Bicos-de-papagaio Seu sorriso entristece à tardecomo os bicos-de-papagaiosuas pernas embalam as ondasdo mar.Cada estrela cadenteé uma ilha deserta em seus lábios.Caminho por ruas vazias de gente,ruínas,todas me levam a seu corpo molhado.A madrugada,como seus passos e vôos noturnosembalam os sonhos mais delicados.Pássaros enfeitam o corpodesnudo de luz,Sil&e ...
Bicos-de-papagaio
Seu sorriso entristece à tarde como os bicos-de-papagaio suas pernas embalam as ondas do mar. Cada estrela cadente é uma ilha deserta em seus lábios. Caminho por ruas vazias de gente, ruínas, todas me levam a seu corpo molhado. A madrugada, como seus passos e vôos noturnos embalam os sonhos mais delicados. Pássaros enfeitam o corpo desnudo de luz, Silêncio nas galhas do pessegueiro
Joana
Pelos trilhos da vida eu trilho como árvores submersas na caótica dos dias meus galhos se moldam aos sons das cotovias por um portal inimaginável imagino o mundo e as andorinhas penso na minha despetalada como penso os dias ou apenas me comovem as horas que por desejo do destino ocultos pesadelos de vampiro me vejo a céu aberto sem Joana em imagens que se distorcem frutos da natureza humana e se desfazem feito brisa leve e fria ou num sol que nasce torto, sem poeta inibe a lua de crescer e nas curvas tortuosas de um tempo juro sempre te proteger por sobre esquinas entreabertas no beco dos poetas ora partida, ora chegada nos tonantes de minha estrada manga-rosa, alecrim e goiabada vive linda e sempre... Joaninha que bate asas a minha despetalada.
Deus de porcelana
amanheceu o sol se escondeu os relacionamentos são sempre mais superficiais o poeta não acordou toma choques da platéia apresentadores brincam de métricas transexuais uma centena de casas de vidro iluminam meu caminho meus sapatos caminham sozinhos por entre vitrais um corpo de luz e outro dígito, Manifesto lignívoro tatuo em meu corpo seus corais a lâmina de barbear proporciona ângulos opostos aos meus sinais
disritmia, melamedi, hiper-texto textualizo uma tela de Kandinsky.
Me escondo na estampa da sua saia saio do mundo das metáforas crio dúvidas e enigmas de seus signos recebo um e-mail de Vinicius, as borboletas que antes voavam cochicham segredos e vertigens. Um Deus de porcelana habita meu banheiro cultuo oráculos vespertinos respiro o ar fresco e tranqüilo do espelho me informo na forma de seus cílios.
biografia: Branco Di Fátima Jornalista, poeta e escritor mineiro, do Vale do Jequitinhonha [MG]. Especialista pós-graduando em Produção e Crítica Cultural. Correspondente do portal de notícias culturais Onhas - www.onhas.com.br - cronista dos jornais Diário de Teófilo Otoni e Nova Imprensa. Agitador cultural e político. Defensor dos Direitos Humanos. Foi premiado em vários concursos literários pelo país afora como: 1º, 2º e 3º lugares no Festivale [Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha] em 2006, 2007, 2008 e 2009; 1º lugar no Concurso de Poesia Adélia Prado e 2º lugar no Festival de Crônicas Jornalísticas Roberto Drummond. É autor do livro de poesia Ruas vazias de gente e organizador do livro Outros Olhares - debates contemporâneos [Coleção Olhares do Dissenso]. Tem textos publicados em diversos livros, jornais, revistas e sites, além de prestar serviços de assessoria de comunicação para projetos culturais.