Recife: Cidade das ÁguasRecife:Cidade das Águas,Dos rios que corremEspalhando-se no mar... Sobre tuas águas flutuamRestos de sonhos vividos,De presente, de passado,Levados ao ventoPerdidos no ar. Leito de rioAcúmulo de históriasDe miséria e de glóriaTal e qual nossa bandeira no ar. Recife:Cidade das ÁguasDos rios que voltamEmpurrados pelo mar... Roberto Da SilvaAgosto de 2006Dos Recém-nas ...
Recife: Cidade das ÁguasRecife:
Cidade das Águas,
Dos rios que correm
Espalhando-se no mar...
Sobre tuas águas flutuam
Restos de sonhos vividos,
De presente, de passado,
Levados ao vento
Perdidos no ar.
Leito de rio
Acúmulo de histórias
De miséria e de glória
Tal e qual nossa bandeira no ar.
Recife:
Cidade das Águas
Dos rios que voltam
Empurrados pelo mar...
Roberto Da Silva
Agosto de 2006Dos Recém-nascidos da Ponte Velha da Boa VistaDa Ponte Velha da Boa Vista
Caminhava pensando a vida...
Do para-peito, olhei o rio:
Água-cinza, mangue-frio.
Refletiam apertadas moradas
Margeadas de silenciosas figuras
Mas, entre tantas se viam
A lentos passos milhares de recém-nascidos...
Banhavam-se ao calor do sol,
Imagens incompreensíveis,
Pois que, tempo a contá-las não se havia...
A água limitava a lama,
Em movimento detritos surreais.
Tudo margeando o poético Capibaribe!
E nesse vai e vem de fina água
Brilhavam qual vidraça rara
Cavaleiros da triste figura.
Essa velha Cidade das Águas
Coberta de estranha beleza,
Obrigava-me a debruçar
A Ponte Velha da Boa Vista.
E, enquanto meus olhos nervosos,
Tentava contar os milhares de recém-nascidos,
Estes se desenhavam a ritmo sincopado
Embelezando o mangue do Rio Capibaribe.
P´ra-frente!...p´ra-tras!...
P´ro-lado!... p´ro-outro!...
Dos encontros, as facetas:
Cavalheiros no cruzar de patas ao sol.
Tudo era brilho nos meus olhos...
Nos seus olhos... Ah! Seus olhos...
Saltavam... Baixavam... Levantavam...
Saltavam... Baixavam... Levantavam...
Roberto Da Silva
Agosto de 2006Crianças “frexando” o rioDo espaço romperam-se sonhos
Entre cruzar de mãos e pés.
[sonhos...acrobacias...pernas mil...]
Explodiam gritos e intensivos berros.
“Frexavam” o velho rio.
Sorrisos estranhos lá mergulhavam
Sobre reflexo do mangue frio.
A felicidade lá morava,
Bem no meio do rio.
Passageira felicidade...
Tudo isso acontecia
Sob a Ponte Velha da Boa Vista
E a minha vista
A realidade passava
E eu via...
