UM CANTO DE LIBERDADESinto que ao nascer, morremos ...Partimos de algum lugar sem bandeiras,Para outro, que não escolhemos,Separado por abismos e fronteiras. Entre incontroláveis circunstâncias,Embalados em noções que herdamos,Sacrificamos a integridade da razão E avançamos guiados por sentimentos,Que não consultam o coração. E se não vigia o consciente,Perde-se a liberdade Por escolhas ...
UM CANTO DE LIBERDADESinto que ao nascer, morremos ...
Partimos de algum lugar sem bandeiras,
Para outro, que não escolhemos,
Separado por abismos e fronteiras.
Entre incontroláveis circunstâncias,
Embalados em noções que herdamos,
Sacrificamos a integridade da razão
E avançamos guiados por sentimentos,
Que não consultam o coração.
E se não vigia o consciente,
Perde-se a liberdade
Por escolhas inconsequentes.
Todavia, tragada pelo tempo,
Passará toda circunstância,
Mas, o Eu que reflete
A essencial instância
Não passará nunca;
Passará meu eu peregrino,
Fusão de etnias,
Refém de heranças genéticas,
Impregnado de valores da nação,
Condenado por desejos,
Afogado num mar de ismos, de ídolos,
De dogmas e premissas de crenças vãs;
Passará este eu de camadas,
Capturado por aderências
De espessa e repulsiva gosma,
Mas, Eu mesmo, não passarei.
Eu sou o que sou,
E não o que estou.
Passará o que não sou,
Pois, em verdade,
Enquanto estive,
Nunca fui.
Vivo - estou já sepultado em ataúde,
Obra desses tantos atributos.
Morto - estarei exonerado
Dessa viscosidade degradante,
Livre para ressurgir
E ascender a alturas culminantes.
LIVRE COMO PÁSSAROLivre como pássaro...
Dizem...
Por quê? Abre vôos longos?
Pousa onde almeja?
Por que não dizer --
Livre como o pensamento ?
Que a chuva não molha,
Nem o abate o vento forte,
Que dos pássaros
Excede o vôo..
Na conjectura,
Na lonjura,
Na altura...
VELHOS E JOVENS[Nada que ver com a idade]
VELHOS
− são aqueles aos quais faltaram forças
para resistir ao látego da vida;
− são aqueles que chegaram,
que lutaram todas as batalhas;
− são aqueles que se venderam
aos prazeres do conforto e do ócio.
Velhos são aqueles que deixaram fenecer o interior,
são os que perderam o ideal,
que desistiram da luta.
JOVENS
-são aqueles abençoados,
distinguidos com a vocação para o cósmico!
− São os que permanecem entrincheirados
respondendo aos assaltos da vida;
− são os que, mesmo combalidos,
ainda acreditam na vitória;
− são os que entregaram sua vida
numa derradeira batalha.
Jovens são aqueles que acreditam
no destino glorioso do homem,
e mais ainda,
são os que acreditam
no triunfo da Liberdade e da Justiça,
mesmo quando tudo em sua volta
pareça negá-lo.
biografia:
Nota Biográfica
Jorge Pinto de OliveiraJ Pinoli [pseudônimo, sigla de Jorge Pinto de Oliveira], nasceu na Cidade do Rio de Janeiro, Brasil,
em 6 de julho de 1935. Filho de militar, foi impedido de atender ao chamado das artes, tendo sido direcionado a cursar o Colégio Militar, onde estimulado por seus mestres, priorizou o estudo da literatura e da história. Ao término dessa etapa, jovem adulto, opôs-se à obstinação paterna por uma carreira militar, e atraído pelo forte conteúdo de ciências sociais ingressou no Curso de Graduação em Administração Pública, da Fundação Getúlio Vargas, mirando uma carreira política que a ditadura militar de 1964 sepultou. Enveredando pela área técnica, pós-graduou-se Mestre em Planejamento Energético e Ambiental, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo emprestado sua participação em diversas obras e projetos de engenharia até aposentar-se, fechado na dedicação à família. Atualmente, integra a ONG Brasil-Link, onde milita como ativista em defesa da Cidadania e do Meio Ambiente. Seus trabalhos publicados no site http://www.scribd.com/jpinoli são recentes. Mas, como o verde que ressurge sobre gelo depois de um longo inverno, a um poeta não se cala − cedo ou tarde ele canta.
jpinoli@hotmail.com