Para a mulher amadaMulher, te amo,e nem sei bem porquê.Me confundo quando te assanhas,e então, falham sempremeus artifícios e artimanhaspara mais te aprender.Não será tua beleza,nem tanto o teu jeito de sere ficar me olhandoco'os olhos oblíquos, parados,quando estamos a sós,perdidos pro mundo,trêmulos e apaixonados.Tua cabeça lúcida... não,nem a suave incerteza que me passas,e que tradu ...
Para a mulher amadaMulher, te amo,
e nem sei bem porquê.
Me confundo quando te assanhas,
e então, falham sempre
meus artifícios e artimanhas
para mais te aprender.
Não será tua beleza,
nem tanto o teu jeito de ser
e ficar me olhando
co'os olhos oblíquos, parados,
quando estamos a sós,
perdidos pro mundo,
trêmulos e apaixonados.
Tua cabeça lúcida... não,
nem a suave incerteza que me passas,
e que traduz o nosso dia-a-dia.
Talvez, quem sabe, a cartesiana harmonia
dos mesmos olhos em mim fixos
ou de teus arroubos prolixos
quando discursas sobre as artes
e a vã filosofia.
Teu corpo... quem sabe?
É justo que também por ele te ame,
pois que nele sempre
me acabo exaurido;
porém, me atrai sobretudo
em ti tua inocência bruta
de menina moleque e a perigo;
teus ciúmes e a contida impaciência,
e até o cruel desdém que me impinges,
quando às vezes finges brigar comigo.
Me pergunto porquê te amo assim...
mas desisto. Enfim, desanimo,
e já nem mais sei o que definir.
Te amo apenas, tão urgente
e de um modo tal, que me
machuca e envenena,
mas que traz em si,
pequena, o antídoto
e a cura final.
EnluaradaNo provisório encontro contigo, moça,
que mansa e sem compromisso me apareceu
[como o deslizar das nuvens no céu, e das estrelas],
com pequenina voz e o sorriso discreto,
quase forçado, um sorrir delicado de gueixa,
volta sutil em mim a emoção antiga
de uma quantidade pouco conhecida,
ou desconhecida, fora
do plano comum do meu dia-a-dia -
quantidade
que relutantemente te indefine,
não nega nem afirma,
nem se vangloria ou se queixa
[e que me modifica, transforma,
corrompe e delicia].
Mulher... Contudo, no meu coração abalado
assumes a imagem mágica de criança, de menina,
quando te entregas, iluminada e repentina,
porém tão raras vezes! -
menina indecisa, mas não desamparada;
fugidia garota, que concede,
sim, mas não deixa...
[Sabes?
Teu mapa desvenda p'ra mim regiões semi-ocultas,
de selvagens e intocadas florestas,
teu mapa me comove e maravilha...]
***
Conversamos... Tentas me explicar
com minúcias tua vida. Entretanto,
fico vencido por tua beleza,
a mente fica perdida,
me afundo no doce encanto,
e não entendo bem teu significado...
Na incerteza que me invade,
nos negaceios das tuas falas,
o mundo p'ra mim fica parado,
remoto e sem ação,
e então nada mais me importa,
além de ser querido por ti.
Vê então, menina noturna,
porque te não descubro:
é que agora palavras são demais, e contigo
meu idioma é sempre mudo de letras,
e pleno de emoção...
Vê, que o gesto meu antigo
de te tomar nos braços diz tudo,
e que mais aprendo no tremer
do canto do teu lábio
do que em mil frases,
tu, que me desequilibras
com esse olhar sonhador e curioso...
[Fica sabendo, menina,
que mais me instiga o modo dengoso
com que dizes teus nãos quase talvez -
por sussurros e gemidos, quando falas
co'as pontas dos dedos,
se te peço coisas de loucura,
coisas proibidas...]
Mas olho p'ra lua, e sinto que a vida é bela,
e enfim flui vitoriosa novamente...
Sabes? Sou bruxo, sou vidente,
e pra mim és uma flor,
uma rosa amarela...
Sou o observador intransparente da mágica paisagem,
e por isso sempre repouso meus olhos no teu rosto.
Quero mais te conhecer, minha mulher-menina,
correr teus labirintos, penetrar
teus mais profundos segredos, tua raiz.
Mas desanimo por te traduzir tão mal,
pela tentativa infeliz
e fracassada de te saber mais,
por te estudar assim em vão.
Apenas te comparo, e me desminto;
perco a paz,
revejo e repasso tudo,
e enfim me percebo,
me percebo até demais.
E silencio, entre orgulhoso e humilde,
quando olhas p'ra lua no celeste anfiteatro
[palco invertido, pleno de coadjuvantes estrelas]...
Deixo de lado minhas falas, as belas
palavras que sairiam confusas da minha boca,
e te falo co'o coração,
e me apego à última tentativa de te entender,
à única certeza absoluta minha
em nosso cenário e encenação:
Te amo muito... E me és essencial, menina,
assim como a lua, no escuro debruçada,
o é p'ros loucos e p'ros apaixonados. Como a lua,
que nos espreita e ilumina
quando à noitinha passeamos na rua,
desrumados, distraídos, sem direção...
