ZUMBI VIVEOuviram dos palmares o heróico bradoNas senzalas retumbante ecoadoE o sol da liberdade que viriaAinda que tardiaBrilhou no céu da PatriaNum instante daquele dia!O penhor dessa igualdadeAinda que até hojeSeja um tanto desigualConseguistes conquistar com braços fortesEm teu seioA liberdade nasceuCresceu e foi forjadaA ferro e fogo no peito dos homensQue em seu nome desafiaramA própria ...
ZUMBI VIVEOuviram dos palmares o heróico brado
Nas senzalas retumbante ecoado
E o sol da liberdade que viria
Ainda que tardia
Brilhou no céu da Patria
Num instante daquele dia!
O penhor dessa igualdade
Ainda que até hoje
Seja um tanto desigual
Conseguistes conquistar com braços fortes
Em teu seio
A liberdade nasceu
Cresceu e foi forjada
A ferro e fogo no peito dos homens
Que em seu nome desafiaram
A própria morte
Por aquele sonho intenso
Vívido como um raio!
E o eco do teu grito de guerra ainda zumbe
Em nossos ouvidos
E para sempre será ouvido
Enquanto um homem ou um povo
Clamar por liberdade!
* * *
JOÃO CANDIDO - O ALMIRANTE NEGROPior que a morte o açoite
Às claras durante o dia
Ou no negrume da noite
O lanho da chibata dói na alma
E alimenta a chama da revolta
De quem apanha e de quem assiste
Em volta!
Não é um escravo
Não é um feitor
Os protagonistas desse ato infame
São um marinheiro
E seu superior
Não é água o que lava
A madeira do convés
Mas o sangue
A vergonha
A dor!
Eis que se levanta o Almirante Negro
O novo Zumbi do Quilombo da Guanabara
O mestre sala dos sete mares
Mostra a cara!
Nunca mais chibata
Nunca mais servidão
Proclama aos revoltados
O Almirante João
E dá o seu ultimato
Como comandante de fato
Ao governo de plantão
Que recua amedrontado
Sob a mira de um canhão!
Castigos corporais
Na Marinha
Nunca mais
Decretou-se a abolição
Que veio com a anistia
E a traição!
E agora João?
Restou-lhe o esquecimento
Na cela de uma prisão
Destino de quem escapou
Dos dentes de um tubarão!
Eu vos saúdo João
Tardiamente reconhecido
Como ilustre cidadão
Vivas ao negro Almirante
Da liberdade um gigante
Orgulho desta nação!
* * *
CARTA DE ALFORRIARompeu-se aquele elo que me mantinha preso
Com ele foi-se o encanto, o toque de magia
E a aura de sedução que me deixava aceso
Deu-me ao consumir-se a carta de alforria.
Liberto o coração a alma ainda pena
A espera que o tempo traga o esquecimento
Quando as lembranças sairem de cena
E ela possa abrir-se em novo movimento.
Bem sei é impossível não guardar saudade
Se os sonhos se desfazem ficam os momentos
Tão plenos de ternura e de felicidade
Marcados feito tatuagem no meu pensamento.
A hora é de adeus, diz um coração sensato
É tempo de partir, sem alarde e sem demora
Permitir que os sonhos ensaiem um novo ato
Em que o amor não seja usado e após jogado fora!
Euripedes Barbosa Ribeiro
Membro da Academia de Cultura da Bahia
biografia:
Euripedes Barbosa Ribeiro é militar reformado da Marinha, nasceu em 27 de fevereiro de 1950, na antiga cidade de Pilão Arcado-BA. Viveu a sua infância, adolescência e até os dezenove anos entre as cidades de Pirapora e Buritizeiro, em Minas Gerais, época em que foi iniciado nas letras, escrevendo e promovendo a literatura nos recitais do Grêmio Estudantil que presidiu e participando, como compositor, de festivais de musica estudantis. Formado em Pedagogia, habilitado em Magistério e Administração Escolar, Eurípedes foi instrutor e supervisor da Escola de Eletricidade e Eletrônica da Marinha. Residindo atualmente em Camaçari, região metropolitana de Salvador, Euripedes escreve e publica seus textos no site Recanto das Letras [http://recantodasletras.uol.com.br/autores/euripedes]e [
http://www.euripedesbr.prosaeverso.net], além de jornais online como O Globo e sites e blogs de literatura. É autor de AMORES DISPERSOS E OUTROS VERSOS e coautor da 'Antologia Amor em Verso e Prosa', Volumes I e II e da Antologia de contos 'Um dia de Esperança', do Projeto Alma Brasileira. É autor filiado à Câmara Baiana do Livro e membro da Academia de Cultura da Bahia. É casado, pai de quatro filhos e avô de dois netos e uma neta. Gosta de pesca, musica universal, cinema, literatura e viagens.
ribeiro.euripedes@ig.com.br