1-Poemas para matar o amor20 anos de casamento:Eu temo a água calma que recuaDurante minutos incontáveis sobre a terra.Água desconfiada com uma boca que cerraEspumando com lágrimas no olhar de soslaioVidrado no chão com reflexos de chuvas de avisoChuvas raras, nebulosas de memórias, chuvas de maio.Um aviso cinza e tenebroso que faz fermentarO cheiro orgânico do subterrâneo que há em mim.M ...
1-
Poemas para matar o amor20 anos de casamento:
Eu temo a água calma que recua
Durante minutos incontáveis sobre a terra.
Água desconfiada com uma boca que cerra
Espumando com lágrimas no olhar de soslaio
Vidrado no chão com reflexos de chuvas de aviso
Chuvas raras, nebulosas de memórias, chuvas de maio.
Um aviso cinza e tenebroso que faz fermentar
O cheiro orgânico do subterrâneo que há em mim.
Meu sono torna-se vigília para essa água dissimulada
Que habita bélica às margens do peito dos pacíficos.
Melhor seria ser logo inundada numa onda
Desse oceano cego de dor e raiva
Acumulado em longos momentos em afogadas palavras
No engolir de cada golpe de saliva
A cada vez que a voz pacífica regurgita do mar seu eco:
Que só há nada...
Para que poetas?
De que nos servem...?!
Quem tolera esses seres irritantes?
Não há quem suporte os donos das palavras
Cheios de expressões arrogantes
Repletos de rimas vazias
Que falta me faz essa coisa de poesia?
Inerente a tudo que se presta a não verdade,
Pois não seria ela toda metáfora e mentira?
Livrem de mim o fardo de ser rimador
De tudo que é somente alarde
Dessa ladeira de mortos em fila
De nada serve pra mim um eu-lirico
A ausência mórbida da não identidade
Me envergonho de fazer essa falsidade
Que abre um abismo e não me deixa ser.
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If I could tell...
only ,lonly, there is not us,
there is a little pacience with the sun and birds.
E águas abissais tomaram a alma
Em todos os seus alvéolos
Que se desmancharam leves em lã.
E tudo era mancha no canal da fala
Porque não era mais possível dizer
Que se morre nos canais de Veneza
Ou águas de qualquer lugar:
-Não se deve reclamar
a vida insipida, proibida de gritar.
Eu morro nas águas impostas,
Eu afogo de rir da moral torta
Dos filhos mal tratados, mal treinados...
Infelizes, desesperados para não reincidir.
Cometem matricídios ressecados de sal e
Só os pobres podem reclamar seu parto...
Mas é claro que eu não devo gritar:
Sou escrava da cor, do que posso
E da água pressionando meus ossos...
Eu partirei todas as suas palavras
Afundando no meu aquário...entre dicionários
e sem que você perceba meu ser será vários
assim como você me quis ao fogo
Eu me afogarei singelamente na indiferença:
Queimando folha a folha, perdendo meu prefácio
Você que sempre quis todos iguais...
Você que nunca errou,
Você que nunca matou ou sequer esteve sujo:
Meu mar é uma doação ao inerte.
Eu sou Narciso jovem apaixonado.
Eu dormi com as unhas em Wherter.
Eu trai.
Eu trai,sou herege.
Porque eu beijei as estrelas com Vronski e Seixas
Me esfreguei nas mãos de Macbeth
Eu chorei aos pés de Medéia
Era eu quem soprava loucuras a Calígula.
Eu só não suportava
você... que sou eu.
Não gritem minhas palavras...
Eu sou silêncio, um laço no cio
Um soco no ciúme: Eu me trai comigo...
Em águas profundas demais pra me recuperar.
Como eu me desejo infinitamente!
Com os pulmões inflados e olhos no céu
Tudo que eu sinto: fogo calado...cinzas e manchas no papel.
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3-
InfanticidasConclama guerra aos infanticidas!
Eu irei aleijá-los ao tocar sua alma
Os deixarei sob a lua e o vento
Com os pés feridos na água do mar
Eu os farei pedir perdão
E engolir os pequenos cadáveres
Para que sintam no estomago
A dor de descer na terra
Um caixão...
Porque sou filha de um aborto
Sou um homem torto
Um santo mais santo que todos
Pois bebo e fumo minha dor
Esmago terços e contorno os falsos
Cada morto, pela mão cruel
Retorna em mim
Eu sou a terra de onde não há céu.
[Poemas registrados]
biografia:
Polyanna ErvedosaProfessora de Literatura desde 2001. Artista plástica com telas em acrílico e óleo desde 1998 . Mestre em Literatura [UFC] com estudos públicados em anais, revistas e no livro Entreprismas. Doutoranda em Teoria da Literatura Pela Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro em Portugal. Professora de Português e filosofia pelo Estado de Ceará-Brasil
anna_ervedosa@hotmail.com