Roberto Da Silva
Agosto de 2009BIOGRAFIA:
Roberto Da Silva nasceu no Recife – Cidade das Águas – em 08.02.49. Vem de tronco familiar dos SILVA, MIRANDA e SANTIAGO, onde as tendências para as Artes Plásticas, Visual, Musical e Literatura se perdem no tempo. Iniciei, com o meu amadorismo, aos 10 anos onde vendia por encomendas as ilustrações e caricaturas. Profissionalizado em 1970 como Programador Visual na indústria têxtil do Cotonifício da Torre e logo depois, no mesmo grupo empresarial, como Diretor de Arte dos Supermercados Comprebem. O mestre, da iniciação no campo da arte aos 13 anos [1962/1965], foi o Artista Plástico italiano Luigi Notaro. Professor de Arte da Escola Técnica do Recife. Ingressei, em 1971, como profissional das Artes Plásticas, na primeira exposição coletiva – programa da Escola de Belas Artes do Recife – na feira anual e Artes Plásticas do Convento de São Francisco [hoje Museu de Arte Sacra e Contemporânea] de João Pessoa - Paraíba. A primeira exposição individual, em 1973, aconteceu no MAC-PE – Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco – Olinda. Abriu o evento apresentado pelo Professor de Comunicação e Poeta Jomard Muniz de Brito – com a pesquisa “Experiências Cósmicas”: tema social sobre a ocupação do espaço. 1976 foi o ano de minha viagem à Itália. Matriculei-me na Escola de Belas Artes de Roma [preferi a desistência por ser uma escola para professores de arte segundo a nova reforma], logo depois me transferi para a Faculdade de Arquitetura da Universidade La Sapienza de Roma – Itália [1977/1984]. Este período vivido em Roma estudei com os seguintes professores: Dr. Bonito Oliva – criou o movimento internacional de artes plásticas TRANSVANGUARDA – História da Arte Moderna e Contemporânea; Dr. Carmine Benicasa – curador da bienal de Veneza – História da Crítica da Arte; Dr. Filiberto Menna – Crítico de Arte que escreveu o polêmico livro “Critica della Crítica” – História da Arte Moderna; Dr. Emílio Garroni – Presidente da Associação Européia de Filósofos – Estética. O campo da arte Roma me proporcionou escrever [textos críticos, literários e poéticos] para a Revista AMICIZIA e realizar várias conferências e exposições individuais e coletivas na Itália-Austria-Alemanha-França-Espanha-Venezuela-Brasil. No ano de 1979 iniciei uma pesquisa na arte – “O comportamento do homem no espaço urbano” – que serviu de referência à minha penetração artística na Europa. O meu retorno ao Brasil deu-se em 1986. Familiarizado no cenário artístico do Recife , criei em 1988, juntamente com minha esposa – Cristina Presbitero – o Instituto de Cultura Brasil-Itália [ainda hoje em atividade] e deu-se início a um grupo internacional de pesquisas artísticas da realidade urbana que veio a se transformar nos REALISTAS URBANOS [atualmente em comemoração dos seus 20 anos]. Sua proposta inicial foi detectar uma escola de pensamento na arte pernambucana: ”A Escola Pernambucana de Arte”. Foram abertos vários intercâmbios culturais e artísticos com a Itália e a França. Do ano de 1986 aos dias atuais, escrevi textos críticos [livro no prelo “Por um momento de crítica”] sobre arte, para vários artistas brasileiros e estrangeiros participantes do intercâmbio e publicados em catálogos, revistas e livros. Neste ínterim escrevi e publiquei várias poesias. O Grupo Realistas Urbanos, por vir da Arte Conceitual, tinha na linguagem poética sua referência na construção da obra de arte. Atualmente, eu desenvolvo uma proposta em escultura, desenho e pintura, baseada em uma pesquisa sobre o fenômeno da pichação: “A “imaginária” popular”: sub-pesquisa do “Comportamento do homem no espaço urbano”. Venho há vários anos [1988] desenvolvendo pesquisas da relação entre a arte e o comportamento através da colagem. Todos os participantes dos cursos por mim ministrados eram acompanhados por um trabalho terapêutico através da arte: desenvolvimentos dos processos criativos patrocinando a auto-estima. No inicio de 2000 fiz uma especialização em Arte Terapia pela Pomar do Rio de Janeiro adaptando as colagens aos novos paradigmas repassados.
Minha atual atividade é como Artista Plástico, Poeta, Teórico e Crítico da Arte. Como Produtor Cultural eu atuo com projetos científicos na área da arte e da cultura. Na Arte Terapia desenvolvo um projeto para o deficiente visual. Tenho várias poesias editadas em jornais, revistas e trabalho em um projeto Poesia nos muros na Cidade do Recife.
Roberto Da Silvaroberto_da_silva@hotmail.com