A morte da RazãoEu há muito navego à derivareconheço que é inseguroconfiar na visão cansadada minha velha consciência.Inconsciente eu vivonum mundo que perdeuseu objetivo... Mas,quem não sabe para onde vaique importa o caminho a seguir?O período de paz que outrora vivemosnem sempre nos salvará do futuro turbulento.Superar-se, eis a única razão para que se viveapenas o criar pode iludir ...
A morte da RazãoEu há muito navego à deriva
reconheço que é inseguro
confiar na visão cansada
da minha velha consciência.
Inconsciente eu vivo
num mundo que perdeu
seu objetivo... Mas,
quem não sabe para onde vai
que importa o caminho a seguir?
O período de paz que outrora vivemos
nem sempre nos salvará do futuro turbulento.
Superar-se, eis a única razão para que se vive
apenas o criar pode iludir o alquimista
que perdeu a fórmula do seu amor
pela criação... Eis me aqui, poeta vencido
o lirismo das almas doentes acometeu-me de raiva
mordo tudo e todos, cuspo as faces dos que riem,
dos que brincam de ser feliz...
70 Evan do Carmo O Cadafalso
Eu, o filósofo que pensava subjugar o velho
poeta ocioso... Perdi a luta. Diz Ariadne que
não sou um deus, por isso ela deve me amar
porque me assemelho a uma criança
que se perdeu ao ir à escola...
Uma criança que ainda precisa
de colo, de afeto maternal, de um abraço
desinteressado, de um bombom...
Poeta que diz vício não possuir
que não faz poesia se não lhe sorrir
o espectro da solidão...
Que metα a físicaInsígnias do mal resplandecente
Com mensagem-morte, diz amem
Reverbera um eco desistente
Por entranhas e abismos do além
Numa nuvem de éter inextinguível
O espírito vagueia debilmente
De viver aversão, lógica falível
Com afã de gozar inconsciente.
Sendo fato concreto, abstrato
Guerra humana, infâmia, real
Toda pedra lançada para o alto
Cairá na cabeça de um mortal.
Atraída ao Cadafalso vai pendente
Que invés de viver mata sem luta
Formiguinha faminta não pressente
Que vital para o mal é não ter culpa
Carregando a sina da comédia
Avante, segue. O medo já passou.
Perseguido pela lógica da tragédia
Ao FANTASMA da desgraça se entregou.
Corre poeta, faz outro poema ou então terás mil anos de maldição... De improdutividade.
A trilha obscuraSegue o verso e o teu destino
Não importa saída, só chegada
Um perfeito caminho é desatino
Como flecha lançada no escuro
Tu despertas a lua e a tua amada.
Ela dorme em sonhos nebulosos
Só um verso primoroso a acordaria
Uma ninfa ignara dos prazeres
Separada dos vícios dos mortais
Mutilada por grande tirania.
Não é santa de crença não nasceu
Não comunga da carne o gosto vil
É um anjo errante pelo éter
Supra luz que das trevas emergiu.
biografia:
Evan do CarmoJornalista, poeta e filósofo. editor da revista leitura e Crítica... Autor de 6 livros
evandocarmo@hotmail.com