Aceitação da LoucuraNão vou à igrejapedir perdãopor ser desigual- prefiro a ciênciae a hóstia rosa da Roche -Nessa demência cetim-lexotan,cai bem a nudez e a vodkamanchando o lençol on the rocks.Ai, esqueci por sua causao que ia dizer!-acho que tinha a vercom sua não aceitaçãoda minha cuca torta,sacaneada-Fique com s ...
Aceitação da Loucura
Não vou à igreja
pedir perdão
por ser desigual
- prefiro a ciência
e a hóstia rosa
da Roche -
Nessa demência cetim-lexotan,
cai bem a nudez e a vodka
manchando o lençol on the rocks.
Ai, esqueci por sua causa
o que ia dizer!
-acho que tinha a ver
com sua não aceitação
da minha cuca torta,
sacaneada-
Fique com seus acertos,
suas mortas, filhas-das-patas
chocas
e me deixe
-choque!-
Posso até ser errada,
mas o problema é seu
e dê graças a Deus,
se não entende nada.
Almiscarada
Talvez lhe dê um pouco de trabalho
essa mulher que anda na rua
e todos olham.
Vai lhe tirar, quem sabe,
o sono
vê-la sorrir, adormecida,
sabê-la ao Deus dará,
sem seu olhar de dono.
Mas ela vale a pena.
É um cataclisma
de partir Pangéia ao meio,
revirar o eixo da Terra,
mudar rota de estrelas
e das onze esferas.
É um evento de extinção em massa,
essa loira falsa,
com magma de morena.
Velhas Palavras
Não tem mais graça
esse infinito
pois logo ali acaba
e arranje outro termo
pro eterno
quando ele se gasta.
Não acredite em denso
que é muito pouco,
nem em bastante
se já não basta.
Se por hora
a sombra é muito clara
e deus não causa assombro
prefira o fogo e o inferno.
Insistir,
não há mais como,
em sexo, nexo, plexo.
Em cada esquina tem um morto
[morre ao ficar desconexo].
Ósculo bem sabe ser ridículo,
mas o beijo, coitado!
cansou de rimar desejo.
Tanto usaram amor
com dor
que ele fugiu assustado,
precisam dizer algo maior...
Tigresa com s
não soa
bastante selvagem,
bruxas são muito boas
e as fadas, cansei delas,
mas, por segurança,
embrulha uma pra viagem.
Que o dicionário enfie
a viola no saco,
a gramática exploda
como supernova
o lugar comum que se foda!
Eia entrelinhas! Evoé metáfora!
Longa vida aos palavrões
palimpsestos,
e a coisa insinuada!
biografia:
Flávia da Silveira Perez
Publicou o livro Leoa ou Gazela, Todo Dia é Dia Dela. Participou da Antologia do Bar do Escritor em 2009. Primeiro lugar no XII Prêmio Cidadão de Poesia. Menção Honrosa no concurso Silvestre Mônaco 2008 e no XI Prêmio Cidadão de Poesia. Teve poemas escolhidos para publicação no Concurso Nacional Cassiano Nunes, promovido pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília e no Projeto Pão e Poesia 2009.
flavia_perez@hotmail.com