Carta à DijaniraJá não há coisa possível entre nós, Dijanira.E logo entre mim e você.Nós que outrora desmedidamente nos amamos,Que nos regalamos com tanto prazerNas nossas apaixonadas, noites insones.De mim você tolerou tudo:A embriaguez cotidiana,As discussões sem fim.Até os socos e as bofetadas,Você estoicamente suportou.Eu sinto muito não ter-lhe feito feliz.Amei você, mas meu amo ...
Carta à DijaniraJá não há coisa possível entre nós, Dijanira.
E logo entre mim e você.
Nós que outrora desmedidamente nos amamos,
Que nos regalamos com tanto prazer
Nas nossas apaixonadas, noites insones.
De mim você tolerou tudo:
A embriaguez cotidiana,
As discussões sem fim.
Até os socos e as bofetadas,
Você estoicamente suportou.
Eu sinto muito não ter-lhe feito feliz.
Amei você, mas meu amor insano
Não soube a decência de tratar-lhe bem.
Mais do que amante seu
Amei as ruas e todos os vícios.
E se entreguei a você o meu coração,
A minha alma dei à perversão.
Por isso, Dijanira, melhor que eu me vá,
Que poupe você da minha desastrosa presença,
Que não lhe leve junto para o abismo
No qual arremesso meus dias e noites.
Sei que você vai sofrer,
Pois até aos piores venenos se acostuma.
E é isso que tenho sido em sua vida,
Um tóxico que lhe mina o espírito
E furta-lhe a serenidade.
Por isso, Dijanira, melhor que eu parta,
Que vá para bem distante de sua conformidade,
Pois sua indulgência com meus pecados
É como espelho a refletir os desajustes vários
E as muitas transgressões de minha alma pervertida.
Por isso, sequer posso mais olhar sua face
Sem ficar nauseado pelas tantas culpas que carrego.
Já não há coisa possível entre nós, Dijanira.
Então, enquanto ainda me resta alguma sobriedade,
Digo-lhe: adeus!
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AutoplágioEntre o traço irrealizado
e o branco intocado
da tela à frente,
todo possível sonho.
Basta-me a alma
de poeta das tintas
e a derradeira coragem
de tingir de espelho a trama,
que só reflete
em tudo o que esboço,
em cada ponto e risco,
nada além do que mim mesmo.
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Todo dia, lá vinha JoãoTodo dia, lá vinha João
Com o balde na mão,
Levantando paredes,
Tocando a construção.
Todo dia, lá vinha João
Construindo seu sonho,
Depois do trabalho,
Sábados, domingos e feriados.
Todo dia, lá vinha João
Sem trégua,
Sem descanso,
Alheio às suas dores.
Mas hoje, João não veio
E já não mais virá.
Despertou do sonho da vida,
Para construí-lo, enfim, no céu.
Biografia
Osvandil Silveira QuimasJuventude [1961 - 1979]
Iniciou-se na arte do desenho e da pintura quando tinha a idade de 10
anos, realizando desenhos a lápis e pinturas em aquarela. Quando tinha
11 anos começou a pintar telas a óleo no grupo de interesse do Colégio
Rui Barbosa [Nova Friburgo/RJ]. Data desse período a sua amizade com o
artista plástico Mario César Higgins Ferreira, que o orientou
eventualmente nas técnicas da pintura a óleo e desenho de perspectivas.
Em 1980, estudou durante dois meses técnicas de aquarela com a artista
Claudia Tchembach Dall'aglio. A partir de então passou a desenvolver-se
autodidaticamente, inclusive estudando as matérias do currículo de
desenho e pintura da UFRJ por conta própria. Suas primeiras
participações em exposições deram-se quando o artista tinha quatorze
ano. Desde a mais tenra idade S. Quimas também demonstrou habilidades
literárias, tendo composto versos e escrito textos ainda com dez anos de
idade. Devido às suas preocupações sociais, definiu-se politicamente
pelo Anarquismo, tendo mantido com alguns amigos uma revista política,
na escola onde estudava, de tendência francamente socialista, o que na
época acarretou-lhe alguns problemas junto à instituição. Vivia-se então
sobre o julgo do Governo Militar Brasileiro. Trabalhou para a indústria
gráfica como design gráfico desde 1975, tendo realizado diversos
trabalhos de ilustração e composição gráfica. Participou como letrista
de diversos festivais musicais, onde teve algumas de suas músicas
classificadas entre os primeiros lugares. Aos dezoito anos foi designado
para o I Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, Rio de Janeiro,
aonde não chegou a cumprir a totalidade do Serviço Militar devido a
problemas de saúde. Tendo dado baixa, retornou à sua cidade natal, em
dezembro de 1979.
