ÚLTIMA CONFIDÊNCIAA minha vida,Flor margarida,É como fumo que esvaiPelas narinas do tempo;É como o sopro do ventoQue não sabe pr'onde vai...Vaga minh'alma tão tristePor um deserto medroso!E a solidão fria persistePelo meu mundo assombroso!Nesse existir transparente,Em que me vejo afundando,Guardo apenas o presenteDo teu perfume exalando.A minha vida,Ó flor amiga!É como o sol do sertãoQue ...
ÚLTIMA CONFIDÊNCIAA minha vida,
Flor margarida,
É como fumo que esvai
Pelas narinas do tempo;
É como o sopro do vento
Que não sabe pr'onde vai...
Vaga minh'alma tão triste
Por um deserto medroso!
E a solidão fria persiste
Pelo meu mundo assombroso!
Nesse existir transparente,
Em que me vejo afundando,
Guardo apenas o presente
Do teu perfume exalando.
A minha vida,
Ó flor amiga!
É como o sol do sertão
Que queima se piedade;
É como a dor da saudade
Que arde sem ter compaixão.
As formas exatas d'antes
Não se repetem em mim:
Os sonhos voaram distantes,
Buscaram outro jardim.
Outrora, via minha vida
Em verde-bálsamo deitada.
Hoje sou poeira perdida
No vão esquecido da estrada.
E desta vida,
Ó flor querida!
Resta-me apenas deixar
Tudo sangrar, fenecer...
Sem jamais ter que sonhar...
Somente morrer... morrer.
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COMO DOM QUIXOTEAndei por mundos distantes
Enfrentei gigantes
Com minhas navalhas...
Fiz-me 'cavalheiro andante':
Pelo mundo, errante,
Venci mil batalhas.
Minha adorável amada
Era como fada!
Minha 'Odisséia'!
Razão de minha jornada -
Força encantada -
'Doce Dulcinéia!'
Não sabes quanto sonhei...
Quanto desejei
Um abraço teu!
Imaginei um castelo
Num outono belo...
Teu peito no meu!
Oh, fantasias, fantasias...!
Vejo-me em meus dias
Pobre Dom Quixote
Que, lutando por amor,
Apenas lhe restou:
A Loucura e a Morte.
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SONHO FERIDODeusa loura,
Não mais sonharei
O que doura
Os lindos raios de sol
Nas tardes de arrebol.
Nunca mais tocarei
Ao luar
Ou jamais cantarei
Outro olhar;
Nunca mais olharei
As flores
Ou jamais falarei
De amores;
Pois passaste
Com suavidade e calma...
Mas deixaste,
No fundo de minh'alma,
Uma chaga sem cura
Que, por loucura ou sorte,
Há de ser só a morte
Minha glória
E única ventura.
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biografia:
GILMAR PEREIRA LIMA, nasceu no sertão do Pajeú, no distrito de Vila Luanda [Água Branca] em Serra Talhada - PE. Iniciou seus estudos na Escola Reunidas Tibúrcio Valeriano em Serra Talhada. Aos oito anos de idade mudou-se para a cidade de Cândido Sales, interior baiano. Lá, no Colégio Orlando Spínola, concluiu o ensino médio. Anos depois forma-se em Letras pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC. Dedica-se ao magistério desde 1993. É sindicalista da educação desde 2002 e membro fundador do Sindicato do Magistério Público Municipal de Cândido Sales - BA.
Poeta precoce, Gilmar escreve desde os nove anos de idade, quando começou a sentir saudades de sua terra natal. Já participou de vários concursos literários, destacando-se com a publicação de alguns poemas em duas coletâneas no Festival de Inverno da Bahia promovido pelo COREC de Vitória da Conquista - Ba. É compositor solitário e tímido. Mas em parceria com Nilson Dias e Noel Barbosa compôs várias músicas, na maioria delas como letrista. Como compositor participou do Festival de Inveno da Bahia, Festival de Pavão e Festival Rio Pardo. Atualmente, divulga seus trabalhos no site Recanto das Letras e no seu Blog pessoal:
www.vendavais.blogspot.com.
gilprofessor@yahoo.com.br