A LENDA DO PLANETA AZUL[pra Agenor Campos]era o planeta mais lindo da via-láteaflores e aves cantavam por toda parteseres humanos felizes dançavam com a luao sol repartia seus raios pro milagre da chuvadizem que se dedicavam na arte do amore celebravam a vida sem nenhum pudorse amavam por toda parte porque era bonitosemeavam o sêmen o arroz o trigo e o milhomoravam pequenas cidades piramidaisvi ...
A LENDA DO PLANETA AZUL[pra Agenor Campos]era o planeta mais lindo da via-látea
flores e aves cantavam por toda parte
seres humanos felizes dançavam com a lua
o sol repartia seus raios pro milagre da chuva
dizem que se dedicavam na arte do amor
e celebravam a vida sem nenhum pudor
se amavam por toda parte porque era bonito
semeavam o sêmen o arroz o trigo e o milho
moravam pequenas cidades piramidais
viviam em paz entre si e os animais
em pleno gozo e ternura em plena harmonia
até o fim do universo e o começo do dia
era o planeta onde havia solidariedade
ali cada um exercia sua diversidade
se era aceito por ser igual ser diferente
e nada mais tinha valor que a vida e sua semente
as leis eram as que haviam na natureza
viver uma aventura de eterna beleza
o todo era uno e tudo era um ser divino
e a vida era só uma questão de menina e menino
Geraldo Maia
SONETO EM SILÊNCIOPresta-me um favor quando te envolves
pedra argila pele flor de água
teia de emoções sutil anágua
revelando em meio ao que encobres
E neste ponto a veia bifurcada
estaca o arremesso voz embargada
no ápice irrevogável do impulso
que estanca magnífico: a pulso
Nem parece trégua mais uma tocaia
moleque malinando por baixo da saia
lambisgóia trança pimenta de cheiro
Observo teu silêncio ao candeeiro
Um sopro e pronto: o esplendor se instala
Treme a noite é tua luz que fala
Geraldo Maia ERGAM-ME UM MONUMENTOPARA O CACIQUE BABAUDepois de aniquilarem quase todos
Tomarem suas terras e suas riquezas
Homem branco no auge da torpeza
Busca apreender os que estão soltos
Pedindo socorro para sobreviver
Alguns não sabem mais o que fazer
Se enforcam ou se trocam por anéis
Ou caçados e arrancadas as peles nuas
Tem aqueles queimados e a ponta pés
São chutados das terras que são suas
Mas os índios são exímios lutadores
Vendem caro suas vidas aos invasores
E os Tupinambás são um bom exemplo
De que o índio defende o seu templo
Com muita luta com garra e com denodo
Faz de tudo para defender o seu povo
E a natureza que lhe dá tudo na vida
Toda riqueza saúde e paz repartida
Vem da floresta e à floresta retorna
Mas tem hora que o caldo entorna
O índio é obrigado a entrar em guerra
Só faz isso em defesa de sua terra
Ou da vida do povo de sua aldeia
O índio não tem medo de cara feia
De bala coturno tanque zarabatana
Nem de flecha lança facão má fama
Índio só teme perder sua liberdade
Se é prisão melhor que venha a morte
Por isso muitos caem nas reservas
Ou desaparecem nos colos das serras
Outra vez a polícia tenta prender
E humilhar um índio injustamente
Não quer ouvir o que ele tem a dizer
Nem dialogar de forma conseqüente
Só sabe usar a força da violência
Mas não tem poder nem competência
Para chegar com o índio a um acordo
Prefere utilizar os modos do invasor
Age na marra para garantir o soldo
Amplia e perpetua o reinado do terror
A que os índios estão submetidos
Quase todos vistos como bandidos
Culpados dos crimes que cometemos
Até hoje os matamos e os submetemos
Ao nosso modo de vida e os impedimos
De viver a cultura de seus ancestrais
Aniquilando por completo os sinais
As marcas que as tribos trazem das eras
Na verdade só sabemos agir como feras
Contra qualquer tipo de coisa viva
Nós vivemos sem qualquer perspectiva
Que a morte que tornamos mais ativa
Ao fazê-la com qualquer um e sem pudor
Mas os índios vivem em torno do amor
Da partilha e do respeito pela vida
coisas que essa sociedade genocida
desconhece o que não seja mercado
negócios lucro usura juros é o reinado
da total coisificação do ser humano
verdadeira obra prima do tear divino
que a ganância reduziu a mão obra
não satisfeita a sociedade ainda cobra
do índio obediência cega às suas leis
que abdiquem do fato de serem reis
e se reduzam a vermes obedientes
mas o índio se arma até os dentes
pra lutar em defesa de sua herança
suas leis suas lendas a própria dança
as cantigas que contaram os ancestrais
sua visão de mundo e tudo mais
que possa definir um tipo de cultura
em vez disso apontam com tortura
extermínio prisões sanções e drogas
e outras ações das mais retrógradas
e quando o índio assume sua raça
sua coragem seu grito seu poder
então é logo transformado em caça
soldados mandados para lhe prender
apenas porque defende o seu povo
motivo para prender Babau de novo
