MUDANÇAHOJE vou mudar.Não olharei o mundoda forma como sempre olhei: taciturno.Terei os olhos para a naturezae terei os olhos para as pessoas.Sairei à porta da rua onde moroe verei o que está ao meu ladoe o que está ao meu redor.Os olhares que estarão a minha voltanão são os mesmos que estarão a volta dos que me olham.Aquele que me olh ...
MUDANÇA
HOJE vou mudar. Não olharei o mundo da forma como sempre olhei: taciturno. Terei os olhos para a natureza e terei os olhos para as pessoas. Sairei à porta da rua onde moro e verei o que está ao meu lado e o que está ao meu redor. Os olhares que estarão a minha volta não são os mesmos que estarão a volta dos que me olham. Aquele que me olha me vê diferente do que pareço. Quem eu olho vejo sempre igual ao que vejo e ao que me parece. O pé de pitanga que cresceu na calçada da rua onde moro está florescendo. Meu pé de pitanga está floresceu. O mesmo pé que minha sogra cuidou e meu sogro beliscava. Fica bonito na hora do fruto. É como a hora do parto, a exuberância incumbida por Deus. Hoje estou mudado. Já percebo detalhes que nunca havia notado. Pintaram a casa em frente de onde moro. O cachorro que pertence a minha vizinha não late mais. Nem eu reclamo mais. Estou mudado. -----------------------------
ORIGEM
........... NADA. UM SOPRO. UM ALENTO. UMA RESPIRAÇÃO: PROGNÓSTICO DE UMA VIDA SEJA ELA QUAL FOR. -----------------------------
A LÁ PESSOA
ÀS VEZES não percebo que tenho os pés é como se não os tivesse. O pensar é um vazio cheio de dor e dói-me quando o calçado é menor que meus pés. Aperta como se fosse o último gole Sacia como se pressentisse a última gota.
Ás vezes sinto as sombras de meu terno a me perseguir. Luto e livro-me da perplexa sombra que não respeita ao menos meu medo. Como meu medo fosse eterno embora seja ele uno e consciente. Não serei o que brada nos campos ainda impuros, nem o que grita esperando o eco das cavernas. Serei apenas a caverna. Serei apenas a sombra.
Estou em repouso como o cinzeiro a minha frente. O retrato que guardo de mim está do avesso. Estou do avesso como a camisa que cobre meu dorso e ela não é maior que o mundo pois nela cabe meus braços esguios e naquele não cabe minha dor.
Estou em repouso. Apenas uma mosca vadia rebimba suas asas em meus ouvidos.
biografia: Wagner Marim Trabalhos na Antologia de Pinheiros, na Antologia dos Poestas de Vila Prudente, São Paulo-Brasil e lançamento em 20 de agosto de 2010 na Antologia dos Poetas Brasileiros-Volume I na Bienal Internacional do Livro em São Paulo, pela EDITORA IN HOUSE, 2º lugar no Festival de Música Brasileira na cidade de Lins-São Paulo-Brasil em 1971.