Meus olhos sempre em ti,
minha mão na tua,
menina-moça feita de discreta luz
e contida emoção.
______________________
Via LácteaSempre que vejo a lua
vejo uma lua descaroçada
por mil olhares parelhos
de outros mais sonhadores.
Lembro então de tuas nádegas
[ou maçãs do rosto, ou joelhos]
Fico co'o pescoço duro, meu bem,
mas não paro de olhar...
[Lembro enfim dos teus seios,
luas gêmeas, únicas,
quase minhas]
Sempre que vejo a lua
o ar fica mágico co'a tua presença.
Ergo os olhos pro céu
estou na rua,
na madrugada...
Nada importa então, nada:
não escuto os conselhos
e nem sigo as regras
de poetas outros como eu,
bissextos,
que divagam em outros sonhos,
outros pensares.
E nem me comove a sorte madrasta
[deles, poetas]
se proclamam aos quatro ventos
com voz límpida, resoluta, forte
a derrota da morte, e
a cura de todos os males
[os próprios, e os da humanidade]
co'a farmácia da paz, da canção, e do amor...
Pois tudo isso prá mim fica vazio, sem cor,
sem sentido, sem vida,
se não estás aqui, comigo, querida.
Bate então uma tristeza imensa,
uma saudade...
Mas quando olho mais pr'além, lá pr'o infinito
as dores minhas se vão pra outros ares, e
me invade aquela ternura antiga,
pacífica e contida,
autista, louca e solitária...
E quando enfim meus olhos alunecem
é que já quase tenho a ti;
finjo que sou teu astro-rei
e que és meu satélite.
Na minha cabeça aloucada
te tomo nos braços, nua,
e resplandeço só pra ti, moça celeste.
Então te possuo com ânsia,
com fome libertária,
e me orvalho contigo no meio da rua.
[Sou agora teu valente escudeiro,
teu guardião, o dono da rosa.]
E tudo some no meio
da tua nuvem de algodão,
macia, doce, cristalina, cheirosa...
E as casas da rua somem,
E a rua se vai num turbilhão... As vozes
já apenas sussurram, emudecem,
e o tempo pára.
Os poetas da noite e suas musas se vão,
e a vida inteira fica suspensa
no brilho dos teus olhos
emocionados.
Deito então teu corpo no éter frio, no ar,
na Via-Láctea, e brilho só pra você,
menina mágica dos meus sonhos,
minha pequena moça lunar...
biografia:
Fernando NaxcimentoNa Arte, faço de tudo um pouco: desenho, pinto, faço cerâmica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos científicos e livros da área médica. Fiz algumas exposições de cerâmica e desenhos no Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Rio das Ostras e São Paulo. Um livro publicado [em co-autoria]: 'O Ensino de Primeiro Grau'. Poesias publicadas isoladamente em vários jornais alternativos do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Campinas, Búzios. Artigos em jornais daqui de Búzios, onde moro. Formado em Pedagogia da Arte e em Medicina Veterinária [por isso, dei muita aula de Educação Artística, sobretudo Cerâmica, e trabalhei bastante como veterinário de campo]. Ex-professor universitário - na cadeira de Composição II de Arte na Faculdade de Arte do Centro Educacional de Niterói, e de Bioquímica e Fisiologia em algumas Faculdades do Rio de Janeiro. Mestrado [ainda não defendido] de Patologia Experimental pelo Departamento de Patologia Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói / Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo. Vivo aqui no paraíso de Búzios há 12 anos... na Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clássico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiação do bairro do Caramujo, em Niterói... Meu bloco carnavalesco para sempre: 'Filhos da Pauta', também de Niterói. Meu projeto atual: estou envolvido na edição de meus contos e poesias em forma de e-book [antes da edição em papel...] e numa exposição de desenhos e guaches a ser realizada em breve no Rio de Janeiro e, aproveitando o embalo, em outra, cá em Búzios, só de esculturas de barro. Hoje em dia, pertenço ao Conselho Editorial e escrevo de vez em quando no Jornal Primeira Hora, único diário de Búzios. Fui diplomado Cidadão Buziano, o que muito me honra. Sou membro imortal da Academia de Letras e artes Buziana. E, vez por outra, vou conversar um pouco sobre cultura e otras cositas más no programa Bom Dia Búzios, na rádio Búzios-Cabo Frio AM1530. Frase para me definir: odeio incondicionalmente qualquer tipo de preconceito. Adoro minha praia Rasa, onde vivo, sou da noite, sou festeiro, e meu Triângulo das Bermudas é o eixo Rio - Niterói - Búzios. Meu maior vício é conversar [sempre! muito!...] com as pessoas - jogar conversa fora, filosofar, falar sobre cultura, rir... Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida. Profissão de fé: amizade acima de tudo!
axaxaxas@terra.com.br