Letícia De Oliveira Dos Santos
Araraquara/SP
Estudante de Comunicação Social - Jornalismo
O Trem
O trem já está partindo
Você irá?
A fumaça chama atraente aos que veem
Um chamado que não se pode ignorar
Sei que certos passageiros não tem escolha
Devem simplesmente embarcar
A partida é solitária, sei que tu sabes
Você, nobre senhora deve embarcar
Temo que seja em breve, mas comigo tu não deves se importar
Na passagem não constam as horas, nem o lugar
Mas saberás quando a tal hora chegar
Tu sabes que eu sei que em breve ela chegará
As regras de embarque são claras
Para entrar tudo deve ficar,
O apego atrasa dolorosamente a partida
E todo alívio e paz que ela traz
E sobre a chegada devo lhe confessar
Não tema o destino, tu nobre senhora, há de gostar
Tão belo, tão em paz
O lugar perfeito para se passar bem mais que um longo tempo
Do qual o trem jamais partirá
O Jardim
As flores caíram,
Toda a beleza se foi
As aves partiram,
E com elas toda minha alegria se foi
As folhas secaram,
E a claridade do dia jamais voltou
Os galhos se partiram, secos e ocos
E o meu lindo vaso de cristal se quebrou
O ouro na luz daquele sol, ah aquele sol
Tornou-se aço, e ele não mais brilhou
A brisa leve e calma, o frio vento agudo afogou
E congelou o que restava, nada com vida sobrou
Minhas lindas borboletas viraram pó
Que levado pelo vento invadiu-me o peito sem dó
E a verdade do teu sorriso, em um suspiro se apagou
E na dor que me fere sem cessar se tornou
A vida daquele belo jardim chegou ao fim
Levando um pedaço do que um dia pertenceu a mim
O menino sonhador
Ouvi dizerem
Dizerem que somos do tamanho exato de nossos sonhos
Então me visualizei
E com afinco sobre todos os meus sonhos cismei
De fato sou muito maior do que pareço
E estou preso a um corpo pequenino ao qual não pertenço
Sou bem maior que este mundo
Simplesmente não caibo nele
Às vezes penso a respeito
Penso muito
E pela certeza sou tomado de susto
De que meu tamanho é maior que o deste mundo