo,
não quero descer!
Meu jogo é à vera!
Que desça a mórbida macheza
dos gêneros, das cores e dos cleros...
Que desçam os que vieram
apenas para passar.