MANHÃ DE SEGUNDARaras aves-pensamentoVôos [in]finitos por mares interioresCalotas polares de puro magmaVértices de desejosLampejos carnaisQueFeito sombras paralelas na noite mornaAquecemo-nos com afagosAconchegosBolinadosTato-a-tatoTéte-a-téteQueEm nosso bailado em pas-de-deux lentoAmparados pelo parco arbusto da praçaDefronte a Matriz do ÓTem testemunhasComoA Via-Láctea que não vemos- Em ...
MANHÃ DE SEGUNDARaras aves-pensamento
Vôos [in]finitos por mares interiores
Calotas polares de puro magma
Vértices de desejos
Lampejos carnais
Que
Feito sombras paralelas na noite morna
Aquecemo-nos com afagos
Aconchegos
Bolinados
Tato-a-tato
Téte-a-téte
Que
Em nosso bailado em pas-de-deux lento
Amparados pelo parco arbusto da praça
Defronte a Matriz do Ó
Tem testemunhas
Como
A Via-Láctea que não vemos
- Em Sampa não se enxerga o céu da noite -
As estrelas que sabemos pirilamparem intensas
E outras constelaçãos, inclusa Órion
Que
Acusam o ilicito penal do ato
Apressado
Atrapalhado
A lúdica semi-nudez
De nosso total atrevimento
A nos levar ao quase uno gozo fugidio
Que
Alertados pelos estridentes apitos
Do noturno guarda ainda distante
Num rompante e todo instinto
Nos extinguimos em prazer etéreo/raro
Que
Sublime e precioso amolece
Dois pares de pernas tremulas
- o arbusto não é confortável -
Que
Somos quase pedras de grande massa
Grudadas pela gravidade intensa do ato
Arfando nossos doces cansaços
A duas respirações sufocadas em arritimias
Pouco a pouco a brisa leve da madrugada
O sutil balançar do arbusto
O soturno da praça feita solidão
O retorno ao nosso anterior estado
Nosso pouso paulatino
No ultimo beijo prolongado
E suave
E fomos tão efemeramente eternos
Que
Tal crianças satisfeitas com tanto mel
Infantilmente retomamos
A caminhada interrompida
Que
Agora exalando outros cheiros
Misturados ao dos jasmims-do-cabo
Juntados ao dos manacás
Temperado do das damas-a-noite
Excitamos aos cães e gatos-de-rua
Que
Assim como nós
Não falam francês mas
Percebem a leste o carmim
Da aurora duma segunda-feira
Dia de trabalhar duro
Set/1987
biografia:
Leuzo de SiqueiraPoeta, musico amador, escritor.
toni_o_leuzo@hotmail.com