GARATUJASÀ medida que escolho cresço.À medida que envelheço, colho.São essas duas medidas que me vestem.À medida que me despem, chove:Sustentação;Contemplação;Atrevimento;Indagação;Aniquilamento.Despir-se é revelar-se ou esconder-se.As idéias despidas não tem tamanho.Os sonhos despidos não tem pesadelo.A fera despida nada mais é que um colibri.E esta fera pode ser o medo, pode ser ...
GARATUJASÀ medida que escolho cresço.
À medida que envelheço, colho.
São essas duas medidas que me vestem.
À medida que me despem, chove:
Sustentação;
Contemplação;
Atrevimento;
Indagação;
Aniquilamento.
Despir-se é revelar-se ou esconder-se.
As idéias despidas não tem tamanho.
Os sonhos despidos não tem pesadelo.
A fera despida nada mais é que um colibri.
E esta fera pode ser o medo, pode ser a dúvida,
pode ser o álibi que dará sustentação ao vencê-la.
Estamos constantemente entre um processo ocioso e criativo.
No princípio as figuras não tem forma, as formas não tem medida.
Vamos nos deparando aos cinco anos com fábulas verdadeiras,
aos sete, com indagações e com perguntas,
aos doze, com sustentações que mostram que de certa forma, o ledo engano,
foi necessário para desenvolver nossa capacidade de medir,
se surpreender e encontrar novas perguntas.
Evoluímos no traço, nosso desenho é melhor aos quinze anos,
aos trinta, o risco pode parecer o mesmo,
mas a figura que aparece é outra, fruto das novas idéias,
duma maneira diversa de se universar.
Nos deparamos no envelhecimento com novos aprendizados.
E depois, no limite físico e cognitivo a que nos submetemos,
nos vemos novamente aos cinco anos,
acreditando em fábulas,
desenhando novas garatujas,
descrevendo anjos como cada qual acredita.
Aos noventa, aos cem anos, novos tons tem as cores primárias,
Novas categorias o olho,o olhar e, a arte.
Novos conceitos a modernidade,
a religião e a filosofia.
Nessa idade, tudo pode acontecer!
E o anjo observado,
É a primeira manifestação do quanto podemos criar.
Para sermos recriados!
OUÇACaio na vazão dos poemas antigos,
Grito epifonemas,
Minha voz faz eco,
Faz oco,
Quanto mais eu grito menos domínio tem minha palavra.
Nascido do coice, crescido na picada,
Somando um quase e um nada
Leio meus temores antes de dormir.
Culpa tem o meu desmonte,
Quando o vejo:
Coração não meu,
Uma escada no lugar de perna
Uma algema no viés das mãos
Ao invés do olho um retrô-visor:
Tudo que vejo parece velho,
Outros já viveram antes de mim.
O amor mefafora.
A dor tenta fazer o mesmo mas combina tanto com o primeiro sujeito
Que é de bom grado respeitar o agrado
Da poesia causal desse objeto direto
Nocaute direto -
No peito que ninguém escuta.
AS POESIAS DE AMOR ESTÃO EM DESUSORoda. Mói. Tritura. Usurpa.
Cospe:
Nódoa.
Líquido.
Caco.
Entulho.
Recicla. Constrói.
Se dói:
Se rói,
se doa!
Então faz:
Estrada. Vento. Alegoria. Engenho.
Engendre. Engenhe o fim.
Raspe:
O alpendre.
Desabe.
Fatue.
Forneça.
E depois conclua:
Do que vale o adiante
em sucumbir à dor de descobrir
que uma vingança é o estacionamento
do rir.
biografia:
Marinaldo de Silva e SilvaEscritor, cronista, colunista, poeta.
3 Livros publicados;
4º livro com previsão de lançamento para mês de Junho/2010.
Contador de histórias, para crianças e anciões [profissionalmente] e para todos [como apreciador de bons ouvidos e belas palavras].
mdesilvaesilva@hotmail.com