ASCENDAMAscendam-se as paixões, fervam-se os leitosMistérios e canções brotam do peitoE uma nova mão cinge o papelÉ mais uma - para o povo - estrela guiaQue se move através da poesiaVerdadeira língua de babelOuço a canção a ressoar pelos milêniosSinto o farfalhar - asas de gêniosComigo a declamar esta miss&ati ...
ASCENDAM
Ascendam-se as paixões, fervam-se os leitos Mistérios e canções brotam do peito E uma nova mão cinge o papel É mais uma - para o povo - estrela guia Que se move através da poesia Verdadeira língua de babel
Ouço a canção a ressoar pelos milênios Sinto o farfalhar - asas de gênios Comigo a declamar esta missão Que é rugir esses meus versos pelos ares E inundar toda a terra de palmares Na mais vibrante e colorida inspiração
O homem desperdiça ventos tantos Na inútil letargia de seu pranto Falso alento - verdadeiro algoz Será que não - a criação - almeja? Ou o ruir - valha-me deus! - deseja? Ser no vazio a estupidez feroz?
Seu coração a muito já enseja Os raios de ouro qu´amplidão dardeja Nos gestos da canção E o furor do olhar de mil infantes No saciar - no erigir - de cada instante Num soar - bravio - de tufão
E existindo como o chamado de seu peito Vem o poema alumiar-lhe o leito Vem o poeta nos raios da procela De rijo braço a estender-lhe a mão A abençoar-lhe com os louros da razão A libertar-lhe da sentença e sela
Os grilhões tão novos quanto a mão Tem como antro tua imaginação Como desfecho neurótico albornoz Abra o peito e miras à frente Ou se une as vagas em onda potente Ou vadia vaga, ignorante e só!
Há de soar nos vales e campinas Namorar entre tantas - belas - rimas Ela - menina - musa da verdade E trazer meu canto névoa acima A urrar por todas as esquinas A rouca - e louca - voz da liberdade! ....
ALBATROZ
Da janela disperso, encontrado a vagar Além de brumas e estrelas navegar Pra dentro dos sonhos - no horizonte a florir Buscando acalanto no puro rimar Cantando maneiras de o mundo mudar Buscando o sorriso - eterno elixir
Navego adiante e trovando divago O vento ululante me vem num afago O sol radiante anuncia o porvir No céu um cruzeiro aponta-me o espaço Ao léu altaneiro - das nuvens o paço Instigando-me a alma - desperta a rugir
Disfarces não quero - o muro rompi Ferve nos veios o sangue tupi Corre nas veias o sulco da vida No ar inspirado a poesia sorvi Não mais fadigado ao píncaro ergui Os mastros traçados das teias da lida
Dos sonhos retorno - dos sonhos descendo Nos inúmeros corações, uma chama ascendo Nos seres incito um antigo clamor Albatroz bem faceiro - rompendo muralhas Livrando-lhe o dorso de velhas cangalhas Abrindo-lhe as alas, pra força do Amor! ....
AMOR
Na força do amor eu confio Pra preencher o vazio Que me ronda a cidade A força do amor - uma estrela Qual onda que o corpo incendeia Curando de toda maldade
Do porvir a esperança Na poesia uma dança Nasce inspirada de amor Uivando da lua um chamado Que escorre na noite dourado Pra agradar uma flor
Amor de infinitos encantos Calor que inspira mil cantos Tudo vence - segundo o profeta É o amor horizonte infinito É erguer no silêncio esse grito Acordando longínquos ascetas
Amante do amor - o poeta A todos agora desperta Pra sentir - do amor a canção Perceber e cantar o sorriso Que emana no céu como aviso Do gozo da inspiração
biografia: Vinícius Negrão essencialmente curioso, ávido leitor e escritor, que com a sutileza das rimas e força dos sonhos espalha pelos ares poesia e amor. Em nosso peito uma paz, para melhor perceber o mundo, e também um vulcão, para melhor expressá-lo.