CLASSESPara Ernesto GuevaraA visão das seriemas se refugiando na capoeira do Cerrado. – Viram só são as seriemas em par? Ariscas demais pra nós... – Como podemos capturá-las? – O filho fala ao pai.– Quase impossível!– Ah, mas não podemos comê-las,dizem que possuem venenos,adeptas às cobras peçonhentas.– Ve ...
CLASSESPara Ernesto GuevaraA visão das seriemas se refugiando na capoeira do Cerrado.
– Viram só são as seriemas em par? Ariscas demais pra nós...
– Como podemos capturá-las? – O filho fala ao pai.
– Quase impossível!
– Ah, mas não podemos comê-las,
dizem que possuem venenos,
adeptas às cobras peçonhentas.
– Verdade. Comamos então apenas a carne,
não carece de sugar os ossos, meninos.
As varas de espera no Paraopeba.
O pai gesticula aos filhos, na barranca do rio vermelho.
O filho mais velho comenta:
– A gente esteve lá! Nada – mas também essa água –, suja demais
pra qualquer sobrevivência sadia.
– Malditos minérios de ferro – disse o pai – preocupado.
E continua ele:
– È quase o meio-dia – e contempla:
– O tempo de hoje vai demorar muito a passar.
O sol crepita nas gramas morro acima.
&
ESTRADASDesci a estrada barrenta de terra vermelha,
um pingo de chuva caiu em minha pupila.
Tinha no meu corpo seu perfume de mulher.
Não quis olhar pra trás.
Meus cabelos embaraçados,
meus lábios mordidos.
Na boca um gosto
da sua...
O coração que batia no seu ritmo
naquela noite chuvosa e fria.
Lembro que sorri seu riso;
beijei seus beijos dissimulados.
Aliás, roubei-os.
Abafados corpos na mente,
o que se queria era a última imagem;
mesmo ofuscada com a água da chuva...
Não quis olhar pra trás.
&&
RASTREADORESCerto imenso sertão
Em que caminhos?
– Nesse nosso belo Gerais!
Deixando para trás – veredas e buritis.
– Procuras nos entreter com palavras enigmáticas?
Completas pelo bel-prazer!
Porquanto tempo estarás ausente?
– Ah, que olhares lançavas...
as cachoeiras e às montanhas
nas chapadas mais longínquas
passadas em lugares íngremes
– Seus liberavam mistérios
tudo tinha que contemplar!!
– Quais trilhas andarás?
Talvez esteja nas nuvens,
Soprando a provocar chuvas
Ação de fazer bem pra essa gente.
Léguas andadas não esquecerás
Diante da jornada...
A menor prosa possível.
No lombo do bom burrinho,
ao lado dos vaqueiros ladinos,
tangendo triunfantemente a boiada.
– Oh! Que atalhos pegares?
Nós te perdemos de vista! ? !
Sozinhos, vemos pela estrada,
O que deixares de mais crível.
Biografia:
Newton Emediato Filho, natural de Belo Vale em Minas Gerais, é formado pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal de Minas Gerais. Graduou-se em Ciências Sociais [Sociologia, Antropologia e Política]. Licenciado pela Faculdade de Educação da UFMG - FAE. E se especializou na Faculdade de Direito da mesma Universidade, Escola do Legislativo ALMG - Ciências Jurídicas - em Assessoria Técnico-Legislativa Avançada].
É autor de vários ensaios sobre a obra de um dos maiores escritores brasileiros, João Guimarães Rosa, tendo participação ativa em seminários internacionais realizados pela PUC/Minas sobre João Guimarães Rosa.
O Livro Um Carro de Bois que Transportava Logos é o seu primeiro romance lírico infanto-juvenil. Com comentários [orelha] feitos por Luís Giffoni [...] Já disseram que Minas são muitas. A literatura também. Um Carro de bois que Transportava Logos viaja por algumas delas [...].
O miniconto Palavras, que se encontra no livro Letras Mínimas; editado pela Editora Guemanisse, é de autoria de Newton Emediato Filho que, no contexto, resgata a linguagem de um vocabulário cada vez mais parco nesse país de mulatas, carnaval, eivado de corrupção.
O conto Um Papagaio Palimpséstico foi selecionado no Festival Festivelhas, originado pelo Projeto Manuelzão/UFMG - realizado no Morro da Garça/MG – em Novembro de 2005. E publicado no livro: Rio das Velhas em Verso e Prosa - Arte e Transformação - Projeto Manuelzão, Instituto Guaicuy – SOS Rio das Velhas, primeira edição, dezembro – 2006.
O conto Um Papagaio Palimpséstico recebeu Menção Honrosa pela Editora Guemanisse/Teresópolis/RJ e lançado no livro Elos e Anelos em abril de 2008.
'Minudências no mundo rosiano: Alexandre Barbosa da Silva, amigo do sertão e de João Guimarães Rosa, manda lembranças' ensaio apresentado no Seminário Internacional João Guimarães Rosa na PUC/MG/2004. Publicado na Revista Cronópios Literatura e Arte em Digital/SP.
No site Verdes Trigos está publicado uma resenha crítica do poeta e jornalista Rogério Salgado intitulada: Literatura onde o real e o imaginário se confundem.
Ministra palestras em Espaços Culturais e ONGs na capital e interior mineiro:
16 às 16h30 – 13/julho/2007 'Um pouco sobre Guimarães Rosa' com o sociólogo e escritor Newton Emediato Filho [Belo Horizonte/MG] no Terceiro BELÔ POÉTICO. Encontro nacional de Poesia, realizado no SESC LACES/JK – Belo Horizonte/MG. 'O Simulacro da Independência no Brasil Dependente', dentro do Projeto 'Cultura e Cidadania', que pretende proporcionar reflexões sobre temas atuais e de interesse da comunidade. A Palestra foi realizada no Centro Cultural da Pampulha em Belo Horizonte, dia 19/09/2007 às 19:00 horas.
contato: newdiato@hotmail.com
http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=3038
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/newtonemediato
newdiato@hotmail.com