PEQUENO PIANISTAAquele coqueiro cintila tão gentilmente à luz de um sol matinal,E toca uma melodia tão suave com seus compridos dedos verdes.Pianista exímio, quero que saibas que lhe entendo a devoção de sua vida a uma melodia que não posso ouvir. Sapiens sapiensHá dias que o macaco volve à jaula eHospeda-se sem ser requestadoOlha-me os dedos e sorri displicenteseu lampejo de alma incaut ...
PEQUENO PIANISTAAquele coqueiro cintila tão gentilmente à luz de um sol matinal,
E toca uma melodia tão suave com seus compridos dedos verdes.
Pianista exímio, quero que saibas que lhe entendo a devoção de sua vida a uma melodia que não posso ouvir.
Sapiens sapiensHá dias que o macaco volve à jaula e
Hospeda-se sem ser requestado
Olha-me os dedos e sorri displicente
seu lampejo de alma incauta.
Encara-me um olhar momista a entreter-me
com meia dúzia de piruetas circenses.
Eu, volto-me só
e espero que esse céu de veludo negro noturno
absorva-me as incongruências.
COISA LIVREEsse frêmito fortuito
que percorre o corpo nu
na sua intimidade de corpo só,
isso, em uma palavra é
Liberdade! diga-se logo,
é uma matilha enjaulada
na fronteira milimétrica
do epitélio.
Liberdade, ainda que se queira
mais uma vez desdizer
é dizer o inaudito,
Porque tudo já se morreu no passado.
Liberdade é possibilidade
de que o espírito invada a matéria e
preencha-a com seu anima.
Liberdade é sempre uma palavra
que se diz no presente,
porque ou se é
ou não se é
essa coisa livre.
BIOGRAFÍA:
Júlia MonresetEstudante por uma vida inteira e seguirei sendo até que essa vida inteira não o seja mais. Estudo de tudo que me caia nas graças da curiosidade. Formalmente alcancei os títulos de ‘técnico ambiental’, com pós-técnico em Recuperação de Áreas Degradadas e Desenvolvimento Rural Sustentável pelo Instituto Terra em Aimorés – MG. Um eufemismo que poderia usar: gosto de literatura. Não, não gosto. Tenho verdadeiro fascínio por literatura, desde que um dia me dei por gente.
Aracruz/ES
juliana.piemon@hotmail.com