AnonimatoNasci num quartoMeio escuroMeio candeeiroMeio alumiado. Dezoito de fevereiroNasci VagalumeO espaço todoTodo mundo viuO QuartoA CasaA RuaA CidadeTudo luziuEm vez de chorar, O VagalumeExperimentando asas e volts, Sorriu. Inaê Sodré 25 09 09Cacos D\'águas. Corpo, de Barros, quebrado.Manoel de. A lagartixa bebe água na sombra da galinha.Patinha de meias rosin ...
Anonimato
Nasci num quarto
Meio escuro
Meio candeeiro
Meio alumiado.
Dezoito de fevereiro
Nasci Vagalume
O espaço todo
Todo mundo viu
O Quarto
A Casa
A Rua
A Cidade
Tudo luziu
Em vez de chorar,
O Vagalume
Experimentando asas e volts,
Sorriu.
Inaê Sodré
25 09 09
Cacos D\'águas.
Corpo, de Barros, quebrado.
Manoel de. A lagartixa bebe água
na sombra da galinha.
Patinha de meias rosinhas.
Corpo sem cabeça.
Braço em cima da mesa.
Pontos, vírgulas e apostos.
Tontura de pescoço que dançam
nos andaimes da construção
de Cabral , o João.
Fragmentos de comunicação.
Quebranto e Quebradas .
Cacos d\' águas .
Desperta o moderno despertador,
De noite, do galo e das fadas.
Na sombra, um dos touros de Picasso
Enfrenta, enfurecido, um tecido vermelho
Que se vê ao longe, voando, ao acaso.
Inaê Sodré
2008
PerverCidade.
Ontem eu passei, à pé, pelo Rio Vermelho.
Vi um homem quase invisível.
Ele estava deitado numa calçada
em posição de feto.Cheguei mais perto.
Percebi que ele estava com os olhos semi-abertos.
Semi fechados.
Semi vivo.
Semi morto.
Não sei bem no preciso.
Eu fui embora, andando e olhando para trás.
Fui cabisbaixa pensando: \'como eu sou perversa!\'
Eu o deixei sozinho naquela calçada semi fria.
Semi nua.
Semi minha.
Semi tua.
Inaê Sodré
Abril 2008
PerverCidade.
Ontem eu passei, à pé, pelo Rio Vermelho.
Vi um homem quase invisível.
Ele estava deitado numa calçada
em posição de feto.Cheguei mais perto.
Percebi que ele estava com os olhos semi-abertos.
Semi fechados.
Semi vivo.
Semi morto.
Não sei bem no preciso.
Eu fui embora, andando e olhando para trás.
Fui cabisbaixa pensando: \'como eu sou perversa!\'
Eu o deixei sozinho naquela calçada semi fria.
Semi nua.
Semi minha.
Semi tua.
Inaê Sodré
Abril 2008
biografia:
Inaê Sodré nasceu em 18 de fevereiro de 1976 em Ipirá, Sertão da Bahia. É radicada em Salvador desde 2000. É atriz, cantora, escritora e poeta. Formada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia. Escreveu e interpretou duas peças de teatro. Tem um poema publicado em um livro Coletânea \'Diversidade e Convivência\', lançado pela Edufba.
inaesodre@hotmail.com