Amigoé porto segurono vendavalclareira nas noitesdensas da incertezaé afago e abrigocerteza de que vidase tornou mais levemais branda no peitoporque nela se encontrouesperança e consolocom um nome que soacanção aos ouvidos.Este nome é o teu:amigo! [aos meus amigos]Auto – retratoEntre os matizes de luz e sombraTento um retrato da vidaQue estampe em meu rostoA beleza das coisas simples. Busc ...
Amigoé porto seguro
no vendaval
clareira nas noites
densas da incerteza
é afago e abrigo
certeza de que vida
se tornou mais leve
mais branda no peito
porque nela se encontrou
esperança e consolo
com um nome que soa
canção aos ouvidos.
Este nome é o teu:
amigo!
[aos meus amigos]
Auto – retratoEntre os matizes de luz e sombra
Tento um retrato da vida
Que estampe em meu rosto
A beleza das coisas simples.
Busco pincelar minha vida
Com o perfume das rosas cálidas
e o com segredo que sopra o vento
das auroras não nascidas.
Quero um desenho da vida
Que revele os acordes do silêncio
Que me fale do amor e da esperança
Como possibilidade neste instante.
Invento novas cores e arco – íris
Pra quando anoitecer por dentro.
Às vezes, erro, borro minha tela
Então recomeço outra pintura do ser.
Este é meu auto – retrato do renascer!
Além das FronteirasEstar no mundo é diferente de viver no mundo.
Vivê-lo é enxergar as entrelinhas do aparente
Captando no silêncio a musicalidade do universo.
Degustar o nunca – este eterno sempre
Pois os contrários não se opõem,
Eles se abraçam formando o todo inseparável
O que aparenta um fim, é apenas outro começo.
O que viceja como assombrosa novidade
Simplesmente adormecia na imaginação
O antes, o agora e o depois são um só:
Eternidade em construção.
O limite é a porta para o ilimitado
Tudo se mescla, um completa o outro.
Somente quebrando as barreiras
Percebe-se que o mundo é um só
Pois cada diferença
É apenas um tom
Do mesmo brilhante.
Então por que lutamos tanto
Para realçar um mundo pequenino,
Tão fragmentado: países, negro, branco...
Cristãos, muçulmanos, judeus...
Escolhendo um, renegando o restante
Se tudo é apenas uma outra face
De cada um de nós?
Erguer sisudas muralhas
É não avistar outras paisagens
Pois além das fronteiras
Existe um outro – tão meu.
Biografia
Marta ReisNasci no ano de 1965, em Martinho Campos, Minas Gerais. Na nossa casa não tinha T.V., então cresci ouvindo as histórias que minha mãe contava ao calor do fogão à lenha ou no terreiro banhado de lua. Ouvir histórias resultou nisso: tomei gosto pela leitura e escrita. Os livros foram sempre companheiros inseparáveis a todo instante, fosse na dor ou na alegria. Neles encontrei amigos, confidentes, refúgio...
Mais tarde me formei em Letras, especializando-me em Literatura, Língua Portuguesa e em Religião. Buscando novas experiências, participei da ACL – Academia Contagense de Letras e do Grupo Pasárgada [recital de poesia e música]. Também trabalhei como revisora de textos durante um tempo.
Casei, descasei, tenho duas filhas lindas! Atualmente leciono Língua Portuguesa nas redes públicas de Betim e de Belo Horizonte e gosto de escrever, sempre que o desejo vem, me dominando completamente... Então, como quem tece uma teia com as palavras, teço a vida virada e revirada de ponta cabeça; através de versos, contos ou histórias. Às vezes escrevo meio às avessas e, por favor, não me peçam explicações para o que nem mesma eu entendo. Escrever para mim é necessidade, assim como respirar... É minha viagem pelos caminhos e descaminhos da existência, onde infinitas vezes me perco ou me encontro, isso depende do caminhar... Escrevo assim: sentindo o mundo inteiro em minhas mãos, pulsando a vida com toda sua beleza e fúria. Escrevo por paixão... Muita!
martah-reis@hotmail.com