Edna Oliveira de Sant’Ana nasceu em 14 de junho de 1949 em Salvador, Bahia, Brasil, onde vive. Graduada em Administração de Empresas. Seu envolvimento com a Poesia, como autora, começou em 2004. Ainda não publicou um livro, mas não é, totalmente, inédita, pois participou de três Antologias, sendo duas no Brasil e uma em Portugal: II Olim ...
Edna Oliveira de Sant’Ana nasceu em 14 de junho de 1949 em Salvador, Bahia, Brasil, onde vive. Graduada em Administração de Empresas. Seu envolvimento com a Poesia, como autora, começou em 2004. Ainda não publicou um livro, mas não é, totalmente, inédita, pois participou de três Antologias, sendo duas no Brasil e uma em Portugal: II Olimpíada Cultural – 500 Anos da Língua Portuguesa; Antologia Agreste Utopia; II Antologia de Poetas Lusófonos, publicadas em 2005 e 2009 respectivamente. Tem um blog http://jurassica.zip.net e uma página no Facebook.
As dores do mundo (Infância violada)
Crianças rotas engolidas pelos esgotos
Infectados, lotados de ratos, tentando escapar
dos atos violentos de homens armados e
dos atos obscenos de homens depravados.
Crianças avariadas, tragadas por um
preparado glutinoso, viciadas pela dor,
humilhadas pela cor e, por decreto,
agonizam sob as pontes de concreto.
Crianças esquálidas, desumanizadas
Pelos corpos mirrados, pelas cabeças enormes
entre os ombros disformes, cuja imagem
se configura a um espectro da morte.
Crianças traficadas, mortas e mutiladas,
cujos órgãos seccionados são leiloados
a preço de uma inocente vida para serem
implantados nos corpos em busca de vida.
Crianças exploradas sexualmente, incluídas
como apelo principal do turismo sexual para
servirem aos prazeres do turista bestial
que despeja a sua podridão no corpinho virginal.
Crianças escravizadas, exploradas pelos
pais e patrões em troca de alguns tostões
ganhos com mãos, braços, pernas e pés
que se atarão para sempre aos grilhões da servidão.
Crianças, esses seres tão vulneráveis que
por vezes são aviltados dentro dos seus lares,
pois lá, atrás da máscara de proteção, sofrem
todo tipo de agressão por parte do seu guardião.
Crianças que um dia servirão a essa nação
como meretrizes, assaltantes, traficantes...
que ocuparão espaço nas celas e favelas e
continuarão sofrendo todas as dores do mundo.
Edna Oliveira de Sant\' Ana
As dores do mundo (Infância violada): Poesia
Salvador, 02 de Abril de 2004.
Amar
Amar é ficar de bobeira,
Mãos dadas à noite inteira
No terraço, no asfalto, no descampado,
Perscrutando o firmamento
A procura de uma estrela fugaz
Para pedir que eternize
Esse momento de paz.
Amar é acordar de um pesadelo
No qual seu amor lhe abandonou,
Mas ao vê-lo do lado
Ressonando esparramado
E na expressão do rosto
O desejo consumado,
Sorri e com alívio volta a dormir.
Amar é explorar, sem se conter,
O corpo um do outro
Em busca de um novo prazer,
E dividir cada cantinho do seu pedaço
E achar que ainda sobra espaço.
Amar é aguar a alma definhada
Para que floresça e nunca pereça,
Trazendo de volta a primavera,
Ainda que o outono esteja à sua espreita.
Edna Oliveira de Sant\' Ana
Amar: Poesia
Salvador, 29 de Outubro de 2006.
A um passo do desconhecido
Cabelos brancos.
Ombros curvados.
Pernas trôpegas.
Mãos trêmulas.
Visão embaçada.
Audição confusa.
Fala embolada.
Pele enrugada.
Olhar vazio.
Memória fraca.
Esquece o presente.
Lembra o passado.
Lembranças boas,
lembranças amargas,
mas todas bem-vindas,
pois preenchem a sua vida.
Cochila de dia,
à noite passa em claro.
Chora facilmente e
sorri francamente.
Não coma isso!
Não coma aquilo!
Cuidado com o coração!
Controle a pressão!
Lamenta a vida
e amaldiçoa a sorte,
pois as perdas são muitas
e a solidão é inevitável.
Tudo lhe é negado,
nada lhe é permitido
a não ser as dores do corpo
e o abandono da vida.
E o que resta agora
a um ser tão alquebrado?
Seguir, passo a passo,
rumo ao desconhecido.
Edna Oliveira de Sant\' Ana
A um passo do desconhecido: Poesia
Salvador, 10 de Março de 2004.
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Edna Oliveira de Sant\'Ana
http://jurassica.zip.net