Dos Amigos Que TenhoMe indagaram certa feitaSe é triste viver solito,Sem ter a china que esperaMinha volta pro ranchitoMe golpeou o pensamentoE afundou dentro do peitoSerá que sou diferente,Por ser assim do meu jeitoDas coisas simples que façoEu tiro o meu sustentoE me basta tudo o que tenhoPois assim já me contentoUm potro, apartei pra lidaE domei pro meu arreioTroca a ...
Dos Amigos Que Tenho
Me indagaram certa feita Se é triste viver solito, Sem ter a china que espera Minha volta pro ranchito
Me golpeou o pensamento E afundou dentro do peito Será que sou diferente, Por ser assim do meu jeito
Das coisas simples que faço Eu tiro o meu sustento E me basta tudo o que tenho Pois assim já me contento
Um potro, apartei pra lida E domei pro meu arreio Troca a orelha sempre alerta E se vem mascando o freio
Pra tirar zebu do mato O ovelheiro preto manchado E um cusco baio coleira Que não sai do meu costado
E quando o minuano xucro Galopeia na coxilha Acendo o fogo de chão Com cerne de curunilha
Uma cambona de água quente Um porongo bem cevado E um quero-quero que canta Do outro lado do alambrado
Um pica-pau que fez ninho No galho seco da figueira O João-de-barro ergueu o rancho Sobre o moirão da porteira
São os amigos que tenho É o que Deus reservou pra mim Mas não lamento, pois me basta E sou feliz vivendo assim
Nunca quis riqueza e fama Pois não sei viver com luxo O que mais posso querer Se Deus já me fez gaúcho!!
15/12/09
Onde Andarão os Caudilhos
De que valem os freios de ouro O que adianta ter bons cavalos Se não houver no Rio Grande Homens campeiros pra montá-los;
O xucro ofício da campanha Não se aprende na faculdade E os costumes das estâncias São diferentes da cidade;
Será mesmo que a evolução Vai secar nossas vertentes Matando assim as raízes Dos homens de antigamente;
Rendilha e bocal pendurados Esporas e um maneador Maneias-de-trava e cabrestos A espera de um domador;
Não se vê mais candeeiros Pelas frestas do galpão Nossa história vai se apagando Junto com Fogo de Chão;
Nossa pilcha não é modismo Pois não se muda a Cultura Nosso mate já está lavado Pois a erva já não é pura
Onde andarão os tropeiros Que varavam madrugadas Já não se ouve o eco do grito Nem se vê rastros pela estrada;
Os potros perderam a doma E não \'pelexaram\' na primavera Os campos viraram matos E as fazendas estão taperas;
Que viva a essência do pago E nossas glórias de outrora Que se cultive a tradição Sejamos os Farrapos de agora;
Que este orgulho não morra Nem nosso sangue ainda puro Que os caudilhos sigam em frente Pras gerações do futuro;
Que São Pedro, o capataz Abençoe o nosso chão Pra que nunca fique um gaúcho Só de freio e pelêgo na mão!
23/06/2010
À Bandeira da República
No galope do minuano Tremula a velha bandeira Testemunha e companheira Da epopéia farroupilha Quando andou nestas coxilhas Nas mãos do negro farrapo E mesmo virada em trapo Não deixou de ser caudilha;
Quantas lutas presenciastes Por estes rincões do pampa Mantendo firme a estampa Do gaúcho em sua essência E o sonho de independência Que, plantado sobre este chão Criou forma de coração E transformou-se em Querência;
Apesar de tantos invernos Mantivestes viva a cor Do sagrado pendão tricolor Que em muitos pagos andou E tantas glórias guardou Pois ainda carrega a marca Do sangue de algum monarca Que por cima de ti tombou;
Imagino, velha bandeira Que se pudesses falar Haverias de contar Das noites de invernias Ou dos atos de valentia Que ainda guardas na memória Pois fizeste parte da história Que o gaúcho escreveu um dia;
E hoje, quando te vejo Sempre me vem na lembrança A silhueta de uma lança Que um farrapo traz na mão Pra cumprir a nobre missão De defender esta terra Nos tempos da Grande Guerra Que demarcou este chão;
Mas estes tempos passaram E pelos rincões do pampa Não se vê mais a estampa Do gaúcho peleador Que sem receio ou temor Lutou por mais igualdade E mostrou que a liberdade Se conquista com amor;
Onde andará o nosso orgulho ? Me responda, velha bandeira ! Será que se perdeu na poeira Nos corredores do pago? Como a água do mate-amargo Que aos poucos se vai embora Levando um pouco da história Que bebemos trago a trago;
Bandeira velha, farrapa No passado foi legendária Hoje triste e solitária À espera de um companheiro Que no calor do entrevero Pudesse tentear a sorte Ou mesmo depois da morte Lhe servisse de baixeiro;
Trago sempre de à cabresto O desejo ainda puro Que nossos filhos, no futuro Preservem o teu passado E que sempre bem pilchado Sem ostentar muito luxo Ainda reste um gaúcho Em guarda no teu costado;
Bandeira; sei que no mundo Ninguém fica pra semente E um dia certamente No pago eu nunca mais ande Mas eu quero que alguém mande Me colocar no puro chão E em cima do meu caixão Uma bandeira do Rio Grande.
29/09/2009
biografia: Vanderlei Pinto de Oliveira Nascido em Canguçu, no Sul do Estado do Rio Grande do Sul, neto de uruguaios de origem ibérica pelo lado paterno e descendente de indígenas pelo lado materno, sou Vanderlei Pinto de Oliveira, segundo filho de Valnei Almeida de Oliveira e Zaira Pinto de Oliveira, campesinos por origem e gaúchos de alma e coração.Irmão do matemático e tradicionalista, professor Claudiomar Pinto de Oliveira. Cresci no campo ouvindo o berro do gado,o relinchar dos potros e o cantar do quero-queros.Gaúcho de nascimento e coração, desde cedo interessei-me pelos costumes e tradições da minha terra.Formei-me o Primário, Secundário e hoje estou cursando Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal de Pelotas-UFPEL; além disso trabalho no comércio local e escrevo poesias com temas variados, com ênfase maior para a cultura gaúcha e ibero-americana. Abraços Vanderlei Oliveira \'El Gaucho\'