O caçador de adjetivos Procurei em toda a etimologia, cacei palavras como quem caça borboletas.Olhei em dicionários sábios e antigos, abarrotados de palavras,Algumas novas em folha, outras mortas há tempos.Porém não encontrei adjetivos que me descrevessem com precisão,Este sentimento que me brota peito afora e que já inundou minha alma,Que entornei ao chão por não mais caber em mim.Inda ...
O caçador de adjetivos Procurei em toda a etimologia, cacei palavras como quem caça borboletas.
Olhei em dicionários sábios e antigos, abarrotados de palavras,
Algumas novas em folha, outras mortas há tempos.
Porém não encontrei adjetivos que me descrevessem com precisão,
Este sentimento que me brota peito afora e que já inundou minha alma,
Que entornei ao chão por não mais caber em mim.
Indaguei as estrelas, li nas escrituras.
Campeei em canções, em centenários sambas e boleros.
Ouvi nos trilhos do trem.
Ninguém me disse coisa alguma.
Cavouquei fundo e mais fundo;
Vi que o chão também é mudo.
Prestei atenção aos burburinhos corridos de boca em boca
Que, como sempre, nada acrescentavam a meu ego.
Bracejei aos campesinos, nos campos de arroz:
Nada me responderam,
De tão timoratos, chegam a beirar a rudeza.
Nos palácios de tiranos reis autoproclamados,
Adentrei sorrateiramente,
Temerário e silencioso tal como um felino,
Sob o risco mortal e gritante [medo de ser degolado por um guarda
carrancudo],
Procurando matar de vez minha gulosa curiosidade,
Novamente, ela ficou insatisfeita.
Afirmo [temendo parecer cabotino], que me luzi feito candeeiro,
Para vasculhar no âmago mais escuro do meu ser
A melhor resposta para minha inquirição.
Até que hoje, finalmente revelou-se o que me era nebuloso.
É inefável o sentimento que carrego,
um sentimento que vem dos corações impolutos,
Do primor da liberdade eterna,
Das virtudes, muitas vezes, tremulas,
Da vida vivida plena e desapegada,
Do amor sorvido sempre, com devoção, até a derradeira gota,
Do tempo, que passava rápido...
E, a partir de agora, tende a andar lentamente.
Estranho Quase sempre tenho saudade, do que passou há menos de um minuto.
Sinto a brisa no rosto, e o aroma que traz consigo,
E me lembro de quando todas as fragrâncias eram únicas...
Quando a brisa era novidade.
Sei que o fulano semi-vivo que hoje aqui se encontra, Alheio a bruma e
ao frio,
É o oposto daquele que jaz em coma
Silenciado e soterrado sob o peso das próprias costas.
Sei também que o empalidecido sujeito que, sem expressão fita o espelho,
É um quinto da sombra do que pensou ter sido um dia, e olha
desaprovando:
-De que cor eram teus olhos?
O retrato na parede ostenta um sorriso eterno.
Suas feições se assemelham as minhas, porém, tenho dúvidas.
Enquanto enxaguava pensamentos,
Avistei no ralo, um fio cinzento e moribundo,
E pensei em como antes, assim como meus cabelos,
As cores eram mais vívidas, mais intensas.
Dum eco no corredor se fez ouvir uma opaca voz
Que eu aturdido, estranhei.
Parecia ferida a garganta que a provia.
O som de um peito parco, de pulmões parcos.
A voz não dizia nada, porém, eu entendi tudo.
A criança se perdeu.
Entre o salto da laranjeira,
O afoito beijo adolescente,
E a matinal batida do cartão de pontos.
Ela não foi a 'Terra do Nunca', nem mesmo conheceu 'Peter Pan',
Contudo, sem que eu percebesse... voou.
Implacável é o relógio que desconhece o peso de cada badalada.
Cada segundo marcado, me é um segundo furtado.
Uma fração de meu tempo que será doado à eternidade,
Mas, não a minha.
Fim de noiteTriste sempre é não saber
Saber o que se deve sentir
Sentir sem saber
Não saber o que sentir
Sufoca o tempo
Tempo de ficar
Ficar sem tempo
Tempo de sufocar
Dói o que era inerte
E surge abruptamente
Rasgando o caminho
Deixando pegadas
Que droga de noite
Que wisque ruim
Termina sempre igual
Solidão e Embriaguês
Num único copo suado
Erik machadobiografia:
Erik Aparecido Machadosou brasileiro ,com orgulho,nativo de Mogi Guaçu,amante da vida ,acima de tudo e das artes,por consequência.
ericaparecidomachado@hotmail.com