Eliane Pereira Machado Soares
Mora em Marabá, Estado do Pará- Brasil. Autora de “Crisálida”, livro de poemas premiado pelo Instituto de Artes do Pará, Prêmio Max Martins de Poesia, ano de 2012. Participou de duas antologias poéticas: Antologia Cidade Vol. II (2010) e “Ao Marulhar do Tocantins”, 2013.
MEIO DIA
Um sol,
(sou o Estrangeiro),
eterno a pino,
delirante,
inclemente,
tirano,
de desatino.
Mas não suficiente
para clarear este caminho
de precipício e pedras soltas
em que anda trôpego
e de pés descalços
o meu destino.
CIVITAS
Lá do alto, a cidade
parece não sentir medo
parece não ter maldade:
De noite, vê-se carro e muita luz,
de dia casa, nuvem e garoa
rio, mata e às vezes ponte
mas não se vê gente, pessoa.
Tudo parece certo, lá do alto a cidade,
Não fosse chegando perto
cimento, asfalto e a humanidade.
ID
É tarde, a noite avança,
Eu me conheço
tenho medo
de mim.
Sei quando isso começa,
não tem enredo
só o início de um longo fim.
Evito o espelho
mas há música ao longe
(ou talvez só o eco de uma fera
que se insurge,
espreita, tensa,
ruge).
Me dispenso, me aconselho.
Me enfrento , me faço a cruz
abro os olhos, saio do escuro,
acendo a luz.
Ainda estou lá.
na sombra ,
na gota que respinga,
não estou dentro nem fora
nada é maior e faz sentido
só esse agora.
O tempo é lento
me vingo no relógio
sinto amor, desejo , ânsia
e ódio.
No vidro frio,
deixo a marca de um fôlego
de arritmia.
Finjo coragem,
preparo as armas
enfrento a personagem:
meu medo é o meu guia
[...]
Combati ,
um mal combate,
perdi a luta, alma vazia
guerreiro ao solo.
Fico feliz.
Enfim é dia.