Amanhã talvez...Noites de primavera na total escuridão,há um medo abstinente que abala fortalezas,e o ciciar da ventania anunciando aluvião.O coração acelera em meio a divagaçãosinto o bafo do lobo chegando mansamente,fincando as garras em nuas ancassussurrando aos ouvidos palavras obscenasenquanto seus braços envolvem a fêmea.Bocas sedentas da libertinagem cúmplice dos amantes,entregue ...
Amanhã talvez...Noites de primavera na total escuridão,
há um medo abstinente que abala fortalezas,
e o ciciar da ventania anunciando aluvião.
O coração acelera em meio a divagação
sinto o bafo do lobo chegando mansamente,
fincando as garras em nuas ancas
sussurrando aos ouvidos palavras obscenas
enquanto seus braços envolvem a fêmea.
Bocas sedentas da libertinagem cúmplice dos amantes,
entregues aos amaços frenéticos das carícias...
Há um mar de possibilidades a separar o mesmo desejo,
vulcões escondidos implodindo aos arrepios das intensões.
Talvez haja um amanhã para os dois!!!
***
O que restou?O que restou das tardes fagueiras,
de quimeras incorpóreas e felicidade malograda?
O que restou das certezas nas verdades postas à mesa
nossos atritos e divagações?
O que restou das promessas empenhadas?
O que restou dos caminhos bipartidos?
Um vendaval de incertezas e contradições
solapou as melhores intenções,
deixando um rastro de destruição
na insustentável querença.
A saudade de agora tem o sabor do absinto
regando o vazio da ausência.
Restou um bonifrate em veniais saçaricos
e do outro lado um coração partido.
***
EpitáfioCalamos em nós as cumplicidades de outrora,
esse preceito amoroso que hoje nem mais pecado é.
Pensar que um dia já fizemos planos
sem contar com os desenganos
que pelo caminho nos atraiçoaram.
E guardo-te no coração com tanto sentimento
e espreito nos desvios em que passa teu fulgor,
em versos me desnudo a falar-te de amor.
A madrugada sonolenta me encontra
gestando sonhos de nós dois,
nossas mãos entrelaçadas,
nossos corpos emaranhados
e o vento açoitando a janela traz-me à realidade
e incontinente teclo um epitáfio:
aqui jaz um amor que nasceu imenso,
e debilitou-se com o tempo
até falecer de inanição.
biografia:
Tereza CarreraNascida em Santos/SP/Brasil, possui textos publicados em dois livros de Antologias: Universo Paulistano em homenagem a cidade de São Paulo e Palavras Veladas, só poesias de diversos autores.
tereza@carreranet.com.br