A CIDADE A cidade geme e treme no mormaço do di a intrepidez da agonia cotidiana. A engrenagem voraz voa, dança e balança a aridez do progresso irreversível. A cidade trinca com a bala perdida e o menino brinca alinhavando a vida. A lira de cimento alinhavando o bronze bo ...
A CIDADE A cidade geme e treme
no mormaço do di
a intrepidez da agonia
cotidiana.
A engrenagem voraz
voa, dança e balança
a aridez do progresso
irreversível.
A cidade trinca
com a bala perdida
e o menino brinca
alinhavando a vida.
A lira de cimento
alinhavando o bronze
borda a esperança
e embala o sonho.
ESTAÇÕES A vida amanhece, emudece, espairece
se fatiga e se cansa como criança.
A vida engatinha: e anda e se aninha
urde a compostura e sonha a altura.
A vida escorrega, raquítica navega
aurorecendo brilho e vontade de existir.
A vida teimosa: lima preciosa
liga ao fugidio resistindo ao gatilho.
PROPOSTA O Senhor é o Deus do livramento:
quebra as algemas da rejeição
caem por terra as previsões
e prognósticos humanos.
O Senhor muda a história:
e a ferida recalcada
abre-se num veredicto
de seleta experiência com o Rei.
Jesus é a resposta:
o vaso que revigora o barro
do agente renascido
na plenitude do Espírito Santo.
O Pai transforma a circunstância
num espetáculo de bênçãos
o deserto em realeza de milagre
que precede vitória.
No treinamento das adversidades
Deus age com poder:
aprenda a lutar e vencer
com a alma recriada
e aplaine a dor ao nada
em fonte: alegria e força.
O Senhor é fiel
derrame-se diante dEle:
seus sonhos, projetos, esperanças...
e a aliança do Altíssimo
endireitará sua vida.
VITRINE MODERNA O século veloz
é dia atroz
espetando sonos
projetos e sonhos
da era de bronze.
Emoções machucadas
andaimes sinistros
vão urdindo máscaras
e rochosas cascas.
O corpo é vitrine
ao amor de vidro
de incontáveis, frias
relações descartáveis.
É preciso resgatar a Terra
da volúpia fugaz
do engano voraz...
Que amordaça o entendimento
cauteriza o sentimento
e aprisiona o coração.
GRITO ECOLÓGICO Fios disformes
insistente lamento
chuá das águas
em seu último suspiro.
Sinuosas cicatrizes
choram lastimando
barrancos trincados
valentes valetas.
O mugido das pedras
num eco, num grito
sofrendo os agravos
acorda o infinito.
Se debatem ao relento
os morros, o vento
e extinguem bichinhos
agrotóxico à morte.
Mercúrio nadando
peixinho elimina
aniquila espécies
compromete o mundo.
Há que se salvar
enquanto houver vida
cessar o extermínio:
o pânico, o caos.
O ENGRAXATE Madeira maciça
escova, graxa, lustre
lhe garante o pão.
A sujeira nas mãos
o caixote nas costas
e o brilho no olhar
fulminante a cada moeda
que lhe pinga o bolso.
Chinelos, short curto
camisa maltrapilha ...
Segue o menino
- inocente e feliz -
engraxando sonhos
clamando dignidade.
PIVETE Um menino no frio
treme ao arrepio
da frieza moderna.
A avenida comprida do destino
cruza indiferente
o pivete indigente
mendigando dignidade.
Um menino geme
exposto ao relento
do cruel cimento.
Linhas convergentes
desfilam contentes
cauterizadas á dor
do menino sem amor.
Geme ao arrepio
coração vazio
de colo, de afeto
aconchego e teto.
Um menino apenas
sagra a avenida
correndo, sem rumo
de costas pra vida.
Biografia:
Ana Luiza de Lima - Rio Verde-Goiás - Graduada em Letras Modernas pela Fesurv-Fundação do Ensino Superior de Rio Verde. Pós-Graduação com mestrado pela UFG. Pos-graduada lato-senso com especialização em Planejamento Educacional, pela Associação Salgado de Oliveira e em Literatura Brasileira, pela PUC-MG. Membro das instituições literárias UBE-GO, Academia Rio-verdense de Letras, Artes e Ofícios, Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, ALESG - Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás.
Integra as antologias literárias As Botinas de João [Poemas, Contos e Crônicas], Edições Feclip, 1990, III Concurso Kelps de Poesia Falada, 1999 e IV Concurso Kelps de Poesia Falada, 2000. Inclusão no Dicionário do Escritor Goiano, de José Mendonça Teles, UBE-GO, 2000. Participação no CD Goiás 250 Anos. Publicou o livro Reviver Viver e Ver pela UP'GRAFF EDITORA LTDA, de Goiânia.
Detentora de prêmios literários em poesia dentro e fora do Estado. Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da rede pública e particular de ensino.
Casada com o Professor e Poeta, Paulo Ananias, têm um filho, João Gabriel.
Professora no Instituto Superior de Educação - FAR - Faculdade Almeida Rodrigues.
Portadora de anomalia locomotora na perna direita, por anoxia cerebral no nascimento.
Ana Luiza de LimaE-mail: analuizadelima@yahoo.com.br