1ºQuando a cor da minha peleChega primeiro do que eu.Você me nega olhar nosMeus olhos....O sistema, nega-me o direitoQue me pertence e a sociedadeSilencia remetendo-me de voltaA segregação.Sem ofício, experiência eTrabalho, cobram-me faltaDe socialização e, demitem-me.Negando-me o direito de exercerO que tanto me faz precisão, á inclusãoDe socializar-me. DesiludidoRefúgio na solidão.E ...
1º
Quando a cor da minha pele
Chega primeiro do que eu.
Você me nega olhar nos
Meus olhos.
...O sistema, nega-me o direito
Que me pertence e a sociedade
Silencia remetendo-me de volta
A segregação.
Sem ofício, experiência e
Trabalho, cobram-me falta
De socialização e, demitem-me.
Negando-me o direito de exercer
O que tanto me faz precisão, á inclusão
De socializar-me. Desiludido
Refúgio na solidão.
E nessa opacidade que devasta o
Coração e, faz dilacerar as entranhas
Já não há sonho. Alma esta em cárcere.
Com os pés calejados, já não se movem.
De olhos vedados e mãos atadas
Amargo a opressão da negatividade
Contra a pele que de herança auferi.
2º
Hoje escrevo-te para que saibas que dispenso
Tua presença embora ainda me sinta tentado
A não escrever. Mas é necessário.
Para que saibas que entre nos já não existe
...Companheirismo, não fidelidade nem
Lealdade. Você foi por longos anos, minha
Melhor companhia.
Na ausência de tantos outros sentimentos que
Não consegui exprimir, você não me deixou,
Esteve sempre presente. Quando fiquei no
Abandono, lá estava você. Quando não tive
Amigos, era você que nas letras das canções
Falava, vociferava, e se fazia presente.
Você solidão, sempre me viu e exibiu como troféu,
Sempre fez questão de em mim estampar o sinal
De que você era minha melhor companhia. Por isso
Sempre me olhei e fui olhado como se olha para alguém
Abandonado. Mas eu era mais.
Eram complacentes os olhares por isso
Minha presença enfadonha.
Em minhas palavras não havia suavidade.
Nelas sempre soava e se sentia
O odor do desprazer de quem sempre
Na depressão de alguma vivência vivia.
Hoje, solidão, tenho a felicidade de te demitir.
Na actual circunstancia você é indesejada e
Não há espaço para convivência! O sorriso
Que hoje trago e os sentimentos
Que a experiência me trouxe fizeram-me
Solidário comigo.
3º
Me avisem quando a saudade for embora.
Cantarei um cântico a esse amor
Porque dele apenas folhas restaram
E se fizeram lembrança,
Quando olho, vejo-te.
...
Estarás saudade, no ar que respiro?
Será você, saudade, que transpiro?
Procuro entre os vales a beleza sensata de ser.
Encontro na curva o lago, na sombra um
Amor que já durou e hoje, ausente, sente
Que já não é capaz. Capaz?
Sim, capaz de aguentar a ausência da saudade.
Não saio do vale de ser enquanto a saudade
Não desistir de me torturar.
Avisem-me quando então a saudade
For embora. Alguém a viu partir?
Eu e o vale
A saudade e o lago
O lago e a fonte
A fonte e a luz
E eu ausente no tempo.
biografia:
Gleidston Cesar Rodrigues Nasci no Brasil e vivo actualmente em Portugal. Em 2009 lançou o seu primeiro livro de poesia intitulado 'Os sentimentos por trás das palavras'.
Blog
http://www.vivenciaseexperiencias.blogspot.com
Colabora activamente em diversos sites ligados à escrita e às Artes.
Participou em diversas publicações colectivas.
Livros de Poesia:
* 'Delicatta IV Prosa e Poesia', Scortecci Ediotora, 2009;
* 'Contos Cardeais', Mosaico das Palvras, 2009;
* 'Antologia 2010', Temas Originais
* 'Cronistas, Contistas e Poetas Contemporâneos', Scortecci Editora, 2010
Romance:
' Vidas Urbanas'
gleidston74@gmail.com