AmpulhetasPra que usar relógios carosÉ melhor vê-los em sua estrutura defeituosaFalharem, pararem com o tempoPra que fazer uso de uma chaveQue apesar de abrir tantos espaçosNão nos trará a abertura para o tempoEntão o melhor mesmo é afunilar o tempoCongestionar as possíveis portas a serem transpostasE esperar vocêNuma caixa de barroO olhar a cintilarPoema líquido Amores que flutuamAlmas ...
AmpulhetasPra que usar relógios caros
É melhor vê-los em sua estrutura defeituosa
Falharem,
pararem com o tempo
Pra que fazer uso de uma chave
Que apesar de abrir tantos espaços
Não nos trará a abertura para o tempo
Então o melhor mesmo é afunilar o tempo
Congestionar as possíveis portas a serem transpostas
E esperar você
Numa caixa de barro
O olhar a cintilar
Poema líquido
Amores que flutuam
Almas que se embaraçam
na brancura da espuma
O afirmar mais intenso da vida:
o momento da explosão orgásmica
no sexo transado na piscina
O carinho e admiração por você.
é mais que uma mera marola
Sorvo a saliva perolada de sabedoria e alegria
que atravessam os lábios do meu ser
A infinita vontade de amar e acreditar
Vale a pena.
É um grande rio.
Vem de você.
Preso à turbulência da cachoeira
destruo a ave de rapina
que rapina meu ser,
faço soçobrar a desesperança
para logo adiante
emergir numa lagoa de paz e amor.
Acabou o inverno E foi na última Bock
Tomada no Bar Stuart
Que me convenci
Que havia acabado o inverno
Sim, porque nesta cidade
Não existem estações
O pão Sírio
Libanês
Árabe?
As garotas curitibanas
Passam
Andam duras pelas ruas
As que tentam rebolar
Quase caem dos seus saltos
As folhas do jornal velho
Que cobrem o morto moribundo
Estão cobertas de noticias
Sobre moribundos mortos.
Campo Largo coberta de flores
Flores campestres que se abrem
Sobre a memória de Odila
Anunciam a sua chegada
A chegada de uma nova estação
Peremptória, perdida
No recheio entre as festas juninas
E de Natal.
Ninguém mais vê com seus olhos
Embevecidos os bosques
Vales e campinas.
Ninguém mais escreve seus mortos
Manchas de negrume
Sobre a macia folha branca de papel
Milhões delas chorando a perda
A perda de Dante
A perda da estação Primavera
E sobretudo,
A incrível perda da poesidade
Digo humanidade
Digo língua
Digo palavra
Digo dEUS
Luiz Zanotti BIOGRAFIA
Luiz ZanottiDoutorando em Teoria Literária pela UFPR, possui a seguinte formação acadêmica: graduação em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo [1978], mestrado em Administração pela PUC-SP, graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná [2006], especialização em Literatura Dramática pela UTFPR [2007] , especialização em Psicanálise Clínica pela Faculdade Dom Bosco [2007] e Mestrado em Teoria Literária pela Uniandrade [2008]. Atualmente faz parte dos seguintes projeto: Poéticas da ruptura: linguagens dramáticas e cênicas do contemporâneo [Uniandrade], Intermídia: Estudos sobre a Intermidialidade [UFMG], Cesh [Centro de Estudos shakespereanos], Dramaturgia, tradição e contemporaneidade da Abrace, e projeto Novos Autores do Nucleo de dramaturgia do Sesi. Na área artistica atua como diretor teatral, dramaturgo, compositor e escritor.
Campo Largo
luizzanotti@terra.com.br