A QUARTA PAREDENo fundo do eu,espectador do imaginárioe das contradições,assisto o meu elencona passividade de plateia que sou.Figurante do que sintoenceno os diasna arena de coadjuvantesque protagonizamo sonho improvisado desta ficção.Cômica caixa cênica em suspensão de descrençaque o auditório não vê,embora pense que creia.Parede imagináriano invisível deste pedaço de vidaa confun ...
A QUARTA PAREDENo fundo do eu,
espectador do imaginário
e das contradições,
assisto o meu elenco
na passividade de plateia
que sou.
Figurante do que sinto
enceno os dias
na arena de coadjuvantes
que protagonizam
o sonho improvisado desta ficção.
Cômica caixa cênica
em suspensão de descrença
que o auditório não vê,
embora pense que creia.
Parede imaginária
no invisível
deste pedaço de vida
a confundir o elenco.
Palco de invasores sentimentos,
nas coxias intransitáveis da alma,
que não vêm à cena.
Mundo lúdico enredado
na rotunda da emoção.
Quarta parede a impedir o sim
quando a plateia
só enxerga o não.
Paulo Franco INFINITOSobre uma parte
do que sei, escrevo
e se não sei, me calo.
E do que escrevo,
uma parte eu nem sei,
e mesmo assim, às vezes, falo.
Sobre o que sinto
uma parte escrevo
pra tentar saber
o que de mim eu minto.
E nunca sei se escrevo
a parte que me cabe
do que sei de mim
e , às vezes, calo
pra fingir o que não sinto.
E sei que do que sei,
à parte, no que escrevo,
parte não me cabe
já que eu só pressinto.
E no que sinto deste pressentir
há o conflito entre o silêncio e o grito
transformando o poema
em linguagem de infinito.
1º Lugar - IV Varal de Poesias - Maringá-PR
Paulo FrancoA TERRA DAS CRIANÇAS PRETASE os soldados brancos
sentinelam as crianças pretas.
E as crianças pretas
já não brincam de marchar
e observam os desfiles
dos soldados brancos.
E os soldados brancos
nunca brincam
vigiando
esta terra de crianças pretas.
E as crianças pretas
se acostumam a jamais serem soldados
e só brincam de crianças pretas
dominadas por soldados brancos.
...Pois que ser soldado
deve ser só para crianças brancas
que já nascem dominando
até os sonhos das crianças pretas.
Paulo FrancoBIOGRAFIA
PAULO FRANCO - Nascido em Santo André a 20 de agosto de 1960, passa a residir em Rio Grande da Serra a partir de 1964. Sua produção literária inicia-se ainda na infância. Em 1974 é homenageado pela criação do poema 'Minha Terra', que se torna o primeiro hino do município. Em 1979, publica, pela Editora Formar, PLANO DE VÔO, seu primeiro livro de poesias, em parceria com Antonio Bosco e Dirceu Ramos. Em 1981, pela Milesi Editora, publica, com Antonio Bosco , o livro AI-5, poesia engajada, que representa o momento de transição à abertura política do país. Forma-se em Letras em 1983. Em 1985, lança OUTROS TANTOS, poesias que refletem o amadurecimento do seu estilo poético. Em 1986 efetiva-se como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo na Escola Dr. Felício Laurito. Forma-se em Pedagogia em 1987. Em 1988 especializa-se em Supervisão Escolar. Casa-se com a, também professora, Rita Nunes. Nascem os filhos Thaís Franco em 1989 e Vinícius Nunes Franco em 1991. Atua como Diretor de diversas Escolas, dentre as quais se destaca a E.E. João Roncon, no Jardim Luso, onde desenvolve reconhecido trabalho no campo da participação popular visando a busca de qualidade total para escola dos filhos dos trabalhadores. Atua também como Supervisor de Ensino e concomitantemente desenvolve militância política, em especial, junto ao Sindicato dos Professores da Rede Pública Estadual. Nos anos seguintes, dedica-se à criação de NOTAS DAS HORAS, publicado em 1995 pela Scortecci Editora e lançado na antiga Delegacia de Ensino de Ribeirão Pires. O livro surpreende a crítica, que aponta para a 'necessidade de estudo mais detido e acurado de sua obra', por 'reunir poemas de expressão maior, que situam o poeta como um dos principais representantes da produção literária da região'. É homenageado com o Prêmio Diretor de Escola Destaque de 1998. Em 1999 lança PÉTALAS DE INSÔNIA, pela Cranchi Sobrinho-Editores, livro que na voz da crítica 'explora o sentimento humano de forma revigorante, com versos que trazem um achado muito peculiar e dão a sintonia entre paixão e compaixão pelos humildes e oprimidos'. Ainda em 1999 participa do Projeto 7 Anos- 7 Cidades-Culturas, evento organizado pela Livraria Alpharrabio. Em 2000, após participar da criação do grupo ' Resistência Pela Base', é eleito vereador em Rio Grande da Serra. Renuncia ao mandato em 2001. No mesmo ano lança PAISAGENS DO OLHAR, obra prefaciada por Frei Betto e editada pela Alpharrabio Edições. Muda-se em 2002 para Ribeirão Pires e passa a atuar como professor da E.E. Profª Ruth Neves Sant'Anna. Em 2005 publica em capítulos a fábula UMA ESCOLA FABULOSA no jornal Folha de Ribeirão. Esta obra é reconhecida pela Fundação Cultural Foz do Iguaçu - Prêmio Cataratas , como uma das melhores do Brasil no ano de 2008. Em 2007 publica DO OUTRO LADO DO OUTRO - obra editada pela editora Espaço Editorial, com noite de autógrafo na Câmara Municipal de Ribeirão Pires. Nos anos seguintes tem diversos poemas premiados em âmbito nacional e internacional. Em 2010, pela Editora Multifoco - Selo Vale em Verso , publica A QUARTA PAREDE , obra que ao olhar da crítica 'insere Paulo Franco nos mais altos patamares da Literatura.'
poetapaulofranco@terra.com.br