SÓ NÃO MORRERÁ O AMOR!Vera noite vi em sonhoTurbilhões com suas vagas;Quase alcançavam o céu!As palavras me vieram tão latentes na visão!Ouve um choque de egos toscosA provocar mil vis fagulhas;E a chama que nasceu lambeu sinistramente o ódio! Vi queimar indacas podres;Vi tostar diversos corpos;Vi almas sujas de quem era o horizonte desse mal!Quando o fogo apagou o que restou nem era cinz ...
SÓ NÃO MORRERÁ O AMOR!Vera noite vi em sonho
Turbilhões com suas vagas;
Quase alcançavam o céu!
As palavras me vieram tão latentes na visão!
Ouve um choque de egos toscos
A provocar mil vis fagulhas;
E a chama que nasceu lambeu sinistramente o ódio!
Vi queimar indacas podres;
Vi tostar diversos corpos;
Vi almas sujas de quem era o horizonte desse mal!
Quando o fogo apagou o que restou nem era cinza.
Era o vasto e temerário arremedo do meu ser.
Ah! Morte...
Se eu pudesse enganá-la, talvez me matasse o 'eu'...
Talvez me purificasse dos desmandos que eu provei.
Ah! Morte...
Não espere aí parada. Nosso encontro se perdeu.
Se marcarem novo embate cubra a face e cumpra a Lei.
Chamem os anjos, homens raios!
Chamem as férteis Madalenas!
Clamem aos plenos pulmões, pois o inferno já perdeu.
Beba a largos sorvos gélidos dessa Fonte que é tão Deus!
Quer provar do infinito? Encha a boca de ardor!
Se quiser ver o segredo, saiba, só não morre o amor!
Vi tão forte e limpo aço e um reflexo a me olhar:
'Não sabia que existia'!
Disse o espelho a mim mesmo.
Meu reflexo era opaco e meu ser um verbo anômalo.
Despertei dessa visão como quem engana a morte.
'Não sabia que existia'!
Ecoou mais uma vez.
Eis que a face do Cordeiro se me veio à lembrança!
Eu chorei desconsolado.
'Ora vem'! Gritei co'a alma!
Eis que um raio iluminou o meu Caminho e a esperança!
Novamente me peguei nesse êxtase tão lindo!
Apalpei a minha mente e vi que, essa, era só vida!
Entreguei meu tabernáculo a Quem era por direito!
Eis que o fogo renasceu e eu o vi sair de mim.
Espalhou-se como um raio e logo iluminou o mundo.
'Não sabia que existia'!
Não Se afaste mais de mim!
Sei que em Sua companhia, vai deixar-me o triste fim!
Entendi esse segredo e repeti para mim mesmo:
¡Quando tudo terminar só não morrerá o amor'!
Ronaldo RhussoExecutadoCadafalso empertigado, cujo olor beira alecrim
és convite inescusável, e se declino, ai de mim!
Vais se abrindo e em ti eu caio e um gemido me é tomado.
Ao cair, confesso, o falo, da tristeza separado,
pro Nirvana flutuando, estocando o fio na agulha.
Cadafalso embriagado com meu jeito de molhar
doces lábios com a chama que pra seca é ludibrio,
suga o eu que nunca pensa e se deixa esconder.
Cadafalso és a cachaça; és o vício que não largo!
Não me importa o endereço, pois, algoz, sou de mim mesmo...
RONALDO RHUSSO Graça!E envia a descarga, o luzir desse Céu...
E não resta labéu ou qualquer outra carga!
Há de dar à ilharga uma nova recarga
Onde a estrada mui larga, eis, será chão fiel!
Utilíssimo véu cobrirá todo o fel
E, assim, solidéu sobre essa lida amarga
Impedindo o que alarga ao sofrer e o embarga
Ao lhe dar sobrecarga em 'amor fogaréu'!
Ora, eu sei que o papel do luzir é supremo!
E nas notas que fremo em cantar tremulado
Apresentam legado ao dar fim pr'esse enfado
Aludido em mau grado e 'gozado' ao extremo!
Inda assim não mais temo e entoo num brado
'Esse estado alcançado a mim foi Dom deixado!'
Ronaldo Rhussobiografia:
Ronaldo RhussoNascido em Botafogo, Rio de Janeiro, passou parte da adolescência em Ilhéus-Ba. Foi militar de carreira, mas desistiu e foi conhecer o próprio país com uma prancha a tira-colo; descobriu as discrepâncias sociais e se associou à ADRA internacional; sofreu gravíssimo acidente e, após alguns meses de luta para tentar se recuperar voltou a escrever no Recanto das Letras onde publica seus devaneios, manifestos, protestos...
ronaldo.rhusso@gmail.com