Carreira Profissional [1980 - 1997]
Após retornar à Nova Friburgo, desempenha diversas atividades e cria no
ano de 1982 o Curso de Iniciação Artística para Crianças nas
dependências do Grupo de Promoção Humana [Nova Friburgo/RJ]. O curso
funciona até 1983, quando passa a ministrar aulas para todas as faixas
etárias na Academia de Artes San Remo, na mesma cidade. Em 1984,
abandona a Academia de Artes San Remo e inaugura um curso de desenho e
pintura no Conservatório Nova Friburgo, onde trabalha até 1986. Nesse
iterem, também desenvolve outras atividades paralelas: design gráfico e
de estamparia, professor da Área de Propaganda do SENAC [Nova
Friburgo/RJ] entre 1986 e 1987, publicou textos em diversos jornais em
Friburgo, tendo mantido por duas vezes colunas semanais, além de outras
atividades ligadas à arte e cultura. Em 1987, inaugura o Atelier de
Artes Nova Escola [Nova Friburgo/RJ], onde com outros artistas e
músicos, além de aulas de desenho e pintura, também de piano e violão
clássicos. A instituição durou até fins de 1989, pouco antes de o
artista resolver mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde já
ministrava aulas de artes plásticas na AMBEP - Associação de
Mantenedores Beneficiários da Petros [1988 - 1998]. Também em 1989 é
eleito o primeiro presidente da Associação de Artistas Profissionais de
Nova Friburgo, que ajudou a fundar, cargo que exerce até a sua partida
para o Rio. No Rio de Janeiro, o artista trabalha incansavelmente nas
áreas de sua atuação num período que vai de sua chegada até fins de
1997, quando novamente retorna a Friburgo. Fez diversos trabalhos na
área de design para clientes como Sulamerica de Seguros, Sony,
Encyclopaedia Brittanica, Federal de Seguros, diversas universidades,
entre outros. Além de trabalhos de desenho e pintura, S. Quimas também
produziu vários trabalhos cenográficos para teatro, balé e
apresentações.
Nova Friburgo [1998 em diante]
Em 1998, motivado por um caso de um menino portador de uma síndrome
especial, cria o Movimento Mundial de Apoio e Informação às Famílias de
Crianças Portadoras de Doenças Raras: Nossas Crianças Especiais [também
conhecido mundialmente por Our Special Children]. O movimento promove
recursos e informações às família de crianças acometidas por doenças
raras [em inglês rare diseases]. Nos anos que seguem o movimento
consegue atender mais de seiscentos casos, mas devido à escassez de
recursos acaba se dispersando nos últimos anos. Cria em 2004 a empresa
Light And Dreams Produções, que além de outros projetos, recupera o
filme 'Geração Bendita - É Isso Aí, Bicho!' [1971], reeditando e
autorando o DVD. O 'Geração Bendita' é considerado o primeiro filme
hippie brasileiro, um marco antropológico na cinematografia brasileira.
Em 2005, participa da criação do jornal Atuar - Educação e Cultura, onde
participa como Editor de Arte e colunista. No ano seguinte [2006] fundou
o Movimento Mundial Armas da Paz, focado na divulgação da doutrina da
paz em todo o mundo. Em 2007, cria o Manafri - Movimento Anarquista
Friburguense [Nova Friburgo/RJ], cujo principal fim é a divulgação de
idéias libertárias e a ação para o bem-comum. Também neste ano, lança o
e-book 'Contos e Encantos', contendo diversos contos de sua autoria. Na
Internet podem ser encontrados diversos textos de autoria de S. Quimas,
além das imagens de seus trabalhos de artes plásticas.
Principais Exposições
1975 a 1980
I ao VI Encontro de Arte. Grupo de Promoção Humana. Nova Friburgo/RJ.
1986
Exposição Coletiva de Artistas Friburguenses. Centro de Arte de Nova
Friburgo. Nova Friburgo/RJ.
II Encontro Fluminense de Artes. Teresópolis/RJ.
1987
II Salão de Verão de Angra dos Reis. Angra dos Reis/RJ.
II Encontro de Artistas Plásticos Friburguenses. Centro de Arte de Nova
Friburgo. Nova Friburgo/RJ.
'Je Vous Salue, Suisses'. Promovida pela Associação Fribourg-Nova
Friburgo e Prefeitura Municipal de Nova Friburgo. Nova Friburgo/RJ.
VII Encontro de Arte. Grupo de Promoção Humana. Nova Friburgo/RJ.
1988
Alma. Exposição individual. Centro de Arte de Nova Friburgo. Nova
Friburgo/RJ.
I Salão de Inverno. Hotel San Moritz. Teresópolis/RJ.
Exposição Coletiva de Artistas. Espaço Cultural Amâncio Azevedo. Nova
Friburgo/RJ.
10 Artistas Contemporâneos. Galeria tempo. Campos/RJ.
Exposição de Ex-Alunos do CENF. Centro de Arte de Nova Friburgo. Nova
Friburgo/RJ.
III Coletiva de Artistas Plásticos de Nova Friburgo. Centro de Arte de
Nova Friburgo. Nova Friburgo/RJ.
1989
V Salão de Verão. Iate Club Brasileiro, Niterói/RJ.
V Salão de Artes da Associação de Artistas Profissionais do Rio de
Janeiro. Centro de Cultura da Academia Brasileira de Letras. Rio de
Janeiro/RJ.
Coletiva de Artistas [Encontro Natureza II]. Fundação Natureza. Nova
Friburgo/RJ.
1991
Inconformismo: A Estética da Modernidade. Câmara Municipal da Cidade do
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ.
1994
Luzes da Serra. Exposição Individual. Centro de Arte de Nova Friburgo.
Nova Friburgo/RJ.
Premiações na área de artes plásticas
Medalha de bronze. II Encontro Fluminense de Artes. 1986.
Medalha de bronze. II Salão de Verão de Angra dos Reis. 1987
Artista da Mais Alta Sensibilidade. Homenagem do Clube Cultural de Nova
Friburgo. 1987
Medalha de Ouro. V Salão de Verão [Iate Club Brasileiro - Rio de Janeiro
- RJ]. 1989
Medalha de Ouro. V Salão de Artes Plásticas da Ass. de Artistas
Plásticos profissionais do Rio de Janeiro. 1989
Melhor obra. Inconformismo: A Estética da Modernidade. Câmara Municipal
da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ. 1991
quimas@gmail.com