TARDE DE JUNHOChega um tempo em que não se é mais criança.Um tempo de sonhos e inquietações.De marcantes memóriasou ventos que sopram segredos.Igrejas coloniais.Santo casamenteiro.Casas de barros suspensas no ar:despertam gigantes. Onde o Cruzeiropisca seus olhos.[Esta cidade perdida esquecidamente brota cocos.]De longe um canto palpitante.Choros de corpos no fundo de um rio.Senhoras em casa ...
TARDE DE JUNHOChega um tempo em que não se é mais criança.
Um tempo de sonhos e inquietações.
De marcantes memórias
ou ventos que sopram segredos.
Igrejas coloniais.
Santo casamenteiro.
Casas de barros suspensas no ar:
despertam gigantes. Onde o Cruzeiro
pisca seus olhos.
[Esta cidade perdida esquecidamente brota cocos.]
De longe um canto palpitante.
Choros de corpos no fundo de um rio.
Senhoras em casa apaixonadas longamente.
Maragogipe, que fazem seus braços,
sua barba de mil traças,
seu formato auspicioso
nesse tempo de lentos passos
e cabeças desconcertantes?
Tarde: fim de outros fantasmas.
E a chuva levanta-se atentamente de seu profundo sono.
RECADO A DRUMMONDHomenagem a CrispinianoNo meio do caminho
no meio do caminho
o caminho o caminho
se perdeu.
No meio do caminho
no meio do caminho
o ca _ ~~~~_////???...
minho se perdeu.
No meio do caminho
no meio do caminho
do caminho do meio.
POEMA PARA A AMÉRICAÉ verdade que minhas lágrimas
cortam o papel, bem como a geografia.
[Não se engane com um sorriso.]
E também é verdade
que uma alma sai do chão
e pousa no mar
só para fotografar nuvens.
É verdade.
É verdade que os poetas não se foram.
Outros poetas virão: de finos passos.
Como vem todos os anos a primavera.
Disso [também] é verdade.
É o sol.
E que surgem homens não poetas,
mas que cantam versos
e chamam por filhos e mulheres
como anjos em Atenas,
como jardins floridos
para a melodia dos pássaros.
Disso, é verdade.
E é verdade que essa caneta fala
como quem diz de si, algo.
Disso [também] é verdade.
SENSAÇÕES DO ANJO DE MAIOÀ Durval de MoraesDeito sobre as sombras
e meu corpo cai como pena
sem o balançar dos ventos.
No meu eu em mim
derrubo corpos
que se levantam como espumas
em forma de miragens.
Quem balança o mar?
Nina calmamente os assobios?
Acalma o sono no arrepio da noite?
Cai o chão.
No leve suave da pena
forma brando o céu...
Lá vai Deus em seu carrinho de cristal
que os olhos miram no limite do horizonte,
vai Deus brincar feito criança
as nuvens lembranças
contadas pelo rapaz no sono: lá vai...
Nesse momento se banham as coisas
e um adeus anuncia a nova chegada.
Biografía:
Crispim QuirinoAlguns poemas é que devem ser apresentados aqui no presente trabalho. Mas antes disso é preciso e necessário fazer algumas observações.
Filho de Rosângela dos Santos e Carlos Dias Quirino, Crispim Santos Quirino, Quirino, como gosta de ser chamado, cujo pseudônimo “Luís Boa Nova”, já escreve desde os treze. Nascido junto a seu irmão em 20 de novembro de 1984, na Patriótica Cidade de Maragogipe, interior do Recôncavo da Bahia, participou de diversas antologias poéticas, a exemplo da EDC Publicações pela Fundação Luiz Ademir de Cultura dentre outras; possuidor de uma coluna no Jornal “O Guarany” da Cidade da Cachoeira e na “Tribuna Popular” da cidade natal onde comenta sobre poesia e arte, tendo nessa última participação breve; ganhador do concurso Ibero Americano junto a EDC Publicações; professor de literatura nos cursos pré-vestibular “Raízes Negras do Recôncavo” em Cachoeira/São Félix e “A Cidadã”; Diretor de Cultura da “Fundação Verde e Arte” na localidade de São Félix; convidado a participar em Cachoeira do “Caruru dos 7 Poetas” em 2.009 realizado pelo poeta baiano João de Moraes Filho ganhador do prêmio Braskem de Cultura e Arte. Participou do concurso de poesia “Os 13+” [2.010] pela prefeitura local da cidade natal, dentre outros. Formando pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia [UFRB] na área de Museologia. Seu livro de estreia, desde 2.009 elaborado e só vindo em parte [agora ou logo depois] ao conhecimento do público, procura rememorar a esquecida cidade natal [como faziam os sábios com a cidadela e inesquecível cidade de Tróia] onde sabiamente dá a existência com o oportuno título de “A cidade perdida” mostrando que “Chega um tempo em que não se é mais criança”, frase do poema “Tarde de junho” de seu mesmo livro, para [re]nascimento e existência da cidade e de sua “vida”.
Sua principal influência poética vem de Carlos Drummond de Andrade, passando pelos poetas Leminski, Pessoa, Quintana, Neruda, Rilke e Maiakovski. Considerado por muitos como o poeta do tempo. Esse é o poeta do interior. Busca através do Recôncavo da Bahia apresentar a singela poesia típica da raiz brasileira, dando dessa forma a possibilidade de outras construções.
Enfim, é dessa forma que os versos aparecem [...]. Com isso, sente, respira, vive e reflete a poesia, pensando sempre em sua forma e em sua arte de existir como quem se vai se apresentando [...]. Poemas que podem ser vistos em “A cidade perdida” e agora aqui.
C.S. Q.
crispimquirino@yahoo.com.br