AprendiNa vida eu aprendi que ser sozinhoNão é viver na solidãoSer sozinho é estar cercado de pessoasE, de repente, acordar e não ver ninguémPorque os interesses pessoais de cada um falaram mais alto.Aprendi que amigos de verdadeSão aqueles que me apedrejamQue me machucamE que me causam dorPorque, a cada instante,Ensinam-me a perdoarA compreenderE a amá-los apesar de suas fraquezas.Aprendi ...
AprendiNa vida eu aprendi que ser sozinho
Não é viver na solidão
Ser sozinho é estar cercado de pessoas
E, de repente, acordar e não ver ninguém
Porque os interesses pessoais de cada um falaram mais alto.
Aprendi que amigos de verdade
São aqueles que me apedrejam
Que me machucam
E que me causam dor
Porque, a cada instante,
Ensinam-me a perdoar
A compreender
E a amá-los apesar de suas fraquezas.
Aprendi que um dia a gente acorda
E descobre que todo mundo foi embora
E ainda assim não estamos sozinhos.
Aprendi que nunca devemos esperar o melhor
Daqueles que nos cercam
Porque, nem sempre, eles estão preparados para isso
Porque, nem sempre, receberam o melhor
Portanto, não terão como devolvê-lo.
Aprendi, acima de tudo, que devemos
Dar e desejar sempre o melhor
Para que os outros, ao recebê-lo,
Possam, mais tarde, devolvê-lo a nós.
Aprendi que a vida é única
E que a morte é polimorfa
Porque na vida já morri várias vezes
Quando os meus amigos deram-me as costas.
Aprendi que ainda há muito a aprender
E que uma só existência não será suficiente
Assim como um só livro não compõe uma biblioteca.
Aprendi que a dor é alegria
Que o sofrimento nos liberta a cada dia
Que as misérias são dádivas
E que o tempo é o infinito.
Arranca-meArranca-me os olhos, ó Deus!
Tapa-me os ouvidos e a boca!
Eu não mais quero ver além da pele.
Na carne vermelha, fria e ácida
Vejo os vermes corroerem até os vasos sanguíneos.
Os vermes nascidos da putrefação do orgulho, do cinismo e do sarcasmo,
Dessa podridão que se esconde nos porões da alma humana.
Livrai-me, ó Deus, desses sentimentos impuros e mesquinhos
Dessa imundície que atrai para si as moscas.
Arranca-me, ó Deus, esses olhos que a tudo vê sem camuflagem
Esses olhos que agora choram porque traduz em lágrimas a revolta sufocada.
Arranca-me! Arranca-me!
Tapa-me os ouvidos que capta não os sons, mas os sentimentos mesquinhos da alma humana.
Cala-me a boca, ó Deus, para que eu não fale o que os outros ainda não querem ouvir...
Leva de mim, Ó Deus, essa vontade louca de dizer as minhas verdades ao mundo...
OndeDe tão pouco se envaidece o homem...
As pessoas não mais são grandiosas pela nobres atitudes
Mas, sim, pelo que possuem.
Tudo é tão natural, efêmero
Mesquinho... pequeno
Envaidecer-se de quê?
Grandioso e rico é Deus
Que está no céu a entristecer-se das nossas tolas vaidades.
Tudo se esvai...
vira pó, poeira,
Cinza.
Se despedaça; vira fumaça
Onde estão os bons sentimentos?
Onde? Já não sei dizer...
Somos todos irmãos ou rivais num campo de batalha?
Onde moram o amor, a amizade?
Onde?! Já não sei dizer...
biografia:
Keila NunesGraduanda em Letras, pela Universidade do Estado da Bahia.
keilansantos@hotmail.com