Mas Rosivaldo Ferreira da Silva
Sabe bem que mais essa tentativa
Tem por trás o interesse financeiro
O motivo de tudo é o vil dinheiro
A rapina das riquezas naturais
As terras onde enterrou os seus pais
O pouco que sobrou do holocausto
O branco quer ampliar o seu fausto
Como sempre fez: matando pra roubar
Impune e impiedoso latrocínio secular
Ergam um monumento ao cacique Babau
Para servir de exemplo aos jovens guerreiros
Ergam-no bem forte invencível e altaneiro
Orgulho dos povos índios do mundo inteiro
Ergam um monumento ao cacique Babau
Nem polícia nem exército lhe farão mal
Porque goza da proteção dos bons espíritos
Chamados a intervir por força dos ritos
Nhanderú Oh Nhanderú protegei Babau
Não deixai que o branco lhe faça mal
Oh Caboclos das matas mais cerradas
Inquices Vudus Orixás Oh Divindades
Sagradas protegei Babau das emboscadas
Jagunços traições invejas e das maldades
Que o homem branco ainda perpetra
Contra as nações de índios no planeta
Não se trata de reservar terras para os índios
Mas de devolver um pouco do que foi roubado
E logo transformado em imensos latifúndios
Para isso é que o exército deve ser acionado
E todo o aparelho repressor existente
Deve agir a favor de proteger e não de punir
A população indígena sobrevivente
Assegurar a todos o direito de ir e vir
De legítima defesa de qualquer vida
Ergam um monumento para homenagear
A coragem do povo Tupinambá
Que sempre foi uma nação aguerrida
Das terras de Buerarema eclode o grito
'Babau escapa ao cerco' pelo infinito
Geraldo Maia
Poetawww.ospoetizadores.com.br
biografia:
Geraldo Maia Santos [Geraldo Maia ]- Natural de Itabuna, Bahia, onde nasceu o dia 7 de outubro de 1951, na Rua São Paulo, tem cinqüenta e oito anos, mora em São Paulo, Vinhedo, Av. Flamengo, 407, Jd. Panorama, fone 19 9420-5695, 19 3836-3117, geraldomaia2007@gmail.com. É separado, três filhos, formação superior incompleta em engenharia civil [ufba] e jornalismo [puc/rj], é formado em biodança, inglês. Ator e diretor teatral [com drt], poeta, escritor, revisor, arte-educador, contador de histórias, dramaturgo, editor, produtor-cultural, ensaísta, co-fundador e coordenador do Movimento Poetas na Praça [Ba]. Como ator atuou em teatro, cinema e tv, como diretor realizou oficinas de Teatro para o CCBB/SP - Projeto 'Novos Olhares sobre o Teatro', em escolas da periferia de São Paulo e em vários CEUs. Como arte-educador realizou em 2004 Oficinas de Poesia Falada - CEUs/SP - Rosa da China, Aricanduva, Pêra Marmelo, na Quadra da Bovespa em Paraisópolis, em Paulínia [ENEP 2002], Campinas [SESC/SEC 2002], Mairiporã -APAE [ 2002], tendo começado a realizar oficinas de poesia e literatura na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, em 1986.
Como produtor cultural criou e coordenou o projeto 'Poesia Nossa de Todo Dia', que reuniu os maiores nomes da poesia baiana e nacional durante quatro meses nos jardins da Ordem Terceira de São Francisco no Pelourinho, criou e coordenou o Concurso de Poesia Falada da Câmara Municipal de Salvador - Troféu Castro Alves, por dois anos consecutivos, as Oficinas Dinâmicas de Poesia para a rede estadual de ensino [2º grau e profissionalizante] da Secretaria Estadual de Educação do Estado da Bahia, É recitador performático [Grupo TOCAPOESIA], tendo realizados apresentações em bibliotecas municipais de São Paulo [Concerto para Voz e Poema] [2002] e participado do projeto Sociedade dos Poetas Vivos. É também ecologista/ambientalista e co-fundador do PV/BA.
Tem dezessete livros publicados, nove de poesia, dois de ficção [romance], cinco de cordel e um de literatura infanto-juvenil, além do prêmio de menção honrosa e publicação em antologia pelo Concurso de Poesia do Banco Capital [Ba].
Tem poemas e ensaios publicados em diversas revistas e jornais como A Tarde [Ba], Correio da Bahia, Revista AbyaYala [Argentina], Revista Iararana [Ba], Jornal Café Literário [SP], Jornal da Praça [SP].Participou dos Saraus de Leitura do departamento de Bibliotecas da Prefeitura Municipal de São Paulo, do Sarau do Alberico no Espaço Cultural Alberico Rodrigues onde também realizou Oficinas de Poesia Falada e de Redação. Exerceu [2007/2009] o cargo de Coordenador de Literatura, Livro e Leitura na Secretaria da Cultura do Estado da Bahia atuando na Fundação Pedro Calmon. Atualmente trabalha como revisor, arte educador e consultor literário em Campinas e Vinhedo, SP, onde reside. É um dos fundadores [2010], junto com o poeta Gustavo de Carvalho e a poetisa Beatris Ribeiro Gratti, do Grupo Performático OS POETIZADORES de
Campinas, SP.
Geraldo Maia Santos [Geraldo Maia]
www.ospoetizadores.com.br
geraldomaia2007@gmail.com